Como ajudar seus filhos pequenos a enfrentar a perda de uma pessoa querida? – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe15/07/14 By: Carla Poppa
(4) Comentários

 

Olá, moms!

Tudo bem?

O post de hoje foi escrito exclusivamente para o blog Just Real Moms, pela nossa colunista, a psicóloga Carla Poppa. No texto, ela aborda um tema extremamente delicado: como explicar para uma criança, a perda de algum parente ou amigo próximo. Afinal, qual é a melhor forma de abordar  e lidar com essa situação?

Texto imperdível para todas as mamães!

Boa leitura!

 

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Como ajudar seus filhos pequenos a enfrentar a morte de uma pessoa querida?

Enfrentar a perda de um familiar ou de uma pessoa querida é uma experiência muito dolorosa e que nos coloca em contato direto com o grande mistério que envolve a morte. Quando se tem filhos, essa experiência apresenta ainda mais um desafio, uma vez que a criança também vai precisar da ajuda dos seus pais para entender o que aconteceu e para lidar com os sentimentos que essa experiência provoca.

O desafio já se apresenta no momento de contar para a criança que alguém próximo a ela morreu. Quando a criança é pequena, os pais muitas vezes optam por usar metáforas como “ele (a) foi fazer uma longa viagem” acreditando que estão, de alguma forma, poupando a criança e facilitando a sua compreensão sobre a morte. No entanto, as crianças pequenas com menos de sete anos não conseguem ainda apreender a simbologia que existe por trás dessas falas. Isso quer dizer que se alguém contar para uma criança nessa faixa etária que o avô foi fazer uma viagem muito longa, por exemplo, ela vai entender essa afirmação ao pé da letra e pode começar a se questionar o que o levou a querer viajar e se afastar das pessoas queridas. Ou seja, esse tipo de explicação além de não ajudar a alcançar uma compreensão sobre a morte, também pode provocar sentimentos como a mágoa e a culpa, que não precisariam ser despertados nesse momento.

Então, sempre que possível, é melhor dar a notícia para a criança de maneira simples e honesta, e acolher as perguntas que ela possivelmente fará. Desse modo, a criança pode começar a entrar em contato com o que de fato aconteceu e tentar entender o conceito da morte ao mesmo tempo em que começa a desenvolver novos recursos para construir um sentido para essa experiência.

 

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Assim como no exemplo anterior, a criança até os sete anos ainda não consegue compreender o significado de conceitos abstratos como a morte ou a ideia de que uma pessoa não vai voltar “nunca mais”. A forma com que a criança tem de entender esses acontecimentos é pela sua experiência. Ou seja, na medida em que o tempo passa e a criança vai vivendo na ausência da pessoa que morreu, ela pode aos poucos começar a assimilar o que significa a frase que lhe disseram: “ele (a) morreu”. Por isso, é comum que ao longo do tempo, a criança mesmo que tenha sido comunicada da morte continue perguntando pela pessoa. Essas perguntas podem ser respondidas sempre da mesma forma e são uma forma de ajudar a criança a assimilar a ausência da pessoa que morreu.

Na medida em que a criança vai assimilando esse fato, ela pode começar a expressar os sentimentos provocados por essa situação. Então, passado algum tempo é possível que a criança expresse a tristeza e a saudade que sente da pessoa. A forma de expressar esses sentimentos pode variar muito. Enquanto algumas crianças, mesmo bem novinhas, já conseguem nomear o que estão sentindo e pedir o apoio dos pais nesses momentos, é possível que muitas crianças ainda não tenham desenvolvido essa habilidade e reajam a esses sentimentos das mais diferentes maneiras: podem ficar mais agitadas ou agressivas como forma de evitar o contato com a tristeza, ou também é possível que comecem a se queixar com frequência de dores físicas. Isso porque a tristeza também é um conjunto de sensações experimentadas no corpo. Nesses casos, é importante que os pais estejam atentos aos comportamentos recorrentes que a criança pode começar a apresentar após a morte de uma pessoa próxima para que a ajudem a identificar e expressar o seu sofrimento.

Quando isso é possível e a criança expressa a saudades que sente da pessoa que morreu, ela vai precisar dos seus pais para construir um sentido para essa experiência, o que a ajuda a não ficar paralisada no contato com esse sentimento. Para isso, é muito positivo quando os pais resgatam e entram em contato com a sua própria fé e conseguem compartilhar com a criança as crenças que costumam apaziguar o seu próprio sofrimento. Assim, esse processo de enfrentar a saudades e construir um sentido que permita conviver com esse sentimento para seguir adiante na vida é um caminho que o adulto precisa localizar dentro de si para poder guiar a criança na sua experiência.

