Sono: dia agitado é igual a noite agitada? – Por Renata Soifer

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Sono19/07/16 By: Renata Soifer Kraiser
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Oi, meninas!

Tudo bem?

No texto de hoje, a nossa querida colunista e psicóloga, Renata Soifer Kraiser, autora do livro “O sono do meu bebê”, fala sobre um tema muito recorrente na vida das mamães: o sono das crianças após um dia cansativo.

Ela já escreveu outros textos super bacanas para o blog, vale a pena conferir!

 

Dia agitado = noite agitada?

 

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Olá, moms!

Hoje vamos falar de um tema muito comum: a ideia de cansar bastante a criança na esperança de que ela durma melhor.Sempre ouço frases como: “Não pode deixar dormir de dia”, “Para dormir bem à noite, levo ele para fazer muitas atividades”, ou ainda, “Bebê que dorme ao fim do dia, não dorme à noite”, e por aí vai…

O que acontece é uma enorme confusão. Explico.

Primeiramente, é importante lembrar que o relógio biológico e o sistema nervoso de um bebê recém-nascido é bem diferente de um bebê de 6 meses, por exemplo. Dessa maneira, as necessidades de sono e de sonecas também são diferentes.

Quando o bebê nasce, de fato temos de tomar cuidado para que o recém-nascido não troque o dia pela noite, expondo-o à luz do sol durante o dia e deixando o ambiente de sono escuro e silencioso durante a noite. O recém-nascido passa a maior parte do tempo dormindo, pois seu sistema neurológico ainda é muito imaturo e requer muitas horas de sono. Impedir o bebê de dormir durante o dia pode trazer sérios prejuízos para o desenvolvimento sadio.

A partir dos 6 meses até 1 ano, o bebê faz sonecas, em média, a casa 3 ou 4 horas. É muito importante respeitar essa necessidade.

A partir de 1 ano até 1 ano e meio, esse intervalo vai se tornando maior até o bebê conseguir ficar 5 horas acordado durante o dia, para então fazer uma soneca grande após o almoço e muitas outras sonecas curtas ao fim da tarde.

Depois dos 2 anos, eles mantêm essa soneca depois do almoço e ela deve permanecer como parte da rotina se possível até os 5 anos ou mais.

Nos países onde adultos fazem a siesta (soneca após o almoço), contastou-se que estas pessoas conseguiam reduzir em até 15% o risco de ataque cardíaco.

E o que acontece quando a criança fica privada das sonecas ou exposta a muitos estímulos e atividades exaustivas durante o dia?

Neste caso temos dois problemas: um biológico e outro psicológico.

Do ponto de vista biológico, o estresse aumenta e com ele os níveis de cortisol (um dos hormônios do estresse). Esse cortisol fica na corrente sanguínea e deixa o sono da noite agitado, dificultando para a criança ligar um ciclo de sono no outro.

O sono é feito de ciclos. Cada ciclo é composto por 4 fases. Ao final de um ciclo de sono, que dura por volta de 1 hora, todos nós temos um breve despertar. Mas voltamos a dormir, iniciando um novo ciclo, na maioria das vezes sem nem nos lembrarmos disso.

Com o bebê ocorre o mesmo. Só que o bebê estressado tem dificuldade de ligar um ciclo no outro e acaba requisitando os pais para ajudá-lo nesta tarefa. Ou seja, o bebê que teve um dia estressante chama mais os pais durante a noite.

Além disso, o aspecto psicólogico sempre precisa ser considerado. É impossível pensar no sono sem considerar os apectos psicológicos e emocionais envolvidos nesta função.

O bebê que dormiu menos do que precisava durante o dia, teve menos oportunidade de elaborar os fatos que vivenciou. Para nós pode parecer bobagem, mas para um bebê passear no parque e encontrar outras crianças, cachorros com cheiros diversos, ver pessoas novas, tudo isso pode ser muito estimulante.

Se o bebê dorme durante o dia ele tem a chance de elaborar esses fatos tanto do ponto de vista emocional, como do ponto de vista da memória que seleciona o que é relevante e precisa ser armazenado, do que é bobagem e pode ser descartado.

Quando o bebê não dorme o suficiente durante o dia, ele fica com “conteúdo acumulado”, excesso de informação para dar conta de uma vez só. E aí a chance de ocorrerem os pesadelos, angústias e dificuldades é muito maior.

O bebê que fez o repouso adequado e não foi impedido de dormir quando necessitava, relaxou e elaborou os fatos do dia, o que significa uma noite mais tranquila e sem sobrecargas.

Ou seja, quanto mais seu bebê dormir durante o dia, de acordo com a demanda dele, melhor será sua noite de sono.

Um grande abraço,

Renata.

 

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Renata Soifer Kraiser é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Autora do livro “O sono do meu bebê”, ed.CMS, fruto de seu mestrado sobre este tema.

Para conhecerem melhor o trabalho da Renata, acessem: www.terapeuta.psc.br.

Telefone: 11-3031-4043

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