Timidez na infância – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Psicologia19/03/18 By: Carla Poppa
(0) Comentários

Olá, moms!

Tudo bem?

É super comum vermos crianças se esconderem atrás das mães, não quererem cumprimentar convidados ou alguma outra atitude que indique timidez, mas você sabe por que isso acontece?

No post de hoje, a nossa querida colunista e psicóloga, Carla Poppa, vai falar um pouco sobre esse assunto que merece atenção especial. Confiram!

________________________________________________________________________________

 

Timidez na infância - por Carla Poppa

 

Todas as crianças e mesmo os adultos sentem vergonha em algumas situações. É normal que as crianças se sintam constrangidas quando são repreendidas ou quando estão em uma situação de exposição, mas na maioria dos casos, quando a situação muda, a vergonha passa e elas voltam a agir com espontaneidade. Porém, algumas crianças parecem que permanecem envergonhadas mesmo em um contexto já familiar, como na escola que frequentam há bastante tempo, por exemplo. Ficam isoladas durante a aula e têm dificuldade de se relacionar com as outras crianças, ou de fazer perguntas para a professora.  Essas crianças, que estão constantemente envergonhadas, sofrem com o que chamamos de timidez.

O comportamento retraído da criança tímida é acompanhado, na maioria das vezes, por uma autocrítica muito severa, que faz com que essas crianças se percebam inadequadas e diferente das outras pessoas. É como se elas tivessem um censor interno que as observa e que esta sempre pronto para criticar seus gestos e falas. Então, além de comprometer o desenvolvimento da criança, já que suas interações ficam limitadas, a timidez provoca um sofrimento muito grande.

Para ajudar a criança a se libertar desse crítico que existe dentro dela e com isso resgatar sua espontaneidade, pensei em explicar como a falta de respostas empáticas ou a agressividade na hora  de colocar limites podem estar relacionadas com a timidez da criança e de que maneira é possível ajuda-la a restaurar sua espontaneidade:

A criança pode ter assimilado a informação de que ela é inadequada pela falta de respostas empáticas as suas emoções.

Quando uma criança esta triste e pede a atenção dos seus pais com a expectativa de ser consolada, ou quando esta irritada e os procura para desabafar, por exemplo, e os pais não conseguem sintonizar com a sua emoção (podem censurar a raiva que ela esta sentindo, ou estão ocupados e não conseguem prestar atenção na história que a criança esta contando), a criança raramente pensa que foram os pais que não conseguiram ajuda-la. Na maioria das vezes, as crianças se sentem envergonhadas, se retraem e entendem que foram elas que agiram de maneira inadequada.

Se esses desencontros acontecem de vez em quando, a criança vai entender que viveu uma experiência desagradável e rapidamente a supera. O problema acontece quando essa falta de sintonia nos momentos em que a criança expressa suas emoções se torna recorrente na relação com os pais. Quando isso acontece, a criança passa a carregar consigo a mensagem de que ela é inadequada e a se retrair em todas as suas relações. Nesses casos, exercitar a empatia e a capacidade de se colocar no lugar da criança para se tornar capaz de acolher as suas emoções pode ajudar muito  a criança a retomar sua espontaneidade.

A criança pode sentir medo de se se expressar

Os limites têm diversas funções no desenvolvimento das crianças. Ajudam a criança a entender a diferença entre a vontade dela e dos outros e a se adaptar a essas diferenças quando necessário, por exemplo. Porém, tão importante quanto colocar limites no dia a dia, é cuidar da forma como repreendemos a criança. Isso porque o “não” que a criança ouve faz com que ela necessariamente se retraia, na medida em que entende que fez algo que foi considerado inadequado. Se os pais conseguem explicar o motivo do “não” com tranquilidade, ela logo entende o motivo para o constrangimento que sentiu e a sensação de inadequação passa.

Porém, quando a necessidade de impor limites, não é acompanhada por uma explicação e é feita de forma agressiva, com brigas, ela pode permanecer retraída, e a percepção de que fez algo inadequado permanece com ela. Com o tempo, conforme essas situações se repetem, a percepção pode se transformar em uma crença da criança sobre si mesma. A criança passa a acreditar que é inadequada e, portanto, diferente das outras pessoas.  Nesses casos, cuidar da maneira como os limites são colocados. Ou seja, ter paciência para explicar o motivo do “não” e evitar gritos e brigas pode ajudar bastante a criança a desfazer essa crença sobre si mesma que ela assimilou.

É possível que com essas mudanças, a autocritica e a crença assimilada pela criança diminuam de intensidade. Porém, nem sempre essas mudanças são fáceis de serem feitas sem ajuda, porque podem existir obstáculos para a empatia dos pais que estejam fora do seu campo de consciência. Ou ainda, a  irritação na hora  de confrontar a criança também pode ser provocada por questões que não são facilmente identificadas pela própria pessoa. E, além disso, é possível também que a criança continue tímida mesmo com as mudanças nas suas relações. Nesses casos, a ajuda da psicoterapia é fundamental, tanto para orientar os pais a mudar a maneira de se relacionar com a criança, como para ajudar a criança a comunicar suas experiências e, aos poucos, desfazer a crença que assimilou sobre si mesma e resgatar sua espontaneidade.

________________________________________________________________________________

 

Carla C Poppa é doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, professora do curso de especialização em Gestalt Terapia e de cursos de psicoterapia de crianças no Instituto Sedes Sapientiae.

Atende em seu consultório crianças, adolescentes e adultos, onde também orienta pais em sessões individuais ou em grupo. Para falar com ela escrevam para: [email protected] ou acessem: www.carlapoppa.com.br

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X Leia também:

Vai viajar SEM os filhos? Dicas para as crianças ficarem bem na ausência dos pais!

19/03/18Ver a matéria   >>