E quando o divórcio acontece após filhos? – por Tarsila Cimino

De Mãe para Mãe - Relacionamentos26/11/18 By: Ana Lú Gerodetti
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Olá, moms!

Tudo bem?

No post de hoje, temos um texto mais do que especial escrito pela Tasila Cimino, que tem um Instagram incrível para falar sobre maternidade (@meutommaternal) e também compartilha suas reflexões maternas – e não maternas – em seu blog (Meu Tom Maternal). Além de pedagoga, ela é mãe do Tom, de 8 anos, e do Antonio, de 3, e trabalha em escolas bilíngues.

O tema do post da Tarsila é algo que muitas mães precisam lidar e nem sempre é fácil, ainda mais quando se envolve filhos pequenos: divórcio. Quando seu filho tinha apenas 8 meses, a Tarsila se separou do então marido e hoje veio contar para as leitoras do Just Real Moms como é o pós separação, como conciliar o divórcio com crianças pequenas e como seguir em frente depois dessa experiência tão tensa.

Confiram os tópicos inspiradores que ela escreveu e boa leitura!

 

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E quando o divórcio acontece após filhos? - por Tarsila Cimino

 

Meninas, me chamo Tarsila Cimino e estou tão feliz por estar escrevendo para o Just Real Moms novamente…. Escrevi aqui há muito anos sobre escolas internacionais e escolas bilingues e Tom (meu filho) ainda nem existia….

Pois bem, anos se passaram, eu sigo trabalhando como pedagoga e dando aula em uma escola bilíngue. Hoje, tenho o Antonio, um menino lindo de três anos e sou divorciada. Me separei quando Tom tinha apenas 8 meses e essa é a pauta de hoje! Como seguir com a vida após um divórcio especialmente com filhos pequenos… A vida segue, tenha certeza!

Em linhas gerais, me divorciei completamente no susto, tipo acidente de avião rs. Tom foi muito planejado e esperado; nasceu prematuro mas felizmente tudo correu bem e hoje, ele que foi um recém- nascido preguiçoso para sugar, aprender a mamar tem energia de sobra para dar e vender. Já o levei no Einstein para dar um bjo nas enfermeiras que cuidaram dele com tanto amor e elas puderam ver com os próprios olhos meu menino “Red Bull”.

Quando achei que minha vida estaria novamente nos trilhos (Tom maiorzinho, eu já não amamentava mais e minha licença maternidade estava acabando), o trem acabou por descarrilar de vez mudando o trajeto da minha vida e eu mesma de forma tão significativa que hoje meu coração refeito só quer espalhar e dividir meus aprendizados com quem estiver passando por isso…

Segue minha lista de pílulas para a sobrevivência:

 

1-Se apoie em especialistas.

Um divórcio é muito dolorido e na maioria das vezes estamos sofrendo tanto que pensar racionalmente  se torna algo impossível. Um bom advogado, uma consultoria financeira e um psicólogo são a tríade que você precisa para passar por essa jornada sombria. O psicólogo é de extrema importância para você cuidar das feridas, administrar seus medos que serão vários e gerenciar a situação frente aos filhos da melhor forma.

 

2-Separe os sentimentos e as mágoas.

Salvo casos em que o pai ou a mãe represente algum perigo para os filhos, o vínculo entre pais e filhos deve ser preservado. Não importa o que passou e a forma como tudo ocorreu, isso aconteceu na relação marido e mulher e não envolve filhos. Os filhos precisam de ambos e devemos respeitar isso e a imagem do pai ou da mãe. Brinco que ex-marido e pai ou ex-mulher e mãe são como prato principal e sobremesa: são gavetas separadas. E se houver raiva, aos poucos comece a cuidar dela; ela só nos ajuda quando a transformamos em impulso e gana para focarmos em nós mesmos e recomeçamos. Acredite, pois funciona. Desapegue do seu passado e da raiva que o outro causou em você e use seu tempo e energia para você e seus filhos. O que passou, passou e muitas vezes só é digno de silêncio e indiferença.

