A tal da “paternidade ativa” – por Pedro Fonseca

De Mãe para Mãe09/08/15 By: Renata Pires
(2) Comentários

 

Olá!

Para comemorar esta data tão especial, o Dia dos Pais, nós convidamos para escrever este post o Pedrinho Fonseca, pai de João, Irene e Teresa. Ele escreve para seus filhos (maravilhosamente bem) no blog “Do Seu Pai” que, para quem não conhece, é incrível e vale muito a leitura!

Espero que gostem e compartilhem com os papais, os homenageados do dia!

Mil Bjss

 

A tal da paternidade ativa - Just Real Moms

 

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Filhos,

Sempre que me deparo com a expressão paternidade ativa sinto um frio no meu cromossomo Y. Porque me parece inaceitável que em pleno 2015 algum ser humano ainda recuse a ideia de estar presente na vida das suas filhas ou filhos. Sei que para vocês, quando lerem essa carta no futuro, vai soar um tanto estranho, mas é que às vezes um texto salta na minha tela com pessoas exaltando pais que trocam fraldas, que dão colo, que contam histórias antes de dormir, que usam sling, que saem sozinhos para passear com os filhos (principalmente quando se está assim no texto, no plural, ou seja: quando há mais de uma filha ou filho na casa – aí colocam os caras quase na posição de heróis). E quando é uma tarefa como preparar o jantar? Aí a questão fica mais feia ainda, porque parece coisa de outro mundo que seja o pai na cozinha. E ainda há uma repetição que me incomoda um bocado. Um certo senso comum, nas narrativas dessas histórias, que a mãe está sempre mais sobrecarregada e o pai (quando exerce a tal, desculpem, paternidade ativa) alivia esse peso – vejam: mãe sobrecarregada, pai salva-vidas (mulheres e homens, nas suas mais velhas posições sociais). São os famosos textos papai-e-mamãe. Quem os escreve demonstra nunca ter visto um casal de mulheres, com filhas e filhos. Ou um casal de homens. Ou casais separados que tenham nutrido o respeito suficiente para entender que a vida segue nas relações seguintes e, assim, misturam os frutos do primeiro casamento com o seguinte (e com o seguinte) porque afinal de contas os pequenos envolvidos são todos irmãos. Ou pessoas que vivem em comunidade e os filhos são educados (e amados, sobretudo) por todos. Mulheres e/ou homens que adotaram um bebê. Espera. De que pai estão falando? E em que século ele vive? Paternidade ativa, para mim, é apenas uma redundância. Um desleixo gramatical e preguiça na observação do mundo. Paternidade sempre é ativa. Quando não é ativa, não é paternidade. É ausência. E quando há ausência em relação ao outro, é desumano. Nesse Dia dos Pais, adorei o convite (e a provocação) de pensar no que, para mim, é ser pai. Ser pai, para mim, é ser humano. E só.

Do seu pai,

Pedro.

 

A tal da paternidade ativa - Just Real Moms

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Todas as imagens são de autoria de Pedrinho Fonseca (IG: @pedrinhofonseca)

 

2 Comentários:A tal da “paternidade ativa” – por Pedro Fonseca
  1. mara

    Show! Você deve ser um pai incrível . Parabéns e que Deus o abençoe sempre.

  2. Rúbia

    Perfeito!

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