Como acalmar as crianças no momento da birra? – por Carla Poppa

Dicas dos especialistas30/06/16 By: Carla Poppa
(1) Comentários

 

Olá, meninas!

Como estão?

Hoje temos um post da nossa colunista psicóloga, Carla Poppa, que falará sobre um momento super delicado: a birra! Ela traz dicas de como acalmar os pequenos nesta hora. Confiram!

 


 

Birra, chilique, manha… todos esses são nomes usados para se referir ao choro, aparentemente sem motivo, ou a um comportamento no qual a criança expressa certa resistência para obedecer seus pais ou para cumprir a rotina do dia a dia. Quando os pais dizem que a criança está fazendo manha parece que, na maioria das vezes, se referem a uma tentativa da criança de conseguir o que quer. O chilique parece que se refere às situações nas quais a criança se expressa de forma mais intensa, enquanto que a birra é um nome que muitos pais usam para se referir à reação da criança quando ela é contrariada. No dia a dia isso pode variar, mas é importante ressaltar que, em todos esses casos, a dificuldade dos pais de se relacionar com seus filhos nessas situações tem início com a dificuldade de identificar e nomear a emoção que a criança está expressando. Tanto a birra quanto a manha e o chilique são nomes que não só não identificam a emoção como a escondem, já que colocam diferentes emoções em um único rótulo e, assim, dificultam a possibilidade de pensar qual cuidado pode ser oferecido para a criança.

Nesse texto, vou tentar explicar qual emoção pode estar “escondida” por trás do rótulo da birra. Geralmente, o que os pais costumam definir como birra é a reação da criança quando ela é contrariada. Assim, a birra, em muitos casos, pode representar a dificuldade da criança de aceitar o “não” que ela ouviu. Então, ajudar a criança a se acalmar no momento da birra é, muitas vezes, o mesmo que ajudá-la a lidar com a frustração que esta experiência provoca. O “não” é necessário e ensina para a criança que, em algumas situações, ela vai precisar se adaptar a regras e às necessidades dos outros. Essa é uma aprendizagem muito importante, pois permite que ela possa se relacionar com flexibilidade com as outras pessoas, sem precisar impor suas vontades. Porém, para que esse aprendizado aconteça, a frustração que a criança sente no momento em que ouve o “não” precisa ser cuidada. E como cuidar da frustração? Como ajudar a criança a lidar com a frustração?

Em primeiro lugar, é importante acalmar a criança e isso só é possível quando os pais conseguem se manter calmos. Nessa hora, pode ajudar pensar que o choro da criança mostra que ela precisa aprender a se controlar e não que ela está desafiando a autoridade dos pais. Então, no momento em que a criança é contrariada e expressa a frustração que está sentindo, tente se manter tranquilo (a), olhe nos olhos dela e peça para que ela respire fundo, até que ela possa se acalmar. Esse cuidado é importante porque enquanto a criança estiver chorando muito intensamente e estiver tomada pela emoção, ela não vai conseguir ouvir nada do que os pais têm a dizer. Assim, com esses gestos, conforme a criança se acalma, é possível ajudá-la a aceitar e superar a frustração.

Para isso, os pais podem experimentar ajudar a criança a nomear a frustração que ela está expressando. Podem dizer, por exemplo, que parece que ele (a) está se sentindo frustrado e que, realmente essa é uma sensação, que incomoda bastante! Quando a criança ouve o nome da emoção que ela está sentindo, ela experimenta um alívio, se organiza e se sente compreendida, o que pode contribuir para que ela se acalme e fique ainda mais receptiva e aberta para que os pais possam oferecer outro cuidado, que pode ajudá-la a superar a frustração: explicar o sentido do “não” que foi dito a ela.

A criança pode permanecer frustrada e, por isso, continuar chorando e reclamando até que ela consiga entender o sentido do “não” que foi dito. Por isso, mesmo que seu filho seja bem novinho, tente explicar o motivo do “não” que você disse para ele. Antes mesmo da criança conseguir falar com fluência, ela é capaz de entender. E essa capacidade que ela tem de entender a explicação dos pais pode ajudá-la a dar um sentido para a frustração e, assim, superar essa experiência. Pensando que a criança esteja frustrada porque viu um brinquedo na vitrine do shopping e quer o brinquedo, depois de acalmá-la, os pais podem explicar o sentido do “não” dizendo algo como: “Eu entendi, você está frustrada porque quer um brinquedo e nós não vamos comprar, mas esses presentes nós compramos apenas em datas especiais, como no seu aniversario ou no dia das crianças. Hoje, viemos ao shopping para ir ao cinema. Então vamos continuar nosso passeio e nos divertir!”

Assim, depois, que a criança conseguiu superar a frustração, é importante não prolongar o mal estar na relação com ela; não ficar sem falar com a criança, ou falar de forma ressentida. Se  agirem dessa forma, os pais vão fazer com que a criança entenda que expressar suas emoções pode provocar um sofrimento muito intenso e prolongado. E é possível que, com o tempo, ela passe a “abafar” suas emoções, ao invés de expressá-las e de aprender a se controlar. Por isso, uma vez superada a frustração, é importante que os pais “virem a página” e retomem o que estavam fazendo com seu filho(a), para que possam voltar a desfrutar da sua companhia. Esse desentendimento provocado pela birra da criança, que na verdade foi uma oportunidade para ela aprender a lidar com a frustração, não precisa e nem deve “estragar” o dia de vocês!

 


Carla C Poppa é psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em desenvolvimento infantil na PUC-SP. Atende em seu consultório, na Rua Dr. Veiga Filho, 350, em Higienópolis, crianças, adolescentes e adultos, onde também orienta pais em sessões individuais ou em grupo. Para falar com ela escrevam para: [email protected] ou acessem o blog: www.carlapoppa.blogspot.com.br

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X Leia também: