Como ajudar a criança a lidar com a raiva – por Carla Poppa, psicóloga

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas09/10/13 By: Carla Poppa
(5) Comentários

 

Oi, meninas, tudo bem?

 

O post de hoje é da nossa colunista, a psicóloga Carla Poppa, que tratará sobre como ajudar a criança a lidar com a raiva!

 

Vale a pena a leitura!

 

 

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Como ajudar a criança a lidar com a raiva

 

 

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A criança quando sente raiva, assim como acontece com qualquer outro sentimento, se expressa em busca de um alívio. No entanto, mesmo os pais que conseguem acolher de maneira empática os sentimentos e as expressões dos seus filhos, com frequência sentem dificuldade em lidar com a raiva da criança.

 

Talvez isso aconteça porque se a criança é agressiva em público é comum que os pais sintam que as outras pessoas estão observando e julgando a sua reação, o que pode deixá-los inseguros em relação a qual atitude tomar. Além disso, muitas vezes, quando a criança expressa a sua raiva e fala de maneira agressiva com os seus pais é possível que eles se sintam pessoalmente ofendidos e revidem os ataques da criança, o que bloqueia a via do diálogo e compromete a possibilidade de compreensão da sua experiência por meio da empatia. Quando isso acontece, as brigas desgastam a relação e não alcançam um sentido, já que os pais ficam impedidos de ensinar para a criança uma nova maneira de agir nos momentos em que sente raiva.

 

O primeiro passo é ajudar a criança a se acalmar.

 

Por isso, diante do sentimento de raiva que a criança expressa com palavras e/ou atitudes agressivas, o primeiro passo é respirar fundo, manter a calma e lembrar que revidar ou bater boca são atitudes que tiram o adulto da posição de cuidador e impedem que a criança receba os cuidados que vão ajudá-la a lidar melhor com esse sentimento no futuro.

Isso não quer dizer que os pais devem aceitar e permitir que o seu filho (a) fale com eles de maneira agressiva sem esboçar nenhuma reação. Quando a criança está dando um chilique, gritando ou xingando, por exemplo, é importante conter a sua ação e ajudá-la a se acalmar. Nessas horas, é interessante escolher sempre a mesma técnica como, por exemplo, se abaixar na altura da criança, segurá-la com firmeza e pedir para que respire fundo e olhe nos seus olhos algumas vezes. Se essa técnica funcionar e for utilizada de maneira repetida, ao longo do tempo, a criança já começa a associar o pedido para respirar fundo com a sensação de bem-estar e o processo de reestabelecer a calma pode acontecer com maior tranquilidade tanto para os pais quanto para a criança.

 

Quando a criança se acalma é possível ajudá-la a compreender o que está sentindo e propor atitudes para lidar com a situação que provocou raiva.

 

 

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Assim, quando a criança se acalma é possível começar a conduzir a situação com a intenção de ajudá-la a alcançar uma nova compreensão sobre o que ela sentiu e ensiná-la uma nova forma de agir em uma situação semelhante no futuro. Para que isso seja possível, os pais precisam sintonizar com a experiência da criança por meio da empatia. Ao se colocarem no lugar do filho (a) é possível identificar o que pode ter provocado raiva nele (a). Nesse momento, é importante relembrar a ordem dos acontecimentos e ter em mente que a raiva pode ser desencadeada pelos mais diferentes motivos. É possível que esse sentimento seja parte da uma experiência de ciúmes, como quando a criança gostaria de ter a atenção dos pais só para ela e percebe que precisa dividi-la com o irmão, por exemplo. Pode ser também que o comportamento agressivo na verdade seja decorrente do mau humor que a criança experimenta quando está cansada e/ou com fome. Também é possível que a raiva seja uma reação a uma atitude desagradável de outra pessoa em relação a ela. Além disso, a criança também pode sentir raiva quando ouve um “não”. Ou seja, em uma experiência de frustração quando seus desejos não são atendidos pelos pais.

