Seu filho já ralou o joelho hoje?

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Educação - Saúde da Criança18/09/19 By: Renata Pires
(1) Comentários

 

Olá!

Esses dias recebi um texto que achei muito interessante e pertinente de compartilhar com vocês. Ele relata a importância do “brincar”, uma atividade que está cada vez mais reduzida nos dias atuais.

O artigo foi escrito pelo site Mapa da Infância Brasileira e alguns especialistas e pesquisadores colocam seus pontos de vista com relação ao assunto.

Vale a pena ler!

 

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A importância do brincar - Just Real Moms

 

Num país onde mais de 30 milhões de pessoas saíram da miséria na última década, crescem as preocupações com alimentação, moradia, saúde e educação infantil. Em todas as classes sociais, os pequenos ganharam melhores condições de vida. Mas o Brasil parece estar deixando de lado outro direito fundamental dos pequenos, previsto no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da ONU – o de brincar.

E preocupados com o fato de que as crianças brasileiras, cada vez mais, brincam menos, especialistas fazem um alerta: o ato de brincar na rua é fundamental para a formação de valores. Uma infância sem brincadeiras livres, longe das telas de gadgets, videogames e celulares, pode reduzir as fases do desenvolvimento, produzir adultos precoces e, mais tarde, emocionalmente instáveis, que se comportam como crianças.

“Não ir à rua ralar o joelho, subir em árvore, passear em carrinhos de rolimã e outras brincadeiras livres faz uma grande falta no processo de socialização. A criança acaba não desenvolvendo o juízo moral, que ocorre naturalmente quando se organizam sozinhas em jogos ao ar livre, como esconde-esconde, pique e brincadeiras com bola”, opina Rosália Duarte, pesquisadora do Departamento de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. “Existe o risco de estarmos criando uma geração de adultos mais egocêntricos, individualistas, com menor capacidade de trabalhar em equipe e personalidades morais menos sólidas e flexíveis”.

O desenvolvimento e os desafios sociais e econômicos trouxeram obstáculos ao ato de brincar nas grandes cidades, mais verticalizadas e violentas, sem tantos espaços públicos capazes de tornarem-se palco para brincadeiras. Pais e mãe enfrentam, ainda, uma carga maior de trabalho e precisam deixar os filhos ocupados e em lugar seguro.

A infância é passada por muitos entre muros. Além da escola, pequenos acabam cheios de atividades desde cedo, como aulas de balé, inglês e futebol. Se falta tempo para atividades lúdicas e ócio criativo, sobra excesso de informação. E problemas futuros, aponta a coordenadora de comunicação da organização não governamental IPA Brasil, Renata Proetti.

“A própria urbanização e a violência excessiva fazem com que os pais sintam a necessidade de proteger os filhos. Faltam espaços urbanos para as brincadeiras. E mesmo aquelas crianças que crescem em condomínios fechados perdem o direito de se aventurar na rua, que é onde a criança pode ter experiências lúdicas, aprender e testar limites. Crianças precisam cair, se ralar, se machucar. Mas, em vez disso, estão presas a um conteúdo didático carregado, onde os pais apostam no futuro promissor para os filhos a longo prazo. Eles viram pequenos adultos com rotina digna de altos executivos”, observa Renata.

 

A importância do brincar - Just Real Moms

 

Risco para a saúde

Criada no Reino Unido em 1961, a IPA (sigla em inglês para Associação Internacional para o Brincar) tenta capacitar pais, mães, voluntários e educadores para resgatar a importância das brincadeiras livres num mundo cada vez mais globalizado. Presente em mais de 50 países, a organização se preocupa com os efeitos sociais, psíquicos, cognitivos e de saúde da nova geração que cresce entre quatro paredes.

“Um efeito imediato que observamos nas crianças que não brincam livremente é físico. Essa criança se torna mais sedentária, se mexe pouco e desenvolve doenças precocemente, como obesidade, colesterol alto, estresse e ansiedade. Há ainda a erotização precoce, o amadurecimento precoce e o mergulho no consumismo. A longo prazo, os efeitos são mais preocupantes. A não socialização e não troca com o outro dificulta o desenvolvimento da empatia, da capacidade de se colocar no lugar do outro. Como a criança vai aprender isso sozinha, na tela de um computador?”, indaga Renata.

