Os traumas dentários é uma situação comum entre crianças e adolescentes, e pode acontecer de forma leve, com pequenas fraturas no esmalte, até casos mais graves, como a perda completa do dente.

Olá, mamães e papais! Os traumas dentários são muito frequentes na fase pré-escolar, quando a curiosidade e a vontade de explorar são grandes, mas a coordenação motora ainda está em desenvolvimento. Acidentes acontecem, e é essencial estar preparado para agir corretamente. É sobre isso que a Dra. Lígia Coutinho vai abordar hoje!
O traumatismo dentário é uma ocorrência muito frequente em crianças e adolescentes e podem variar desde simples fraturas em esmalte, até a perda definitiva do elemento dentário.
As lesões traumáticas na dentição decídua tendem a ocorrer, geralmente, na idade pré-escolar. É uma fase da criança onde ela quer explorar ambientes, está curiosa e, por não possuir coordenação suficiente para evitar quedas e promover a autoproteção, a ocorrência de traumas é alta.
A criança caiu e bateu a boca. E agora?
Muitas vezes, dependendo do acidente, o primeiro atendimento ocorre em prontos-socorros, clínicas médicas e postos de saúde, o que nem sempre é eficaz para tratar um trauma. O ideal é que o primeiro atendimento seja realizado de forma imediata por um dentista e, no caso de crianças ou adolescentes, um odontopediatra.
É imprescindível que nesse atendimento seja realizado um exame clínico e radiográfico do paciente para determinar o diagnóstico inicial, a gravidade da lesão e o plano de tratamento. O sucesso do tratamento está diretamente relacionado com a rapidez e eficiência dos primeiros socorros.
Quando ocorre uma lesão na dentição decídua, os pais devem ser informados sobre possíveis complicações na polpa do dente e alteração de cor da coroa. Também é fundamental pontuar que o deslocamento do dente decíduo pode resultar em várias complicações graves nos dentes permanentes.
O acompanhamento periódico desses problemas é essencial para o diagnóstico de complicações subsequentes ao trauma, tanto na dentição decídua, como possíveis sequelas na dentição permanente.
Os tipos de traumas dentários
Conhecer os tipos de traumas e as características auxilia no encaminhamento e orientação que deve ser dada aos pais da criança traumatizada.
#1 Concussão dentária
Na CONCUSSÃO há lesão de tecidos de suporte, sem perda ou deslocamento do elemento dental. Não há nenhum tipo de alteração anatômica imediata, porém há sensibilidade dolorosa, que geralmente, desaparece após algumas horas.
É recomendado ao paciente optar por alimentos mais macios, e/ou uso de analgésicos para dor.
#2 Luxações
Existem 3 tipos principais de luxações:
– Extrusiva: o elemento dental se desloca parcialmente no sentido axial do alvéolo dental. Presença de sangramento e aparência do dente alongada.
– Lateral: o deslocamento do elemento dental é de lateralização, irregular e pode ser acompanhada por fratura ou esmagamento do osso alveolar.
– Intrusiva: deslocamento do elemento dental em relação ao osso do processo alveolar. Clinicamente, a coroa se apresenta encurtada e existe sangramento gengival.
Nesses tipos de traumatismos dentários é necessário o reposicionamento do elemento em questão. Muitas vezes o problema é resolvido por meio de contenção semirrígida, porém, há casos onde é necessária a realização de um tratamento endodôntico.
#3 Sub luxação dentária
A sub luxação é considerada um dos traumatismos dentários de intensidade moderada. A lesão acomete os tecidos de suporte, com presença de hemorragia gengival. O dente passa a apresentar mobilidade, podendo haver sangramento e alterações na sensibilidade ao toque.
Não há motivos para desespero. Em casos mais graves, pode ser necessária a contenção. De maneira geral, é indicada a manutenção de uma dieta majoritariamente líquida para evitar complicações.
#4 Avulsão
É a perda total do elemento dental. Clinicamente, o alvéolo dental fica vazio ou preenchido com coágulo sanguíneo. Em caso de perda total do dente, o atendimento deve ser realizado de forma imediata. Recomenda-se guardar o elemento em leite gelado ou soro fisiológico para melhor conservação.
A não conservação do dente ou a demora na reimplantação podem levar à perda permanente.
#5 Fratura em esmalte
É uma fratura bastante comum, com perda parcial de esmalte ou de esmalte e dentina danificada.
Assim como na avulsão, o elemento fraturado deve ser armazenado em soro fisiológico para colagem (técnica de baixo custo e de resultados estéticos satisfatórios), o mais precocemente possível. Também pode ser feita a restauração convencional.
#6 Fratura radicular
A lesão radicular afeta a dentina, o cemento e a polpa do dente, com presença de mobilidade dental.
Na grande maioria dos casos o reposicionamento do dente e o uso de contenção são suficientes.
#7 Fratura alveolar
Fratura envolvendo a parede óssea do alvéolo, impactando ou não o elemento dental, e geralmente envolve a parede óssea do alvéolo.
O tratamento é muito importante e vai desde o reposicionamento do fragmento alterado e contenção rígida ou semirrígida. O acompanhamento especializado é indispensável.
Prevenção de traumas dentários
Não é tão fácil prevenir traumas na na dentição decídua, mas algumas medidas podem ser adotadas para evitar, tais como: cuidado com locais com muitos móveis e quinas, evitar que as crianças andem de meias que não contenham antiderrapante, EVITAR uso de andadores, não deixar as crianças muito pequenas sozinhas, principalmente em lugares altos, como escadas e usar sapatos presos ao pé.
No carro as crianças devem usar as cadeiras apropriadas de cada faixa etária.
E lembre-se: em caso de traumas, mesmo sem lesão aparente, procure um Odontopediatra.
E ainda, se gostou desse post, aproveite para ler: “ O Nascimento dos Primeiros Dentes – Porque e como o Odontopediatra é essencial” e “Odontopediatra: Quando devo fazer a primeira consulta?“.
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SOBRE DRA. LIGIA COUTINHO (CRO 105.086)Instagram: @ClinicaCoutinho
Formada em Odontologia pela Universidade de São Paulo – USP e Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares pela Associação Paulista de Cirurgiões- Dentistas.
A Ortopedia Funcional é a área da Odontologia que trata as alterações das mordidas das crianças em tenra idade e enxerga a criança como um ser total, tendo um olhar diferenciado para as funções que a boca realiza.
A INFORMAÇÃO DISPONÍVEL NESTE SITE NÃO SUBSTITUI O PARECER DE UM MÉDICO PROFISSIONAL. SEMPRE CONSULTE O SEU MÉDICO SOBRE QUALQUER ASSUNTO RELATIVO À SUA SAÚDE, À SAÚDE DOS SEUS FILHOS E FAMILIARES E AOS SEUS TRATAMENTOS E MEDICAMENTOS.