Parassonia infantil: seu filho sofre com distúrbios do sono?

Dicas dos especialistas04/06/15 By: Renata Soifer Kraiser
(3) Comentários

 

Olá, moms!

O tema hoje é parassonia infantil!

A nossa colunista, Renata Soifer Kraiser, psicóloga e autora do livro “O sono do meu bebê”, fala dos casos de parassonia infantil, que são o Sonambulismo, os Terrores Noturnos, Pesadelos e Despertar Confusional. Ela explica cada caso e nos orienta a como agir!

Confiram!

 


 

Quando o bebê não dorme bem à noite, a primeira pergunta que nós nos fazemos é: Isso é normal?

Logo várias mães solidárias com a situação se prontificam a responder usando seus filhos como exemplo. Existem aquelas que acham que é normal ficar 2 anos ou mais sem dormir, aquelas que acham que o bebê recém-nascido deveria dormir a noite toda, e por aí vai… Mas, de fato, a insônia tem sempre a mesma causa? Sempre o mesmo tratamento? Qualquer pessoa que leu bastante sobre o tema pode tratá-la?

 

Parassonia Infantil - Just Real Moms

 

Primeiramente, é importante entender que existem vários tipos de insônia.

Existe a insônia orgânica que é a dificuldade de iniciar e/ou manter o sono, gerada por um problema orgânico, como viroses, cólicas, alergia alimentar ou algum outro tipo de alergia, otites, algumas síndromes (psiquiátricas ou não) e afins. E existe a insônia não orgânica que pode ser classificada em dois tipos: dissonias e parassonia infantil.

As dissonias é onde costumo atuar. Nestes casos, as causas podem ser emocionais e/ou comportamentais. De qualquer forma, é muito importante lembrar que a insônia é apenas um sintoma. As causas podem ser diversas, incluindo transtornos mentais ou físicos, por isso apenas o psicólogo e/ou psiquiatra estão habilitados a trabalhar com essa questão, analisando e avaliando caso a caso dentro da perspectiva da saúde mental do indivíduo.

Hoje gostaria de falar sobre a parassonia infantil. Na infância, os quadros mais comuns são os de Sonambulismo, Terrores Noturnos, Pesadelos e Despertar Confusional. Estes transtornos são geralmente benignos e costumam incomodar mais aos pais do que a criança que muitas vezes não chega a acordar, a não ser que seja acordada. Eles podem ocorrer durante o sono REM (quando sonhamos) ou durante o sono não REM. Os casos de parassonia infantil, na maioria das vezes, se resolvem sozinhos, conforme ocorre o crescimento e não requerem cuidados farmacológicos, mas sim orientação dos pais no manejo das situações. Em alguns casos a psicoterapia pode ser uma grande aliada para trabalhar os aspectos psicológicos envolvidos na questão.

Sonambulismo: O sonambulismo é uma parassonia infantil que abrange um estado alterado da consciência onde os estados de sono e vigília ocorrem ao mesmo tempo. Envolve atividade motora durante o sono, ou seja, a criança pode sentar-se no berço/cama, caminhar ou movimentar-se, sem acordar. É um erro acordar o sonâmbulo que pode se assustar. A orientação neste caso é levar a criança de volta para a cama dela e tomar todos os cuidados para que o ambiente e a casa sejam seguros, trancando portas de saída para rua e da cozinha. Fechar janelas ou providenciar redes de proteção sempre é recomendado. É mais frequente em indivíduos que possuem histórico familiar de sonambulismo.

Terrores Noturnos: São ataques de terror que ocorrem durante a noite, acompanhados de gritos, muita agitação, sudorese, taquicardia, aumento da pressão arterial e algumas vezes pode estar associado à atividade motora (terror noturno e sonambulismo costumam estar relacionados). Assusta demais os pais, mas não traz nenhuma outra consequência maior. A criança não deve ser acordada, e na maioria das vezes ela não costuma se lembrar do episódio, mas se ela acordar espontaneamente deve ser acolhida. Neste caso, também é importante tomar precauções com relação ao espaço onde a criança dorme, para que ela não se machuque durante os episódios. Pesquisas revelam que quanto maior a disciplina com relação aos horários de sono, menor a probabilidade dos episódios ocorrem. Dias muito agitados, ansiedade e estresse também aumentam a chance do terror noturno acontecer. A psicoterapia é indicada para que a criança e os pais consigam lidar com a situação, a angústia e ansiedade associadas ao quadro.

Pesadelos: Os pesadelos ocorrem durante o sono REM, ou seja, é um sonho ruim carregado de ansiedade, medo, imagens assustadoras e que a criança consegue lembrar e eventualmente relatar. Ter pesadelos esporadicamente é normal em qualquer criança, principalmente quando exposta a estímulos demais, ou situações de muito estresse, como mudanças, morte de um ente querido ou separações. O símbolo é a linguagem usada pelo inconsciente para enviar, por meio do sonho, mensagens ao consciente. No entanto, algumas vezes os conteúdos estão muito carregados de carga emocional e podem desencadear os episódios de pesadelos. Se passam a ser frequentes, é importante fazer uma avaliação com psiquiatra ou psicólogo afim de investigar as possíveis causas psicológicas por trás do quadro.

Despertar Confusional: Outra parassonia infantil. Como o próprio nome diz, é um “despertar” caracterizado por um estado de confusão mental e desorientação, muitas vezes com choros e gritos. Como acontece durante o sono de ondas lentas, ou seja, o sono profundo, a criança de fato está dormindo. Não é recomendado acordar, nem consolar a criança, pois isso é difícil e pode piorar o quadro. Costuma durar entre 5 a 15 minutos e a criança então volta a dormir. É comum estar associada ao uso de alguns medicamentos. Estresse, angústia, privação de sono, dias muito agitados também favorecem os episódios.

A insônia, seja ela uma parassonia infantil ou uma dissonia é uma questão de saúde séria e exige cuidados. É muito importante uma avaliação bem feita e o encaminhamento para tratamentos e condutas adequadas. Se os pais procurarem profissionais de saúde devidamente habilitados (psicólogo e/ou psiquiatra), os prognósticos costumam ser bons, os sintomas costumam melhorar e até mesmo cessar.

Espero ter elucidado um pouco da questão da parassonia infantil, um abraço!

Renata Soifer Kraiser é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Autora do livro “O sono do meu bebê”, ed.CMS, fruto de seu mestrado sobre este tema.

Para conhecerem melhor o trabalho da Renata, acessem: www.terapeuta.psc.br.

 

 

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3 Comentários:Parassonia infantil: seu filho sofre com distúrbios do sono?
  1. Avatar
    Alessandra

    Amei esse artigo, era tudo o que precisava saber!!
    Meu filho acorda durante a noite, levanta da cama, as vezes senta ou simplesmente acorda chorando.
    Eu e meu irmão somos sonâmbulos então o meu bebe também!!
    Obrigado por esclarecer minhas dúvidas, ja estava ficando preocupada.
    Bjuuusss

  2. Avatar
    Francisco

    Muito esclarecedor, a minha filha tem esses sintomas e não sabia o que fazer, mas com esse artigo ficou bastante claro que devo procurar ajuda profissional.
    Meus agradecimentos a doutora Renata Soifer Kraiser pelo belo serviço de utilidade pública prestado por seu artigo.

  3. Avatar
    Cristiane Seguel

    Gostei muito do artigo, muito esclarecedor, porém ainda não retrata o quadro da minha bebê de 18 meses. Ás vezes ao acordar, ela treme muito e choraminga..dura cerca de 1 minuto. Vou tentar pesquisar mais. Obrigada

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