 

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Carla C Poppa é psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em desenvolvimento infantil na PUC-SP.

Atende em seu consultório, na Rua Dr. Veiga Filho, 350, em Higienópolis, crianças, adolescentes e adultos, onde também orienta pais e cuidadores em sessões individuais ou em grupo.

Para falar com ela escrevam para: [email protected] ou acessem o blog: http://carlapoppa.blogspot.com

 

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4 Comentários:Como ajudar seus filhos pequenos a enfrentar a perda de uma pessoa querida? – por Carla Poppa
  1. Avatar
    Lucia Helena Marques

    Bom dia,
    Este tema foi exatamente o que aconteceu comigo. Meu marido morreu ha 08 anos atras e fiquei com meus dois filhos de 03 e 04 anos para dar a pessima noticia, eles sabiam que minha mãe já tinha morrido, mas eu sempre mostrei a eles uma estrela no ceu e falava que era a minha mae, entao como eles nao a conheceram sabiam que a avo estava no ceu, quando o pai adoeceu e tivemos que lutar com um cancer de prostata, e foi visivel para o Vitor Hugo de 04 anos que era muito agarrado ao pai, que algo nao estava bem, até o dia em que ele foi internado e morreu, eu levei 02 dias para dar a noticia a eles, e disse que ele agora estava no ceu junto com a vovó Olga, o Vitor que ja entendia melhor que o outro irmao chorou muito e qdo ele conseguiu para de chorar me perguntou se podia pegar um foguete pra ver o pai no ceu, foi terrivel pra mim, mas ai eu disse que nao era assim, que qdo ele sentisse saudades do pai, era somente por fotos e ele poderia me pedir pra ver sempre que quissesse, hoje ele tem 12 anos e sabe de td e sao meninos resolvidos, porque eu tento fazer o possivel pra eles, e acho que sao felizes, mas realmente nao é facil darmos esta noticia. Obrigada suas materias sao sempre otimas, e me identifico com varias delas. Obrigada mesmo

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      Carla Poppa

      Oi Lucia! Imagino o quanto deve ter sido dificil ter que lidar com o seu luto ao mesmo tempo em que precisou amparar seus filhos… mas parece que você conseguiu ficar ao lado deles mesmo quando eles expressavam o quanto estavam sofrendo, o que é um cuidado dificil de ser oferecedio e por isso, muito admiravel!
      Fico muito contente em saber que você se identifica com o que eu escrevo! E obrigada por compartilhar a sua experiencia!!
      Um grande abraço,
      Carla

      • Avatar
        adeline

        Oi estou passando por um momento difícil perdi meu marido a um mês e 15 dias temos um filho de sete anos ele não estava doente morreu em doze dias com uma bactéria no pulmão passei esses dias com ele no hospital e meu filho sabia que ele estava doente tenho 28 anos e ele morreu com 32 passamos 12anos juntos meu filho foi para o velório não levei para o enterro não por achar o clima pesado. Todas as noites rezamos para o pai dele .as ultimamente ele tem tido algumas crises de choro. E não sei muito bem como reagir. Assumo que fico sem chao quando isso acontece… Peço pra ele não chorar dizendo que o pai dele estar bem olhando por nós. Mas a verdade é que pra mim tá muito difícil aguentar pois dói muito pra mim ver ele sofrer. Seu blog me ajudou. Mas sei que é complicado pois ele Já entende. Estou meia perdida estou morando com meus pais mas me vejo só pois eles evitam conversar acho que para que eu não lembre nem sofra.

  2. Avatar
    LUCIANA MATTOS

    Boa tarde,

    Tenho dois filhos com 15 e 9 anos, Perdi meu esposo há 12 dias e meu filho menor não fala do pai, fica indiferente à situação, pegunto se ele tá bem, responde que sim, sendo que sempre foi muito agarrado com o pai, que faleceu em decorrência de um câncer. Isso é normal? Ele é muito tímido. Meu filho mais velho conversa normalmente sobre o assunto e aceitou pois o pai passava muito mal em casa. Gostaria de entender mais essa situação. Desde já agradeço a atenção.

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