Os benefícios e os riscos dos aparelhos eletrônicos no desenvolvimento das crianças – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas11/02/14 By: Carla Poppa
(3) Comentários

 

Oi, meninas, tudo bem?

 

Adorei o texto que nossa colunista, a psicóloga Carla Poppa, enviou este mês! Vale muito a pena a leitura dele!

 

Beijos

 

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Os benefícios e os riscos dos aparelhos eletrônicos no desenvolvimento das crianças

 

No mundo em que os nossos filhos estão sendo criados, o uso da tecnologia e o contato com o mundo virtual é, para o bem e para o mal, uma certeza. Por isso, a maneira como os pais vão mediar o contato com esses recursos e com essa nova realidade é um cuidado que não existia até pouco tempo e rapidamente se tornou fundamental para favorecer o desenvolvimento saudável das crianças.

 

O lado positivo: As novas tecnologias podem contribuir para o desenvolvimento das crianças.

 

 

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Existe, sem dúvida, o lado positivo dessas novas tecnologias. Se em uma conversa, a criança demonstra interesse e começa a fazer perguntas sobre a cultura de outros países ou sobre um determinado período histórico, por exemplo, os pais podem enriquecer essas conversas buscando mais detalhes por meio das inúmeras ferramentas de pesquisa disponíveis na internet. Quando essa é uma atividade que se repete junto com a criança, ela vai aos poucos, aprendendo que pode ir em busca do conhecimento por conta própria para atender a sua curiosidade. Esse pode ser, então, um cuidado que promove a aprendizagem criativa, que é a aprendizagem que acontece a partir da curiosidade da criança. Geralmente o conhecimento que a criança aprende dessa forma é assimilado com mais facilidade e permanece com a criança por mais tempo do que o conhecimento que é imposto, já que a criança esta aprendendo algo que faz sentido para ela.

 

Os riscos: O excesso de contato com os aparelhos eletrônicos pode dificultar o repouso das crianças.

 

 

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Por outro lado, não é nenhuma novidade a ideia de que existem riscos envolvidos no uso excessivo da tecnologia. O excesso de contato com os aparelhos eletrônicos, assim como acontece com os adultos, pode dificultar o repouso das crianças. A experiência com a maioria dos brinquedos respeita o ritmo do interesse da criança. Quando o interesse surge espontaneamente, a criança busca o brinquedo e permanece entretida na sua experiência. Aos poucos, a experiência se esgota naturalmente, já que o interesse da criança foi atendido pela diversão que a brincadeira lhe proporcionou. Por isso, se a criança está brincando de noite e os pais pedem para que ela escove os dentes e se prepare para ir dormir, é possível que ela tente negociar mais alguns minutos para terminar a brincadeira. Porém, depois que a brincadeira se esgota, a criança provavelmente não terá dificuldade para atender ao pedido dos pais e ir deitar.

 

No entanto, os videogames e os jogos no Ipad criaram novos obstáculos para a criança poder brincar dessa forma, seguindo o ritmo do seu próprio interesse. Isso porque esses dispositivos apresentam tantos estímulos que antes mesmo da criança perceber que seu interesse já foi atendido, a sua atenção se volta para um novo estímulo, o que faz surgir um novo interesse. Por isso, é bem mais difícil para ela se “desligar” e conseguir descansar ou se voltar para outra atividade.

 

 

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Se para os adultos a dificuldade de se “desligar” também traz alguns problemas, principalmente relacionados ao estresse, para as crianças que estão em pleno período de desenvolvimento, o que está em jogo não é só uma noite mal dormida, mas a aprendizagem de habilidades emocionais muito importantes como a capacidade de perceber as próprias sensações, e o desenvolvimento da criatividade e do autocontrole, por exemplo. O desenvolvimento dessas habilidades pode ficar comprometido pelo excesso de estímulos que esses aparelhos apresentam. Por isso, não só é importante ajudar a criança a se “desconectar” quando ela não consegue fazer isso sozinha, restringindo o uso desses aparelhos para um período de tempo determinado, como também é preciso estimular a brincadeira com outros brinquedos ou com outras crianças.

 

Os riscos: O uso excessivo dos aparelhos eletrônicos pode levar a criança a desenvolver uma tendência ao isolamento

 

 

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No entanto, muitas crianças se mostram resistentes em deixar os jogos eletrônicos de lado e parecem desinteressadas em brincar com outros brinquedos ou com outras crianças. Esse desinteresse está relacionado a outro risco do uso excessivo dos aparelhos eletrônicos, que é o risco do isolamento. Um dos principais fatores que pode levar a criança a desenvolver uma preferência a permanecer isolada do contato com outras crianças e com dificuldade para se envolver em brincadeiras mais criativas é o hábito de muitos pais e cuidadores de crianças, que se acentuou muito nos últimos anos, de usarem os aparelhos eletrônicos (televisão, Ipad, celular…) como companhia para a criança. Em muitos casos, os aparelhos eletrônicos fazem a função de uma babá (sem a presença afetiva que uma pessoa é capaz de oferecer) que deixa os responsáveis pela criança cuidarem dos seus afazeres sem serem interrompidos pelas solicitações do bebê ou da criança.

 

É claro que se esse for um recurso utilizado pelos pais de maneira esporádica dificilmente trará maiores consequências para o desenvolvimento da criança. No entanto, quando os aparelhos eletrônicos são usados com a intenção de deixar a criança quieta para não atrapalhar o que precisa ser feito de maneira recorrente ao longo de um período de tempo prolongado, a criança é privada das trocas afetivas e das brincadeiras criativas e o seu interesse por essas experiências pode ficar restringido.

 

Para ilustrar a experiência de uma criança que vive em um estado de isolamento, sem reconhecer que pode recorrer as outras pessoas para pedir ajudar, receber atenção e carinho ou se divertir, vou contar a experiência que tive ao desenhar junto com uma criança. Certa vez, pedi para uma menina fazer um desenho de quando ela era bebê. Ela, então, se desenhou no berço e disse que estava assistindo à televisão. Eu perguntei o que aconteceria se o bebê começasse a chorar e ela respondeu que não aconteceria nada, que a televisão estava ligada e ela logo iria parar de chorar. Eu, então perguntei quem iria desligar a televisão quando ela quisesse dormir e ela disse: a televisão está programada para desligar sozinha…

 

Evitar que a criança cresça tendo como referência de cuidado e presença um aparelho eletrônico é um desafio que as novas tecnologias trouxeram para os pais. Para isso, quando os pais percebem que a criança tem mais interesse em se conectar nos seus jogos eletrônicos do que brincar com outras crianças, não basta exigir que ela mude de atitude. É preciso ter em mente que uma criança que brinca e que se diverte com os amigos, é uma criança que expressa suas vontades, que expressa seus sentimentos, chora quando esta triste, briga quando esta com raiva, faz bagunça…. Ou seja, a criança saudável é uma criança que dá trabalho e que exige a presença dos pais, ora com uma postura de acolhimento, ora para impor limites. Por isso, a mudança nesses casos, não parte só da criança, mas também dos pais, que devem se perguntar como eles lidam com o “trabalho” que a criança dá quando ela não está conectada aos seus jogos eletrônicos.

 

 

Carla C. Poppa

CRP: 06/69989

Psicóloga clínica

http://carlapoppa.blogspot.com

 

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3 Comentários:Os benefícios e os riscos dos aparelhos eletrônicos no desenvolvimento das crianças – por Carla Poppa
  1. Avatar
    Andrea

    Ótimo texto!!! Fiquei com dó da criança que dormia com a TV programada…

  2. Avatar
    Danila

    Adorei o post!

  3. Avatar
    Ivanisa Abilno dos Reis Tavares

    oi:)
    Eu so senti falta de uma coisa os argumento,Voces podiam ter separado
    Nao me leve a Mal tá, é so uma ideia.
    Isso esta ótimo eu #curto e #compartilho
    Tá xau
    😉 🙂

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