Entendendo a adolescência: reflexões necessárias para pais que querem compreender seus filhos antes de reagir e construir diálogos mais conscientes.

Oi Mamãe e Papai, alguns temas exigem mais do que opinião – exigem escuta, profundidade e responsabilidade.
É com esse olhar que nasce a nova coluna da Claudia Alaminos, Educadora Parental, especialista em adolescentes, com foco em entender a adolescência e os desafios reais de educar filhos no mundo de hoje.
Aqui, não há fórmulas prontas nem respostas rasas, mas reflexões embasadas e sensíveis para pais que querem compreender antes de reagir. Um espaço para pensar, aprender e acompanhar conversas que impactam o presente, e o futuro, dos nossos filhos.
Temos muitas mamães e papais que estão se aproximando do momento de ter adolescentes em casa ou já estão vivendo isso… Então, vem com a gente para conhecer a Claudia que vai transformar a relação com o SEU adolescente.
Que alegria poder escrever sobre adolescência no Just Real Moms porque, mesmo em um site que sempre falou de infância, certamente a adolescência já está batendo à porta de muitas casas. Os filhos crescem, e junto com esse crescimento surgem dúvidas, receios e perguntas sobre uma fase que costuma ser cercada de mitos e inseguranças.
Antes, quero me apresentar rapidamente. Meu nome é Claudia Alaminos. Casada há 30 anos, sou mãe do Pedro, que tem 26 anos. Sou psicopedagoga e educadora parental. Estudo adolescência há mais de 20 anos e faço aconselhamento de famílias com filhos adolescentes.
Quero iniciar minha escrita aqui respondendo uma das perguntas que mais escuto e que é simples e complexa ao mesmo tempo: quando começa a adolescência? E quando ela termina?
A resposta mais honesta que posso dar é que não existe uma única definição. A adolescência não começa de repente nem termina em um dia marcado no calendário. Ela é um processo de transição, uma travessia marcada por mudanças no corpo, nas emoções, no pensamento e nas relações.
Do ponto de vista biológico, costuma se considerar que a adolescência tem início com a puberdade, quando ocorrem as mudanças hormonais e corporais. Em meninas, isso pode acontecer por volta dos 9 ou 10 anos. Em meninos, geralmente um pouco mais tarde, por volta dos 10 ou 11 anos.
No entanto, muitas mães percebem que antes mesmo dessas transformações físicas os filhos já começam a mudar. Ficam mais questionadores, o humor oscila e eles ensaiam os primeiros movimentos de autonomia. Essas mudanças estão profundamente relacionadas ao desenvolvimento do cérebro.
Durante a adolescência, o cérebro passa por uma grande reorganização. Áreas ligadas às emoções e às recompensas amadurecem mais cedo, enquanto a região responsável por planejamento, controle de impulsos, avaliação de riscos e tomada de decisões, o córtex pré-frontal, ainda está em desenvolvimento.
Esse amadurecimento pode se estender até o início da vida adulta.
Isso ajuda a explicar por que muitos adolescentes pensam rápido, sentem intensamente e agem por impulso, mas ainda têm dificuldade em prever consequências, regular emoções ou sustentar escolhas de longo prazo. Não se trata de falta de caráter ou de provocação, mas de um cérebro em construção.
Quando falamos do fim da adolescência, as divergências ficam ainda mais importantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a adolescência como o período entre 10 e 19 anos.
Outros autores, especialmente da psicologia do desenvolvimento e das neurociências, ampliam essa faixa etária e consideram que os processos típicos da adolescência podem se estender até os 24 ou 25 anos. Isso acontece porque o amadurecimento cerebral, emocional e social não seguem o mesmo ritmo da maturação física.
Mais importante do que fixar idades exatas é compreender que a adolescência é uma fase de transição e de construção. Ela começa quando o filho deixa de ser criança e termina quando ele consegue sustentar escolhas, assumir responsabilidades e se perceber como alguém capaz de conduzir a própria vida com maior estabilidade.
Ao longo das próximas colunas, a proposta será justamente conversar sobre essa travessia. Falar sobre o que é esperado, o que pode preocupar, o que merece atenção e qual é o papel das mães enquanto os filhos crescem.
A adolescência não precisa ser vista como um problema a ser evitado, mas como uma etapa do desenvolvimento que pode ser compreendida e atravessada com mais segurança quando temos informação e apoio.
Abraços maternos,
Claudia Alaminos

Sobre a Claudia Alaminos
Instagram: @ClauAlaminos
Mãe do Pedro (26 anos, em 2025). Educadora parental, mestrado em Psicologia e Educação pela USP, pós-graduada em Neurocências e Comportamento. É especialista em famílias de adolescentes, tema que estuda há mais de 20 anos. Acredita que ter adolescentes em casa pode ser leve e que para educá-los bem é preciso saber o que esperar da adolescência.
