Entendendo o sentimento de culpa que algumas mães carregam – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas07/07/14 By: Carla Poppa
(4) Comentários

 

Oi, moms!

Tudo bem?

O post de hoje foi escrito exclusivamente para o Just Real Moms, pela nossa colunista, a psicóloga Carla Poppa.

Eu simplesmente AMEI o tema escolhido por ela, pois sou a mãe mais culpada do mundo! Sem dúvidas tenho que trabalhar isso internamente, por isso, a leitura do texto foi muito importante para mim. Não deixem de ler!!

 

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Entendendo o sentimento de culpa que algumas mães carregam

A culpa é um sentimento que pode ser experimentado na relação com qualquer pessoa e também com os filhos. Quando a mãe sente que exagerou na reação diante de algo que seu filho fez de errado, ou quando percebe que está com a atenção muito voltada para o trabalho ou com alguma preocupação e está mais afastada da criança, o sentimento de culpa é uma sensação que provoca um desconforto, promove uma reflexão e pode levá-la a agir de maneira diferente. Nesse contexto, a culpa pode contribuir para a relação das mães com seus filhos e favorecer a proximidade entre eles. No entanto, para algumas mulheres a culpa não é uma experiência passageira, mas uma companhia constante e desagradável. Em muitos casos, as mães não conseguem relacionar esse sentimento com uma situação específica que tenha acontecido na sua relação com a criança e experimentam uma sensação indiscriminada de culpa que passa a fazer parte do seu dia a dia.

Para entender o sentimento constante de culpa que algumas mulheres experimentam é preciso pensar que desde que descobre que está grávida, a mulher começa a perceber que existe uma série de expectativas das outras pessoas de como ela deve se comportar para ser considerada uma boa mãe. Precisa se alimentar corretamente, se exercitar moderadamente, não pode beber, tingir o cabelo… E mesmo que as recomendações médicas permitam alguma flexibilidade nessas proibições, a mulher começa a perceber que para flexibilizar essas regras ela vai precisar enfrentar alguns olhares de reprovação e de crítica. Começa aí, na gravidez, o contato desagradável que as mulheres enfrentam com o sentimento de culpa. Na gravidez e no período do pós-parto, nos cuidados com o bebê recém-nascido, parece que existe um script social do que é esperado de uma boa mãe, e quando a mulher falha ou tenta fazer algo do seu jeito, a sensação de reprovação e a culpa parecem que são uma experiência quase inevitável.

 

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Se a expectativa era pelo parto normal e a mulher teve que fazer uma cesariana, é provável que se sinta culpada por não ter sido capaz de oferecer o que ela acredita que seria a melhor experiência para o seu bebê. Na amamentação, quando a mulher enfrenta dificuldade, a culpa e o sofrimento costumam ser muito grandes porque, geralmente, a mulher não se sente triste apenas por não conseguir usufruir dessa experiência, mas ela sofre e se sente culpada por acreditar que não é capaz de desempenhar bem a sua função de mãe. E esse é o maior engano relacionado à maternidade que muitas mulheres são levadas a cometer pelas informações distorcidas e críticas que recebem a todo o momento. A ideia de que a maternidade é um papel a ser desempenhado ou uma série de tarefas a serem cumpridas.

Isso porque quando a amamentação ou os outros cuidados do dia a dia do bebê são encarados como tarefas, o que se perde é o início da construção de uma relação que só pode acontecer no começo da vida do bebê por meio das trocas de olhares, de carinhos e brincadeiras. Assim, o risco que se corre é que a relação com o bebê (e depois com a criança) seja pautada principalmente pelo cumprimento de tarefas como levar os filhos para a escola, para os cursos, cuidar da alimentação para que seja saudável, acompanhar a lição de casa, mandar escovar os dentes etc., deixando nenhum ou pouco espaço para interações que nutram afetivamente tanto a criança quanto a mãe. Por isso, muitas mulheres sentem que por mais que se esforcem existe sempre alguma pendência, ou algo que não pode ser feito da maneira como gostariam. As tarefas, que são inesgotáveis, não oferecem à mãe a sensação de “dever cumprido”, de realização e satisfação com o que são capazes de oferecer aos seus filhos. Para essas mulheres, que são orientadas pelas tarefas que precisam cumprir, o contato não só com o sentimento de culpa, mas também com a insatisfação, o cansaço e a insegurança é uma constante que varia em intensidade em cada caso.

 

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Assim, para que a sensação de culpa, que de maneira quase inevitável surge na gravidez e no inicio da vida do bebê, não permaneça interferindo na relação da mãe com seu filho é fundamental que ela possa se dar conta, em algum momento do caminho que irá percorrer, de que a maternidade está para além do cumprimento de tarefas. Ou pelo menos, de que a maternidade não se restringe a essas tarefas do dia a dia. Tão importante quanto cuidar do horário das sonecas, da amamentação, ou mandar se vestir, tomar banho e escovar os dentes é a possibilidade de aproveitar esses momentos em que se esta junto com o bebê ou com a criança para olhar, abraçar, expressar e demonstrar afeto. Quando a mãe consegue se libertar do que é esperado que ela faça, ela se liberta também da dimensão das tarefas e fica livre para usufruir do encantamento que só um bebê ou uma criança são capazes de provocar. Diante dessa experiência, e com as trocas afetivas, aos poucos, a mulher pode se dar conta que mesmo sem “fazer” nada, a relação que construiu com seu filho permite que ela se sinta tranquila e satisfeita com a maneira como ela cuida dele. A não ser nos momentos em que exagera ou que se ausenta por um período longo demais, mas aí, ela passa a viver em contato com a culpa de modo saudável!

 

Carla C. Poppa
CRP: 06/69989
Psicóloga clínica
http://carlapoppa.blogspot.com

 

 

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4 Comentários:Entendendo o sentimento de culpa que algumas mães carregam – por Carla Poppa
  1. Avatar
    Miriam Ribeiro de Oliveia

    sou mae solteira de dois meninos, e as vezes me sinto culpada por muitos motivos q nem sei se é necessario; mas gostei muito desse artigo. Muito obrigada.

    • Avatar
      Juliana

      Obrigada, Miriam!
      Bjs

  2. Avatar
    erica

    Muito verdadeiro. Sou mãe de menina de 6 anos e de um menino de 3 meses.

  3. Avatar
    Grace Kelly

    SENSACIONAL!!! Lidar com a culpa de maneira saudável para a reflexão e mudança de atitude é sinal de maturidade e autoconfiança. Busquemos paz neste processo! Obrigada, Carla Poppa, Juliana e Renata! Sucesso! Beijos!!!

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