Pais superprotetores, filhos inseguros? – por Bruna Moreira

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Psicologia01/11/17 By: Bruna Moreira
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Olá, meninas!

Tudo bem?

Hoje apresentamos uma nova colunista no blog, a neuropsicóloga Bruna Moreira! Ela atende em Curitiba e escreve sobre saúde, bem estar e psicologia em seu site Neuro Equilíbrio.

A Bruna nos enviou um texto super interessante que fala sobre a superproteção de alguns pais e quais as consequências disso para o futuro das crianças. O post exclusivo para o Just Real Moms também mostra algumas formas de não super proteger os pequenos. Nós amamos!

Confiram!

 

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Pais superprotetores, filhos inseguros?

Os pais sempre acreditaram que superproteger os filhos era um ato de amor. Porém, quando essa proteção torna-se exagerada,  logo vêm as consequências: crianças inseguras e possíveis futuros adultos frustrados.

Pais que direcionam e facilitam demais a vida dos filhos não dão oportunidade para que eles tentem resolver os próprios problemas, impedindo seu desenvolvimento. O excesso de cuidados pode tornar-se uma doença que prejudica a convivência e integração familiar, os pais têm que saber dosar e equilibrar os cuidados com os filhos, para que isso não vire uma síndrome obsessiva.

 

 

Alguns exemplos do cotidiano para fazer você refletir:

Na rotina do dia a dia, os pais superprotetores ficam inseguros diante de passeios supervisionados pela escola, por exemplo. Estes pais ficam ansiosos e com medo de que algo ruim possa acontecer impedindo sua ida e dificultando a interação social, o desenvolvimento da autonomia e independência do filho.

A criança esquece-se de levar o caderno para a escola, e você se desdobra para fazer o material chegar lá. Mesmo que seu filho já tenha condições de colocar os brinquedos no lugar, é você que sempre recolhe a  bagunça pela casa. Toda vez que sua filha se recusa a jantar, você espera que ela tenha fome e prepara um lanche.

O pequeno fica doente e precisa tomar uma injeção, você compra um presentinho fora de hora para compensar o
desconforto. Se alguma das afirmações acima é verdadeira para você, um alerta: essa postura pode estar deseducando sua prole.

 

 

Além disso, os pais superprotetores apresentam dificuldades em manter suas relações de modo geral, comprometendo muitas vezes o relacionamento do casal, pois como o foco central é a vida do filho, as demais áreas da vida não são merecedoras de atenção e cuidados.

 

Consequências da superproteção:

1) Síndrome do ninho vazio

É uma síndrome conhecida pelo sofrimento em excesso quando o filho/a está ausente. Essa síndrome é marcada por sentimentos de inutilidade e vazio que tomam conta de pais e mães que constroem suas vidas baseados na dependência maternal ou paternal e que se sentem perdidos diante da ausência deles, como se não tivessem mais objetivos na vida; isso acontece muito quando os filhos casam ou saem para viajar ou a trabalho.

 

2) Decepção

Os pais interiorizaram o que, para eles, é o ideal do filho perfeito e, além disso, nessa esfera de perfeição incluem a si mesmos como figuras de referência imprescindível.

No entanto, à medida que o tempo passa eles veem que, às vezes, seus filhos não se adequam a esses ideais. Então, aparece a decepção.

Quando a criança percebe a decepção no olhar dos seus pais, começa a se desenvolver o sentimento de fracasso e de inferioridade. Toda criança deve se permitir fracassar em algo, errar para, depois, poder aprender com seus
próprios enganos livremente.

 

3) Ansiedade e estresse

Um aspecto que devemos levar em conta é que a superproteção anda de mãos dadas com o excesso de “atividades educativas”. É comum que esses pais façam os filhos realizarem várias atividades extracurriculares, sendo que algumas sequer interessam às próprias crianças.

Pouco a pouco, teremos criaturas estressadas e com um nível de ansiedade semelhante ao de um adulto. Os pais que superprotegem uma criança não toleram o erro em seus filhos. Cada esforço que realizam é para criar filhos competentes, imunes ao erro ou ao fracasso, e algo assim é impossível.

 

4) As crianças superprotegidas chegam a ser seus próprios juízes.

Indicaram-lhes um nível tão alto a atingir que, quando percebem que não serão capazes de alcançá-lo, afundam e se culpam. Caem na autodestruição.

 

Existe dose certa de proteção?

Protejo você para que se sinta seguro e não “preso”:

A criação com um apego saudável é aquela que favorece o reconhecimento do pequeno para que tenha uma boa autoestima e imagem de si mesmo.

Uma criança que se sente protegida e reconhecida por seus pais tem uma autoestima melhor para ter iniciativa, para não ter medo e ir crescendo em maturidade e responsabilidade.

 

Protejo você dando conselhos, mas permitindo que você aprenda com seus próprios erros:

Protegemos as crianças para que não caiam, para que sigam pelo caminho correto, mas essa proteção tem como finalidade fazer com que tenham voz própria e, sobretudo, que possam cometer seus próprios erros
e aprender com eles.

 

 

Protejo você para que saiba que sempre estarei ao seu lado no caminho
que escolher:

O apego e a força do vínculo são indispensáveis, sobretudo nos primeiros anos de vida de nossos filhos. No entanto, desde os 7 ou 8 anos, as crianças vão dar um salto de amadurecimento muito importante.

É o momento em que vão exigir direitos, em que terão um conceito do que é a justiça e a moral. É o passo anterior à caótica adolescência, onde começarão a tomar decisões que podem nos surpreender. É importante escutá-los sempre e aconselhá-los a cada dia, ensinando que, para serem livres, precisam ser responsáveis, e que para desfrutar de certos direitos é necessário cumprir obrigações.

Os pais devem fomentar um tipo de aprendizado baseado na experiência, não essa superproteção que veta a voz dos pequenos e que lhes dá objetivos ideais que ninguém pode alcançar. Vale a pena levar isso em conta.

Geralmente quando os filhos são criados com base nas descrições citadas, é comum que tornem-se pessoas inseguras, inquietas ou quietas demais, indivíduos que tenham muito medo, que não consigam se socializar bem, ou se tornem pessoas revoltadas ou agressivas, sem gostar de obedecer regras e valorizar o tempo em família; cada pessoa pode ter reações bem diferentes. Em vez de haver uma aproximação com a família, pode desenvolver desejo de isolamento familiar.

Tudo isso pode ser evitado com uma proteção cuidadosa, mas equilibrada; os filhos precisarão aprender andar com suas próprias pernas, trabalhar, para que consigam enfrentar os desafios do mundo quando os pais não estiverem mais por perto.

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Bruna Suzana Moreira – Neuropsicologa infantil 

Telefone: (41) 3336-1205 / (41) 99229-2945

E-mail: [email protected] 

http://www.neuroequilibrio.com.br/ 

 

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