Para os pais, a saída é buscar o equilíbrio. Desde os 8 anos de idade, Carolina tem uma rotina tão ocupada quanto a de um adulto. Acorda às 5h30, vai para a escola, tem aulas de balé todos os dias e três vezes por semana pratica tênis de mesa. Hoje, aos 14, estuda muito para concluir o ensino fundamental e, quando chega em casa, está esgotada. Às vezes, conta a mãe dela, Alessandra Pereira, a menina sequer troca a roupa: desmaia de cansaço na cama e sonha com tempo livre nas férias. E Alessandra já faz planos de encaixar, no próximo ano, aulas de inglês na apertada agenda da filha.

“Ainda não sei com que tempo! Mas não me preocupo. O desgaste dela é físico, nunca psicológico. Ela foi uma criança normal e é uma pré-adolescente feliz. Gosta muito do que faz e tem excelentes notas na escola, como combinamos, para que todas as atividades pudessem ser mantidas. A interação com as colegas do balé, a atividade física, a disciplina que a dança exige não causam problemas. Ela convive com outras crianças”, conta a mãe.

 

A importância do brincar - Just Real Moms

 

Computador devem ser dosados

Tantas atividades, avalia a professora Rosália Duarte, sugerem que as crianças estão sendo mais bem tratadas e têm mais oportunidades. Mas é preciso ficar atento para a relação cada vez mais estreita dos pequenos com a tecnologia, de modo a impedir o isolamento e permitir a socialização.

Os pais não devem ceder à dependência de brinquedos e produtos tecnológicos que acabam comprando para os filhos pelo marketing – e não pela consciência de que são, de fato, adequados ao desenvolvimento infantil. Smartphones, videogames e computadores, diz a especialista, devem ser aliados da educação, não responsáveis por ela.

“O grande risco é a brincadeira individualizada na frente da tela. É o mesmo debate surgido quando a TV invadiu 98% dos lares no Brasil, foi preciso dosar para que as crianças não passassem o dia em frente à tela. A solução é estabelecer limites para o uso das máquinas. Não há uma fórmula exata, de permitir uma ou duas horas por dia. Vale o bom senso. Se a criança precisa fazer o dever de casa no computador, ela pode terminar no tempo dela e, depois, usar a máquina para se divertir um pouco”, afirma Rosália.

E completa:

“Esse tempo depende do que a criança estiver fazendo. A chave é diversificar as atividades. Ela precisa usar a máquina, fazer o dever, brincar com os irmãos e amiguinhos, ligar para os avós ou fazer outras atividades. Ela precisa se socializar.”

 

A importância do brincar - Just Real Moms

 

Fonte: Mapa da Infância Brasileira

 

 

 

 

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1 Comentário:Seu filho já ralou o joelho hoje?
  1. Avatar
    Bruna Oliveira

    Por aqui eles tem joelhos ralados quase todos os dias no verão! No inverno só tem roxos, pois não tem como se ralar na neve né? hahaha
    Temos uma única regra aqui em casa e então somos bem “fortes” em fazer ela funcionar: televisão apenas meia hora por dia. Eles ainda são pequenos (9, 7, 4, 2 e 1) e conseguimos fazer o computador não fazer parte da vida deles, por enquanto só usam com a mamãe e/ou papai para procurar coisa da escola! A mais velha é a única que tem celular e temos uma super regra com ele também: só usa quando sai de casa (seja na casa de amigas ou na escola) e se fosse pega usando durante a aula ou as notas caíssem após ganhar o celular, ficaria sem.
    Como temos bastante crianças (eu tenho 5, minha irmã 4 e minha amiga/vizinha 4) conseguimos fazer todos brincarem juntos e fora de casa quase todos os dias em uma boa parte do ano (no inverno ou época em que ainda está muito frio, eles brincam todos juntos dentro de casa) após a escola, que por aqui termina as 14h/15h.
    Meu marido odeia que a minha meta de vida é deixar as crianças ao máximo longe das tecnologias, ele é bem nerd e ama videogame e todas essas tecnologias! hahaha Estou liberando bem mais os dois mais velhos em relação a videogame pois eles estão tendo um tempo com o pai!! E eles vão ter a vida toda para usar tecnologia, agora não vão ter a vida toda para fazer memórias de infância né? As minhas melhores memórias são brincando com minhas irmãs e primas e quero que meus filhos tenham isso, então sou super neurótica em relação a isso, mas confesso que com comida sou um pouco mais. hahahaha
    Beijos, Bruna.

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