Minha filha está se cortando. E agora? – por Nossos Doutores

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Psicologia19/03/19 By: Ana Lú Gerodetti
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Olá, moms!

Tudo bem com vocês?

O post de hoje aborda um tema mega importante e atual, principalmente para as meninas que já estão entrando ou que já entraram na adolescência.

Escrito pela equipe do Nossos Doutores, um portal que reúne profissionais da saúde de diversas áreas, o texto fala sobre cutting, a prática de se auto mutilar que tem estado nos nossos radares cada vez com mais frequência. No post, eles abordam questões como a necessidade de cuidarmos da saúde mental e o olhar atento a pequenos sinais.

A equipe do portal, em parceria com o time deles de psicologia, listou algumas dicas, cuidados e formas de lidar com esse assunto tão sério. Como recebemos muitos pedidos de mães que querem conselhos sobre isso, trouxemos ao Just Real Moms esse conteúdo exclusivo e que tanto pode abrir caminhos para nossas leitoras.

Boa leitura!

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Minha filha está se cortando. E agora?

Minha filha está se cortando. E agora? - por Nossos Doutores

 

Muitos pais são pegos de surpresa ao descobrir que seus filhos estão provocando cortes pelo corpo, e a primeira pergunta que fazem é “por que alguém iria machucar a si mesmo?”. Não é simples de entender, nem de aceitar. Pode parecer inconcebível, mas a automutilação, também conhecida como “cutting”, é uma prática muito frequente que tem aumentado entre os adolescentes nos últimos tempos, com predominância maior no sexo feminino.

O cutting já é reconhecido como transtorno mental desde 2013 pela psiquiatria e consiste em agredir ou ferir intencionalmente o próprio corpo com cortes, arranhões, beliscões, queimaduras, entre outros. É um distúrbio emocional que requer atenção e cuidado.

 

Por onde começar o diálogo?

A primeira coisa a ser feita, assim que confirmar que o problema está de fato acontecendo, é aproximar-se de sua filha com tranquilidade e de forma compreensiva, sem criticá-la. Tenha em mente que você quer acolhê-la e convencê-la de que ela precisa se abrir, expressar sua dor e receber apoio – e que não está querendo chamar atenção ou simplesmente seguindo uma “modinha”.

O cutting deve sempre ser levado a sério. Tenha em mente que, se o objetivo fosse simplesmente chamar atenção, as mutilações aconteceriam em locais muito visíveis, não em locais que ela possa esconder com facilidade.

 

Como descobrir o cutting antes que seja tarde?

É importante observar atentamente os filhos. Mudanças aparentemente sutis no comportamento podem significar muito. Se a jovem anda cobrindo ou “escondendo” os pulsos, braços e pernas, usando casacos e mangas longas mesmo nos dias de calor, fique atento.

Observe se ela tem o hábito de se trancar por longos períodos no quarto ou no banheiro e se o adolescente se priva de trocar de roupa na frente dos pais ou irmãos. Verifique se aparecem pequenas manchas de sangue na roupa ou se há lâminas ou objetos cortantes no quarto ou na bolsa da jovem.

Muitas delas praticam o cutting desparafusando a lâmina do apontador de lápis, por exemplo. Geralmente, o adolescente se corta sozinho, principalmente em casa, no quarto ou banheiro.

A adolescência é um dos momentos mais delicados na vida do ser humano, é quando o indivíduo se encontra em processo de formação de identidade e de personalidade. Nesta fase é indispensável um olhar clínico para diagnosticar e tratar as questões que possam ter contribuído para desencadear o cutting.

O distúrbio pode começar em qualquer idade, porém, na maioria das vezes, ocorre na adolescência. As agressões são feitas geralmente em regiões do corpo que possam ser escondidas, e não são somente cortes. Existem casos de automutilação que se manifestam por beliscões, arranhões, queimaduras de cigarro, arrancar os cabelos, entre outros. O cutting inclui qualquer comportamento intencional que envolva uma agressão direta ao próprio corpo, sem que o objetivo seja o suicídio.

 

“Minhas amigas também fazem. Então, é normal.”

Não, não é. Por mais que vários adolescentes e pré-adolescentes pratiquem o cutting, ele não é, em absoluto, um comportamento normal.

Muitas vezes a adolescente não tem consciência exata das razões pelas quais começou a praticar a automutilação. E, como a prática está cada vez mais comum entre as jovens, elas têm a falsa sensação de que não há nada de errado, nenhum problema a ser tratado. Entre os motivos, estão a carência afetiva, depressão, baixa autoestima, bullying e transtornos alimentares.

A automutilação é, na verdade, uma cortina para esconder conteúdos mais profundos de quem a comete. É um transtorno psiquiátrico e que requer tratamento. Dependendo do grau de fragilidade da personalidade do indivíduo, faz-se necessário tanto o atendimento por meio de psicoterapia quanto de terapia medicamentosa.

E, infelizmente, muitas vezes o que se inicia como uma “válvula de escape”, usada para lidar com o sofrimento, acaba se tornando uma compulsão ou uma dependência.

O cutting, para essas jovens, é uma estratégia inconsciente que usa a dor como forma de extravasar. É uma forma de aliviar os sentimentos de vazio, de isolamento e as emoções negativas. Uma forma de distrair a atenção de outras questões, de diminuir os sentimentos de raiva, tensão ou mágoa.

 

Como ajudar quem pratica o cutting?

A primeira coisa a ter em mente é que o cutting é tratável. O apoio e compreensão dos amigos e familiares nesse momento são bastante importantes, junto com a atenção de um profissional. A psicoterapia é fundamental para ajudar a jovem a lidar com suas ansiedades e frustrações de forma mais madura e aprenda a aliviá-las de outras formas, sem se cortar.

É importante também que as famílias estejam cientes de que, em alguns casos, os problemas familiares podem estar entre as causas que levaram a jovem a praticar o cutting – e isto pode ser um sinal de que a própria família precisa de ajuda.

Automutilação é a substituição de uma dor por outra. É a busca do alívio de uma dor, mesmo que não identificada. É um sinal silencioso de algo não vai bem.

Procure e ofereça ajuda. Procure profissionais da saúde. Psicólogos e psiquiatras saberão como conduzir o tratamento que oferecer à jovem as ferramentas emocionais para enfrentar os problemas da vida e da adolescência com maturidade, sem se precisar praticar mais o cutting ou se auto agredir.

 

Artigo escrito pela equipe de conteúdo científico do Nossos Doutores.

 

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