O papel dos avós na infância: Quando eles nos devolvem o tempo

O papel dos avós na infância: Quando eles nos devolvem o tempo

O papel dos avós na infância dos netos, segundo a pedagogia Montessori: presença, tempo e acolhimento que a rotina dos pais nem sempre permite oferecer.

Avós brincando com netos no parque ao ar livre

Oi Mamães e Papais! Entre a rotina que nos atropela e a culpa de nunca estarmos inteiros, há um lugar onde nossos filhos encontram uma presença diferente da nossa: o colo dos avós. Entenda o papel dos avós na infância.

Neste texto, Mariana Ruske, pedagoga e idealizadora da Senses Montessori School, reflete sobre como os avós funcionam como um ambiente preparado em forma de gente, capazes de oferecer o tempo e a atenção plena que a rotina dos pais, por mais amor que exista, muitas vezes não permite.

Um texto sensível sobre limites, culpa materna e a rede que sustenta a infância. Então, veja abaixo!


Nos últimos meses, tenho vivido numa espécie de modo automático. Não porque eu queira, muito pelo contrário, mas porque o dia a dia atropela. Final de ano na escola é sempre um malabarismo de planejar o próximo ciclo, acolher famílias, reorganizar equipe, contratar, ajustar rotinas, resolver conflitos, lidar com expectativas… e com aquelas situações em que, por mais que você faça, alguém sempre acha insuficiente. Enfim, vida de ser humano.

E então eu chego em casa. Chego depois de tentar ser tudo para todo mundo. Chego carregando nas costas preocupações, pendências, conversas difíceis. E também chego cansada, não só fisicamente, mas cansada por dentro. E encontro meus filhos cheios de histórias, descobertas, perguntas, vida. Eles chegam inteiros, e às vezes eu só consigo oferecer metade. Metade da atenção, metade da paciência, metade da presença.

E isso dói.
Dói porque eu sei o quanto a presença importa.
Sei o quanto o ritmo respeitoso e o olhar atento fazem diferença.
Sei porque vivo isso com outras crianças todos os dias.

Mas maternar no mundo real é aceitar nossos limites.
E reconhecer que amor não elimina exaustão.

É nesse ponto, quando minha paciência está curta e minha mente está cheia, que algo muito bonito acontece: os avós entram em cena.

Eles chegam disponíveis. De verdade.
Eles não chegam do trabalho, chegam da vida e com vida.
Sentam no chão, escutam as histórias pela quinta vez, celebram cada invenção, cada pergunta, cada pedacinho dessa infância que não volta. Eles têm tempo. Eles oferecem tempo. Talvez o maior presente que alguém pode dar a uma criança.

Montessori falamos muito sobre ambiente preparado. E, quanto mais observo, mais percebo que os avós são exatamente isso! Um ambiente preparado em forma de gente. Um ambiente emocional seguro, lento, amoroso, constante. Eles representam aquilo que a criança mais precisa e que, na correria, eu não consigo oferecer: um adulto realmente disponível.

Enquanto eu tento fechar o loop mental das coisas do dia, eles simplesmente… observam.
Essa observação tranquila, tão Montessori, cria um tipo de presença que nutre.
É como se os avós fossem especialistas em estar. Não fazer, não desempenhar. Estar.

Família com avós brincando com netos no parque ao ar livre

E eu confesso que às vezes me pego desejando que a minha relação com meus filhos fosse sempre plena, leve, entregue. Mas o dia a dia me puxa, me divide, me exige. E aí, no meio dessa culpa que insiste em aparecer, aprendi que eu também preciso me acolher.

Falamos muito sobre o “adulto preparado”. E isso não significa um adulto perfeito, significa um adulto consciente de si. Reconhecer o cansaço não é falha, é honestidade. É o primeiro passo para ajustar o rumo quando der e para pedir apoio quando não der.

E é aqui que os avós se tornam ainda mais preciosos.
Eles não substituem. Eles sustentam.
Fazem parte da rede que mantém a criança segura e os pais respirando.

Às vezes, fico olhando meus filhos com meus pais e percebo que eles vivem um tipo de relação que o mundo moderno quase não permite mais. Uma relação sem pressa, sem metas, sem agenda. Uma relação que devolve às crianças o direito ao tempo desacelerado.

E é curioso por que enquanto eles oferecem tudo isso aos meus filhos, sem querer, devolvem algo importante para mim também. Eles me devolvem ar.

Equilibrar tudo é difícil, até impossível. Mas talvez a beleza esteja exatamente em aceitar que não caminhamos sozinhos. E que, enquanto o mundo nos pede eficiência, resultados e respostas rápidas, os avós nos lembram que a infância não sabe o que é pressa.

No fim das contas, percebi uma coisa simples e preciosa:  avós são o Montessori que a vida oferece para a família quando os pais não conseguem ser.

E isso não diminui ninguém, só amplia o amor.


Por fim, se gostou desse post sobre o papel dos avós na infância da Mariana Ruske, aproveite para ler: “Autonomia na infância: Por que resolver tudo pelo filho pode atrapalhar” e “O Parque dos Ratos: Podemos proteger nossos filhos dos vícios?“.


Este post do Just Real Moms foi cuidadosamente elaborado por um médico altamente qualificado, trazendo informações confiáveis e embasadas para você. Fique por dentro dos insights e conselhos de um verdadeiro especialista no assunto!
Este post do Just Real Moms foi cuidadosamente elaborado por um médico ou especialista altamente qualificado, trazendo informações confiáveis e embasadas para você. Fique por dentro dos insights e conselhos de um verdadeiro especialista no assunto!

Sobre a Mariana Ruske

Instagram: @SensesSchool

Pedagoga há 12 anos, fundadora da Senses Montessori School e mãe de dois meninos cheios de energia. Especialista em Montessori, já foi engenheira e astrônoma, antes de se render ao fascínio pelo cérebro humano.

Palestrante e ativista, luta pela proteção das crianças contra abusos e violência, acreditando que a educação infantil é a base de uma vida saudável e uma sociedade justa. Para ela, Montessori é o segredo para criar filhos por inteiro — mesmo nos dias mais bagunçados!

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