Segura eu? Ele sim, com certeza! – por Ana Castelo Branco

De Mãe para Mãe - Somos todas iguais31/10/18 By: Ana Lú Gerodetti
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Oie, meninas!

Tudo bem?

O post de hoje traz o texto da nossa querida colunista e redatora publicitária, Ana Castelo Branco. Ela, que é mamãe do Matheus e da Helena, já falou aqui sobre datas e aprendizados, recomeços, frutas e fraldas, e agora vem mais uma vez nos encantar com as suas palavras divertidas e reais!

Em seu novo texto, a Ana falou um pouco sobre pequenos momentos que lhe trazem uma imensa gratidão e satisfação.

Boa leitura, meninas!

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Segura eu? Ele sim, com certeza! – por Ana Castelo Branco

Segura eu? Ele sim, com certeza! - por Ana Castelo Branco

 

Uma das frases motivacionais que você mais escuta depois de ter um filho com alguma deficiência é que você vai aprender a valorizar as pequenas conquistas como nunca.

E, posso falar? É claro que sempre acreditei e entendi essa afirmação. Mas dei muita sorte. O primeiro ano do Mateus foi muito próximo ao desenvolvimento de qualquer outra criança. Demorou um pouco mais para sentar, mas nada demais. A avalanche de dificuldades que imaginei logo após o parto não veio.

Aliás, sempre digo que, para mim, na nossa história, este primeiro ano foi bem gentil. Praticamente um estágio nessa história toda de atrasos e preocupações.

Com o tempo, os aprendizados começaram a se afastar mais do calendário das outras crianças. E, a cada ano, se afastam um pouco mais. Não estou aqui para disfarçar o que é a real. Dificuldades? Check. Elas aumentam com o tempo? Check.

Mas seguimos. Aprendendo, repetindo, às vezes cobrando, às vezes relaxando. Porque, na boa, não vou ficar 100%, e nem mesmo 80% do tempo, cobrando meu filho para ser como eu ou como qualquer outra pessoa espera que ele seja. Só que também sei que o desenvolvimento dele depende de um certo empenho. Dele próprio e, principalmente, de todos nós em volta.

Esta introdução é para contar uma cena tão pequena e tão grande que vi esta semana. Uma dessas conquistinhas que, se você estiver meio distraída, nem repara.

No dia 24 de setembro, aniversário do Mateus, meu marido deu, de presente para ele, uma cama elástica gigante. GI-GAN-TE. Do tamanho da vontade que fiquei de esganá-lo. Ocupou nosso micro quintal IN-TEI-RO.

Óbvio que o pequeno amou.

Primeira surpresa boa: o Ma é muito físico. Adora escalar, subir, cair, rolar, se jogar. Ama uma cama elástica. Só por isso, já fiquei com um medinho. Temi que ele viciasse naquilo. Sim, quem tem um filho com síndrome de down sabe bem que nossas crianças tem uma tendência à repetição. A fazer, sem nunca mais parar, aquilo que gosta. E eu trabalho o dia todo. Então, também fiquei com medo que aquilo fosse muito cômodo para manter meu filho entretido o dia todo sem dar trabalho. Mas não. Já percebi que está tudo sob controle. A cama elástica não ganhou uma função hipnótica parecida com a da TV ou de um Ipad descontrolado sob os pés da criança. Pula-pula devidamente usado com moderação: check.

Segunda surpresa. Outro dia, tirei um day-off para ficar com as crianças. Eu estava dando uma afastadinha disfarçada para ir ao banheiro quando vi o Ma entrando na cama elástica. Xixi cancelado: check.

Vi ele começar a pular e reparei que o zíper estava aberto. Não sei se você tem o desenho de uma cama elástica na cabeça. Mas ela tem uma rede em volta e uma abertura para entrada e saída que é fechada por zíper.

O que eu vi?

Meu filho entrar, dar dois pulos, parar pensativo, tirar os sapatos e as meias e colocar bem ao lado. Por fora. Repito: por fora. Todo organizado na brincadeira.

Como se isso já não bastasse, antes de voltar a pular, ele fechou o zíper da rede, garantindo sua segurança. E, como qualquer criança, ele entrou e saiu da cama elástica inúmeras vezes. Sempre abrindo o zíper para brincar e fechando para se proteger. Em algumas vezes, esqueceu do segundo passo. Mas deu só um ou dois pulos e voltou para fechar aquela abertura perigosa.

Hoje, tenho certeza que esta era uma das pequenas conquistas que sempre me falaram. Não é sobre o sentar, não é sobre o andar e nem sobre o falar. Não é nenhum daqueles grandes marcos em que prestamos atenção o tempo todo e precisamos nos controlar para não andar por aí com uma tabela na mão dando checks.

É sobre percebê-lo capaz de, mesmo aos poucos, aprender a cuidar de si mesmo.

Um grande, big, master check.

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