Vamos conversar sobre um momento que muitos de nós já vivemos: aquele choro ao ver os pais depois de um dia fora. Às vezes, nos sentimos culpados ou incomodados com isso, mas será que estamos enxergando o real motivo por trás desse comportamento?
Olá mamães e papais! No texto de hoje, quem compartilha suas reflexões é a Paula Valente – Orientadora Parental. Vamos falar do famoso choro ao ver os pais depois de um dia fora brincando ou na escola?!
Paula traz uma visão acolhedora e esclarecedora sobre como lidar com essas situações, com dicas para ajudar nossos pequenos a expressarem suas emoções de maneira saudável. Vamos lá?
Você deixa seu filho o dia todo na casa da avó, e quando chega pra buscar a criança corre pra você e começa a chorar. Não demora muito pra você ouvir alguém dizendo: “ele estava ótimo até agora, brincou, comeu bem, mas foi só você chegar pra fazer essa manha toda!”
Será mesmo? Essa frase boba, mesmo dita assim, sem má intensão, é capaz de causar um alvoroço interno gigantesco em nós pais.
A criança fica o dia na casa da avó, do amiguinho, passa o dia bem e tranquilo, mas é só a mãe chegar e parece que tudo muda sem motivo algum.
Há quem pense que é proposital e só pra nos desafiar. Outros acreditam que a criança está fazendo birra porque estivemos ausentes trazendo aquela culpa gigante. Tem ainda quem acredite que a criança é mesmo mal-educada e não sabe se comportar, e dá-lhe bronca e ameaças.
Pare! Não é nada disso! Aliás, é justamente o contrário do que você pode estar pensando. Apesar de parecer que a criança está reagindo mal à sua presença, ela está é sendo sincera com suas emoções e deixando fluir o que provavelmente segurou o dia todo.
Você é o porto seguro da criança, é com você que ela pode se expressar livremente.
Por mais que a casa da vovó seja um lugar de costume, por mais que tenha sido um dia incrível e super divertido, muitas vezes é também um dia cheio de pequenos novos desafios.
Uma comida diferente do que está acostumado, uma vontade sem a mãe pra recorrer, uma bronca por algo que fez, um ciúme que sentiu, são tantas pequenas situações que seu pequeno teve que lidar sem você por perto, que ele pode até dar conta do recado e passar o dia bem, mas a verdade é que isso drena sua energia e o que ele quer mesmo é um colo seguro pra chorar tudo que ficou segurando o dia todo.
Quer alguém que o entenda e dê o espaço que precisa pra respirar e recomeçar. E tudo isso acontece dentro dele, sem que consiga colocar em palavras, só sente e reage ao que sente.
Nessa hora, vem a manha, a birra, o choro sem sentido, as brigas com as pessoas e até a malcriação. Não é sobre ou contra a vovó ou nós pais, é sobre ele mesmo. É a falta de maturidade para lidar com esses desafios que sente.
Quando isso acontecer, ignore o comentário da pessoa com um sorrisinho e não pegue pra você o que não é seu, então foque sua energia no que mais importa, acolher seu pequeno.
Para te ajudar a sair dessa saia justa quando vem o choro aqui vão algumas dicas:
Não é sobre você!
Isso mesmo, lembre-se que a criança não faz para te prejudicar, faz o que sabe para resolver alguma falta nela mesma.
Perceba e nomeio o que ele sente
Ajude-o a perceber, pode ser saudade do tempo que você ficou fora, frustração ou insegurança “sei que você estava com saudades da mamãe, eu também, quer um abraço?” mostre que ele está seguro, você está vendo o desconforto dele, e tudo bem se sentir dessa forma.
Seja carinhoso
Mostre que se importa, que percebe como ele está, ofereça um abraço, carinho e converse olho no olho.
Mude de ambiente
Muita gente olhando e palpitando só atrapalha, tanto pra criança, como para nós pais que nos sentimos analisados e julgados. Se for preciso, tire gentilmente a criança do ambiente e vá conversar e acolher em outro lugar, só vocês, assim a conexão ocorre com mais facilidade.
Estabeleça limites claros
Explique de forma calma e firme o que é aceitável e o que não é. Mostre que reconhece o que ele sente, acolha, e ainda assim não ele não pode agredir ninguém ou jogar coisas no chão.
Seja exemplo
Sua atitude vai ajudá-lo a se autorregular. Mantenha a calma, respire, seja paciente e compreensivo. Gritar comandos para que ele pare só vai piorar a situação.
Acima de tudo, lembre que é sobre o que ele está sentindo e precisando, mudando o foco para ele fica mais fácil ajudar e cuidar de quem precisa. Ficou mais claro o que significa agora esse choro ao ver os pais?
Por fim, se gostou desse post, aproveite para ler: “5 motivos para você não engolir o choro (nem mandar seu filho engolir) – por Ana Paula Puga” e “A temida birra da criança pequena, o que pode ajudar?“.

Sobre a Paula Valente
Instagram: @PaulaRValente
Mãe da Malu e do JP, engenheira de formação e orientadora parental por amor e paixão pelas relações humanas. Formada pela escola da Parentalidade Positiva de Portugal, onde também fez Inteligência Emocional e Social. Atende famílias que buscam desenvolver suas competências parentais e trazer leveza para a relação com os filhos.
A INFORMAÇÃO DISPONÍVEL NESTE SITE NÃO SUBSTITUI O PARECER DE UM MÉDICO PROFISSIONAL. SEMPRE CONSULTE O SEU MÉDICO SOBRE QUALQUER ASSUNTO RELATIVO À SUA SAÚDE, À SAÚDE DOS SEUS FILHOS E FAMILIARES E AOS SEUS TRATAMENTOS E MEDICAMENTOS.
