DE MÃE PARA MÃE

As mães entenderão – por Patricia Chaccur

Olá, meninas!

A nossa colunista Patricia Chaccur fez um texto super verdadeiro sobre a rotina de uma mãe. Nele, ela relata a experiência de uma pré viagem com cirurgia de emergência no Toby, o dinossauro de estimação do seu filho.

Confiram as palavras leves e divertidas que ela escreveu!

Boa leitura!


 

 

Falta pouco para a meia-noite. Vamos sair para o aeroporto às seis da manhã e acabo de me lembrar que preciso fazer uma microcirurgia no Toby.

Não, Toby não é um cão, nem gatinho. É um dinossauro. E de pelúcia, mas isso é detalhe. Xodó do meu filho e seu companheiro em todas as viagens, o bichinho não pode pegar um voo com um rasgo na barriga.

Estou bem cansada. Exausta. Estava arrumando as malas até agora e isso sempre me deixa esgotada. Adoraria poder agarrar este travesseiro e mergulhar no curto sono que me resta, agora, neste minuto, já.

Nada disso. Chega de lamentação. Tantos médicos iniciando uma cirurgia neste momento e eu aqui, resmungando por causa de meia dúzia de pontos num boneco.

Vamos lá. Caixinha de costura. Linha e agulha.
Ou melhor, linha na agulha – tinha me esquecido deste ingrato detalhe.

A linha é grossa, o buraco da agulha é ridículo e, como a perspicaz professora do jardim da infância havia alertado minha mãe, minha coordenação motora fina é fraca.

Meu Santo. Já prevejo a cena do fracasso. Bom dia, Mãe! Consertou o Toby? Não, filho – respondo enquanto a palavra “Perdedora” pisca, em neon, na minha testa – não consegui colocar a linha na agulha.

Nem pensar. Decepcionar o pequeno? Meu sangue de mãe árabe não permitiria. Admitir a incapacidade? Minha teimosa persistência não deixaria.

Aumento a luz do abajur. Seguro a ponta da linha cáqui entre dedão e indicador e foco, com precisão, no diminuto buraco da agulha. Vejo a linha passando, passando… bem longe e bem solta.
Mais concentração! O desafio espantou o sono. Respiro fundo. Agora vai. Mas que droga, fui cortar as unhas bem hoje?

Enxergo o novo final para esta história. Cinco da manhã, o filho aparece e, sonado, pergunta: Mãe, você acordou mais cedo para arrumar o Toby? Filho, nem fui dormir, estou tentando colocar a linha na agulha.
Perdedora, perdedora, perdedora.

Já sei, faltou lamber a ponta da linha. Reclino sobre o abajur, para capturar qualquer mísero facho extra de luz. Miro no buraco da agulha com a determinação de um franco-atirador. É tudo ou nada.

Nada.

Ódio. Tenho vontade de dobrar esta agulha no meio e furá-la com sua própria ponta.

Não! Não! Isso não está acontecendo! Impossível, inacreditável! Sim. Aconteceu. A bandida escapou da minha mão e caiu onde, onde? No vãozinho minúsculo do criado-mudo (este nome é muito estranho) que faz um detalhe idiota no móvel, em baixo relevo. O tal vão tem a largura milimétrica de… uma agulha! E a fofa está deitada lá, como se fosse seu próprio berço. Avanço com as unhas para cima do vão, mas que nada, eu as cortei! Cortei! Estúpida.

Abro o kit de costura com um fiapo de esperança de encontrar uma segunda agulha. Eu tenho! Que alívio.

Concentro toda minha psicologia positiva no amado buraco da nova agulha e ativo o modo “mindfulness”. Junto as mãos em prece e trago na altura do coração. Eu posso, eu consigo. Meu quarto fica todo branco. Cortinas de voil que até agora não existiam balançam com a brisa da madrugada. Sinto um envolvente aroma de lavanda. Meu pijama cinza transformou-se numa leve e esvoaçante camisa, também branca, de puro algodão orgânico. Uma figura surge na minha frente. É a professora da escolinha maternal, em holografia. Parece ter uns setenta anos e usa o mesmo avental, agora um pouco mais justo. Desculpa-se pelo julgamento prematuro que fez naquela época e desaparece.

Olho para a linha e para a agulha. Sinto o magnetismo entre elas. Linha na mão direita, agulha na mão esquerda, levo uma ao encontro da outra. Encaixam-se. Gratidão!

Costuro o paciente com pontos simétricos e perfeitos.

Missão cumprida. Apago a luz. Durmo o sono dos vitoriosos.

Bom dia, Mãe! Costurou o Toby?
Claro que sim, filho.
Ele me abraça.

Meu semblante está sereno.
Se fosse um filme, os créditos subiriam agora.

Que nada. É vida real.
Narro todo o perrengue para ele. Morremos de rir.


 

Já conferiu o texto Super-bat-mãe-maravilha da Patricia? Vale SUPER a leitura! <3

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