 

3- Invista em você!

Talvez você saia destruída de todo o processo e com a sua autoestima no pé, portanto você terá que se alimentar de novos recursos  para se reconstruir. Isso engloba desde sua aparência física até e especialmente sua cabeça. Invista em leitura, cursos, se abra para novos interesses. Hoje, com a Internet, temos dezenas de plataformas que te propiciam cursos diversos sem sair de casa. Cuide mais do seu corpo, do seu cabelo e sua pele. Cultive um novo olhar para si mesma. Se reconecte com amigos antigos, use e abuse dos amigos atuais. Alguns amigos e contatos irão desaparecer; vai doer, mas faz parte. Não se surpreenda se alguns dos amigos antigos estiverem separados como você. Eles se tornam uma ótima companhia pois vocês terão as mesmas questões e a troca de experiência será super válida. Esse investimento também se aplica ao seu contexto profissional. Muitas vezes para as mulheres, o divórcio também significa uma quebra financeira e você precisará trabalhar mais ou começar a trabalhar. Não tenha medo, arregace as mangas e vá atrás disso. Eu nunca estive tão produtiva como no meu momento atual. Trabalho como professora, um projeto meu foi aceito em um congresso de tecnologia na Califórnia e lá fui eu apresentá-lo e hoje tenho meu blog no qual compartilho muito do que vivi e aprendi com outras pessoas que estejam passando por isso. Produtividade nos preenche e nos deixa feliz… a autoestima melhora rapidinho se você estiver ocupada e feliz. Fazia tempo que não me sentia tão bem, mesmo com os brancos que teimam em aparecer e o corpo que já não é o mesmo de anos atrás…

 

4- Tenha uma rede de apoio.

Ser separada com filhos implica em MUITO cansaço. Eu durmo mal, muitas vezes Tom dorme tarde ou acorda no meio da noite, fatos que impactam  meu sono. Acordo muito cedo e trabalho muito; resultado: estou sempre o pó. Por isso, aprendi a pedir ajuda até porque tive problemas sérios de saúde resultado de stress, cansaço…cheguei no meu limite realmente. Por isso, te falo que uma rede de apoio é tudo nessa vida para mães e pais separados. Babás, mães, avós, tias e tios, amigos; todos entram na dança. Eu só consigo fazer tudo que faço graças a minha rede de apoio. Família então é mais que uma rede de apoio, foi e é minha rede de segurança daquelas enormes e bem resistentes que os bombeiros usam quando alguém está tentando se jogar do décimo andar. Com eles dividi muito choro, muitos medos, muitas fraldas sujas do Tom e hoje felizmente já divido sorrisos, gargalhadas e novas conquistas.

 

5- Cuide da sua saúde.

Stress, frustração, muito trabalho, preocupações mil e cuidar de uma criança; não se surpreenda se seu corpo e mente pifarem. Eu demorei muito para aceitar minhas limitações. Cansaço extremo e cabeça cheia impactaram primeiramente o sono. Crises de insônia viraram rotina. Tempos depois, fui surpreendida por crises de ansiedade noturnas. Formigamento, falta de ar, sensação de estar passando mal, medo de morrer. Exames feitos e felizmente nada clínico foi encontrado, mas as crises de ansiedade eram oficiais. Meu médico foi claro comigo: “Tarsila, chega. Você chegou no seu limite.” Hoje me forço a desacelerar e ainda me apavoro ao lembrar das crises. Não faça como eu. Se trate com mais carinho e atenção e ao primeiro sinal peça ajuda de profissionais.

 

6- Vai doer e não tem muito jeito!

Muitos episódios te causarão dor. Dividir filhos é algo que dói a alma. Me dói até hoje. Você terá que passar datas importantes como Natal, Páscoa longe deles e vai doer. Momentos vividos por eles e que você não estará, viagens para lugares que você gostava e que você não irá mais, tudo isso e outras coisas vão doer, mas você vai sobreviver. Uma historinha pessoal: passei o primeiro Natal e Páscoa com o Tom ainda bebê e eu chorava escondido da família despedaçada por dentro. Quando me pego triste ainda hoje, volto ao tempo e me transporto para aquela dor. Então, atualmente, mesmo se estiver longe dele fisicamente, estou com o coração tranquilo, feliz e preparada para alegrar e cuidar dele quando ele chegar. Às vezes temos que escolher as dores que queremos viver. Ficar longe deles muitas vezes será a dor menos pior com você mesma. Parece cruel, né? Mas é verdade e todos nós temos feridas e cicatrizes para carregar. Viver também é sofrer e esse sofrimento faz parte das nossas jornadas por aqui. Importante é não alimentar as dores e encontrar meios para aliviá-las.

 

7- Aceitação.  

Demorei muito para aceitar o porque de ter vivido isso da forma que vivi. Sou uma pessoa bacana, honesta, correta…bla-bla-bla…. Pois é! Coisas aparentemente ruins acontecem com gente legal sim e creio eu que não seja à toa. Pessoas bacanas tem recursos para passar por isso e evoluir, pessoas bacanas podem transformar dores em algo muito maior, pessoas bacanas podem estar em enredos errados com personagens errados ao redor… pessoas bacanas merecem o melhor. Analise sua história e tenho certeza de que a aceitação virá de forma mais fácil.

 

8- Namore e recomece.

Por fim, o melhor tópico rs! Cada um tem seu tempo e necessidade. Fiquei um bom tempo sozinha e foi ótimo. Ter filho pequeno nos cansa muito e eu só queria dormir, ver netflix e ficar em casa por um longo período. Até que um dia um cara muito especial chegou e me surpreendeu duplamente como mulher e em relação ao meu filho. Eu não acreditava que alguém, especialmente sem filhos, pudesse querer algo com uma mulher com filho pequeno, achava uma loucura!! Felizmente estava errada e meu namorado veio me mostrar que o amor quando é real aceita, compartilha, agrega e tudo isso faz a história ficar ainda mais bonita e ainda mais especial. Sempre escutei amigas dizendo que o amor do pai pelo filho deixa a mãe/mulher ainda mais apaixonada. Hoje falo que ver uma pessoa sem ligação sanguínea tendo uma relação de amor com seu filho é uma das coisas mais lindas e incríveis que já vivi. Caso você não queira namorar, não namore! Caso você queira sair sem compromisso, saia! Você já tem uma carga muito pesada que é criar filhos de alguma maneira “solo”, faça o que você quiser e te deixar feliz! Meu único pedido é: se faça feliz! Se cuide, se alimente de coisas boas e faça do divórcio somente um capítulo da sua vida para uma nova fase de crescimento e conquistas. Não o deixe ser o protagonista da tua vida. Será uma percurso meio das trevas, mas acredite que há um jardim lindo lá do outro lado. Vá atrás dele e recomece.

 

Notas para os casados:

Sigo acreditando no amor e no casamento. Conheço alguns casais sadios e felizes; eles existem. Trabalhe seu casamento; lute para ser feliz ali. Lute antes de se cansar a ponto de desistir, lute antes do buraco ficar enorme e uma terceira pessoa entrar. Lute pela história de vocês e comuniquem-se. A falta de comunicação afunda histórias e também é uma tremenda falta de lealdade. Se está tudo péssimo, a outra pessoa é a primeira que deve saber. Seja honesto e respeite minimamente aquele que dorme ao seu lado e que você escolheu para tal especialmente se ele for o pai ou a mãe do seu filho.

 

Um beijo com carinho para todas vocês e um maior ainda para você que está vivendo a separação,

Tarsila Cimino

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Instagram: @meutommaternal

Site: www.meutommaternal.com.br/

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