DE MÃE PARA MÃE

O lindo depoimento de uma mãe que perdeu seu filho com 4 dias!

Por: 

 

Oi, moms,

Tudo bem?

Na semana passada recebemos um email lindo da Flavia Camargo com um depoimento sobre sua experiência de ter perdido seu amado filho com apenas 4 dias de vida. Depois disso, ela escreveu um livro chamado “Quatro letras”.

Resolvemos dividir com vocês esse texto aqui no blog para tentar acalmar o coração das mamães que já passaram ou estão passando por esse terrível momento de dor.

 

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QUATRO LETRAS é um livro escrito por uma mãe que viveu o desafio de se despedir do filho logo após seu nascimento. Sentindo a maternidade como uma dádiva, ela optou por identificar quais eram os benefícios que tinha alcançado com essa adversidade, para poder pensar nele sempre com gratidão.

Flavia Camargo tem 33 anos, é mãe do Igor, que faleceu com quatro dias de vida. Ela é advogada e autora do livro “Quatro Letras”, no qual conta como conseguiu reencontrar a felicidade.

 

“Em 2012 comecei a planejar minha futura gestação e mergulhei nos livros e blogs sobre o assunto, pois queria me tornar uma boa mãe. Logo no início das tentativas, em 2014, engravidei. Tudo transcorria sem problemas. Meus exames estavam ótimos. Mas fui surpreendida na 33ª semana e o que estava perfeito se transformou no extremo oposto.

No dia 7 de janeiro de 2015, preocupada com o fato de o bebê estar quieto, dei entrada no hospital para fazer uma ultrassonografia. Quando passei pela triagem, minha pressão estava 13×8 e quarenta minutos depois pulou para 24×17. Nesse pequeno intervalo, senti uma dor abdominal muito forte e tive uma hemorragia no fígado. O Igor precisou nascer imediatamente – com 7 meses e meio – pesando 1,4 kg e medindo 40 centímetros. Os sintomas foram causados pela Síndrome Hellp – uma doença rara, que se desenvolveu silenciosamente e se agravou muito rápido.

O meu maior desejo era estar perto do meu filho naquela hora em que ele lutava para sobreviver, mas não podia ajudá-lo, pois também precisava lutar pela minha vida. Não cheguei a conhecer o Igor porque ele foi levado para a UTI Neonatal, enquanto eu estava na UTI materna. Meu marido trazia fotos e vídeos que fazia dele quando o visitava na incubadora. No quarto dia, chegou a notícia de que o nosso bebê tinha nos deixado.

Durante a licença-maternidade não pude amamentar, nem levar o meu bebê para passear. Foi um período em que eu precisei cuidar de mim, cultivando alguns valores que me permitissem passar por essa experiência tão difícil com valentia e desprendimento. Enquanto realizava esse trabalho de me aperfeiçoar, a fim de suportar a falta de um ser tão amado, escrevi um livro, no qual eu narro que passei a ser feliz novamente quando percebi que meu filho me tornou um ser humano mais forte e possuidor de muitas virtudes, que não tinha desenvolvido antes da sua existência. Com a morte do Igor, eu e meu marido descobrimos que ser mãe e pai é maravilhoso, independente de quanto tempo essa experiência dure. Ele nos fez conhecer um amor incondicional, que não precisa ser retribuído para permanecer pulsando. Perceber que as perdas também provocam ganhos é uma lição que podemos tirar até mesmo das situações mais duras da vida, assim, elas se tornam leves.

A escolha do título do livro foi devido ao fato de todos os capítulos serem palavras de quatro letras, para combinar com o nome do meu filho. Assim, os capítulos do livro são: Igor, Laço, Vida, Amor, Luta, Tudo, Cura, Deus, Riso e Belo.

Meu livro está sendo vendido pela Bookstart, que não é uma editora, mas um site de financiamento coletivo. Por isso, trata-se de um procedimento diferente. Não haverá lançamento com noite de autógrafos. O livro só pode ser comprado pela internet, não irá para as livrarias. A campanha começou algumas semanas atrás e está sendo um sucesso. Nos primeiros dez dias, foi atingida a meta mínima de número de vendas para o livro poder ser publicado. Mas, apesar de já termos alcançado o valor necessário para a publicação, o livro continua sendo vendido por mais algumas semanas.

As pessoas interessadas podem acessar o link www.bookstart.com.br/quatroletras onde estão disponíveis algumas opções de pacote. O prazo para participar da campanha e comprar o livro é entre 13/11/15 e 12/01/16. Depois dessa data, os leitores receberão o livro diretamente em suas casas pelo correio.

Como mensagem final, gostaria de dizer que aprender a amar a si mesmo como se amava o filho que partiu é um caminho viável para quem deseja ser feliz novamente. A alegria que um filho nos proporciona ao nos dar a oportunidade de criar uma nova vida pode ser reencontrada ao nos tornarmos nossos próprios criadores. A morte de um filho nos leva a reformular conceitos, refazer a identidade e, enfim, a nos reinventarmos. O carinho empregado na construção desse nosso novo “eu” tem o potencial de gerar uma felicidade incomparável, quando percebemos que nosso filho nos transformou em uma pessoa melhor.”

 

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As fotos foram tiradas pelo fotografo Igor Alecsander.

 

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    Respostas de 3

    1. Emocionada… Emocionante…
      Com lágrimas nos olhos, consigo mensurar tudo isto que vc viveu…
      Vivi duas situações mto fortes, que se assemelham mto: a primeira, em 2009, entregamos novamente a Deus, a minha sobrinha-afilhada, com 14 dias de nascida… Com um forte descolamento de placenta, minha cunhada deu entrada na urgência do hospital, e a Malu nasceu de 33 semanas, pesando quase 2k. Nasceu relativamente forte pelo tempo da gestação… Precisou ir para a UTI Neo Natal, e lá, a cada dia, evoluía… Entubada, mais com uma garra e força enormes… Linda, loirinha de olhos azuis da cor do céu…
      No 14º dia, após algumas horas de retirada do tubo, ela se entregou… E se foi…
      Depois, em 2013, realizei o meu maior sonho de engravidar… Nasci para ser mãe, é um dos meu maiores desejos… E com 2 meses de gestação, meu bebê simplesmente, parou de viver… Quietinho, voltou aos braços do Pai…Sei que o amor que construi ao gerar esta vida durante 2 meses, é uma amostra do amor de mãe… Incondicionalmente eu amei este ser tão pequenininho de uma forma tão intensa, que me ensinou tanta coisa… É amor acima de nós mesmos…
      Lindo o seu depoimento! Ele há de ajudar muitas outras mulheres a recomeçarem!

    2. Obrigada, Juliana. Sinto muito por seu bebe e sua sobrinha. Com certeza sao espiritos que continuam sua caminhada e com os quais ainda vamos nos reencontrar. Um forte abraco!

    3. estou emocionada aqui…estou com 22 semanas, vou ter um príncipe, o João Miguel. E ler seu relato me deixou super emocionada, agradeço a Deus todos os dias pela vidinha que carrego aqui dentro. toda vez que sinto ele mexer é como se uma luz acendesse em mim. Deus te der forças e que você consiga ter uma linda criança. bjos forças para todas mamães!

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