A chance de aprender a dormir sem ajuda – por Renata Soifer

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Sono18/10/17 By: Renata Soifer Kraiser
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Olá, meninas!

Tudo bem com vocês?

O sono dos pequenos pode ser um desafio para algumas mães. Sempre recebemos perguntas sobre como ajudá-los a dormir melhor e, por isso, a nossa querida colunista e psicóloga, Renata Soifer Kraiser, fez um post sobre o assunto.

A Renata é autora do livro “O sono do meu bebê” e nos escreve textos incríveis que muito nos ajudam.

Confiram!

 

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A chance de aprender a dormir sem ajuda 

 

Olá, Moms,

Hoje venho conversar com vocês sobre um tema muito interessante que vem me intrigando há alguns anos.

Sempre que participo de uma roda de mães, um debate ou um grupo no Face onde o assunto são os filhos, logo aparece uma dessas palavras em contextos diversos:

-“Oh! Tadinho! Ganhou um irmão!”

-“Coitado, não consegue subir…”

-“Tá sozinho, tadico!

A frequência desses termos era tanta que me levou a refletir. Por que colocamos nossos filhos no papel de vítimas?

A origem da palavra “coitado” vem de ideia de coito, daquele que foi currado, sofreu o coito.

E por qual motivo nossos filhos seriam “coitados”?

Fui estudar o assunto e percebi que aqui no Brasil isso é bem mais forte que em outros países. Pensando em nossas raízes, me dei conta que realmente nossa formação cultural é de pessoas que estavam em situação desfavorável.

Os índios que foram dizimados, os negros que foram escravizados e os imigrantes que chegaram ao país fugindo de guerras, perseguições, fome, crises e desemprego. Nenhum imigrante veio ao Brasil por vontade, e sim por necessidade. Essa é a nossa origem sócio-cultural.

A marca é tão forte que houve um tempo em que uma atriz fazia a personagem que a todo instante dizia “Oh! Coitado!”. Tinha até uma boneca que dizia isso.

Herdamos essa origem, mas precisamos lembrar que nossos filhos não são mais coitados. Com exceção dos brasileiros que vivem realmente mal, muitos de nós conseguimos estudar e dar uma vida digna às nossas crianças.

Se nos encontramos entre estes, por que insistimos em vitimizar nossos filhos colocando este adjetivo sempre que a criança encontra algum tipo de desafio?

Para a criança é muito ruim crescer ouvindo que ela é coitada. Os pais são o primeiro espelho dos filhos e sua autoestima é moldada a partir desse olhar. Não olhe para seu filho como coitado. Olhe para ele como alguém capaz, que pode superar as adversidades, que vai conseguir “chegar lá”.

Com relação ao sono do bebê, a mesma coisa. Por sentir pena permanente de seu bebê, muitas mães acabam privando os filhos da chance de conciliar o sono sozinho. Ao menor ruído ou reclamação já correm para apanhar o bebê e lhe oferecer uma solução. Muitos nem chegam a acordar, mas acabam sendo acordados por um peito, mamadeira, chupeta ou colo que chega muito rápido na ânsia de resolver o desconforto antes que o “coitado” acorde de fato.

E qual o problema de correr para evitar qualquer tipo de desconforto?

O problema é que muitas vezes essa visão do “coitado” impede o bebê de encontrar o caminho até o sono. Essa resposta rápida cria uma dependência complicada, pois sempre ocorrem micro despertares durante a noite e o bebê passa a precisar dessa ajuda a todo momento.

Quando conseguimos ter um olhar mais seguro e confiante em relação aos nossos filhos, estes são capazes de aprender a resolver suas mazelas gradualmente. Damos a eles o benefício do tempo, da espera como parte do aprendizado, como uma chance de se virar e encontrar o caminho para independência, não apenas em relação ao sono, mas em todos os possíveis desafios que possam surgir.

Não facilite demais. Deixe que seu filho sinta o sabor conquista. Espere, observe… É maravilhoso compartilhar o momento em que, sem ajuda, ele adormece, come, anda, corre, nada e cresce.

Afinal, não somos eternos e gradualmente nossos filhos precisam aprender o caminho para a independência.

Um abraço,

Renata

 
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Renata Soifer Kraiser é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Autora do livro “O sono do meu bebê”, ed.CMS, fruto de seu mestrado sobre este tema.

Para conhecer melhor o trabalho da Renata, acesse: www.terapeuta.psc.br.

Telefone: 11-3031-4043

 

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