 

Ao relembrarem dos acontecimentos colocando-se no lugar da criança, os pais podem reconhecer a situação que provavelmente despertou a raiva na criança. Na medida em que conseguem apreender a sua experiência, ou seja, na medida em que conseguem sintonizar e serem empáticos com o que a criança está sentindo surge a abertura para o diálogo. Nesse momento, ao compartilharem com a criança a sua impressão de que ela pode estar com raiva porque acabou de se desentender com um amigo, ou porque está cansada, ou ainda porque sentiu ciúmes ao ver seus pais brincando com o irmão, os pais estão ajudando a criança a dar um nome para o seu sentimento. Dar um nome pra o sentimento e colocá-lo dentro de um contexto é fundamental. Sem isso, os pais ficam restritos aos sermões e discursos moralistas que acabam não fazendo sentindo para a criança. Quando os pais conseguem compreender o sentimento da criança de maneira empática e a ajudam a diferenciar seus sentimentos, eles estão educando e ensinando a criança a partir da sua própria experiência e esse é um aprendizado que fica registrado na memória da criança de maneira natural.

 

 

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Se a criança confirma a impressão dos seus pais com um olhar de alívio por se sentir compreendida ou contando como foi o desentendimento que teve com o amigo, por exemplo, os pais podem se basear nas suas próprias experiências para ensinar a criança a lidar com esse sentimento sem precisar ofender ou agredir a outra pessoa. Nesse caso, é possível sugerir para a criança que ela pode contar para o amigo que o que ele fez a deixou com raiva e pedir para que ele não tenha mais essa atitude com ela. Além disso, também ajuda sugerir que a criança coloque o acúmulo de energia que a raiva mobiliza no seu organismo “para fora”, seja por meio de algum esporte ou mesmo batendo em almofadas, por exemplo. Essas sugestões ajudam a criança a descarregar o seu mal estar e retomar a sensação de tranquilidade.

 

Assim, quando os pais conseguem manter a calma e percebem que precisam ajudar a criança a lidar com a raiva em vez de se sentirem ofendidos e revidar os seus ataques, eles proporcionam aprendizados muito valiosos que a criança leva consigo e vai aprimorando nas suas relações. Nesse sentido, o autocontrole (que ela vai conquistando ao aprender a se acalmar para identificar com clareza o que está sentindo e poder agir de maneira coerente), o autoconhecimento (que é construído a partir da sua capacidade de perceber e dar um nome para os seus próprios sentimentos) e a abertura para o diálogo (que proporciona a solução de conflitos de maneira madura) são recursos que a criança desenvolve quando pode contar com ajuda para enfrentar os momentos nos quais é tomada pela raiva.

 

 

Leiam ou releiam outros temas de interesse abordados pela psicóloga Carla Poppa aqui no blog: timidez na infância, desobediência; tristeza e briga entre irmãos.

 

 

5 Comentários:Como ajudar a criança a lidar com a raiva – por Carla Poppa, psicóloga
  1. Andressa

    Boa tarde, meu nome é Andressa e tenho uma filhinha de seis anos que se chama Manuela, ela é uma menina com comportamento muito tranquilo e obediente!! Recentemente tem acontecido algumas situações em que a nossa afilhada que é três anos mais velha que ela e que ela idolatra tem “ignorado” ela qdo esta com outras meninas e ela esta sofrendo muito com isso… Como posso orientá-la para que isso não a deixe tão triste pois na vida ela ira se deparar com algumas situações de exclusão e gostaria de poder ” prepará-lá” para que não seja tão difícil lidar com isso como esta sendo agora. Ela tem crises de choro comigo muito sentida…

    Obrigada pela atenção e adorai receber ajuda em relação a isso!!!
    Bjos,
    Andressa Weiss Scottini

    • Juliana

      OI Andressa, tudo bem? Vou pedir para a Carla te responder,ok? Beijos

  2. gina

    O q fazer quando os avos maternos interferem na educacao da criança?pois passo por u
    Isso diariamente tenho conflitos com minha mae por interferirem na educacao do meu filho de 6 ele esta se tornando uma criança agressiva respondao briguento ja n sabemos mais o q fazer qnd estamos na casa da minha mae ele parece outra criança grita xinga levanta mao para me bater pior diz q nao gosta de mim do pai…levamos em uma piscologa mas n vimos mudanças entao estamos trocando ja n sabemos mais como lidar com isso

  3. gina

    O q fazer quando os avos maternos interferem na educacao da criança?pois passo por u
    Isso diariamente tenho conflitos com minha mae por interferirem na educacao do meu filho de 6 ele esta se tornando uma criança agressiva respondao briguento ja n sabemos mais o q fazer qnd estamos na casa da minha mae ele parece outra criança grita xinga levanta mao para me bater pior diz q nao gosta de mim do pai…levamos em uma piscologa mas n vimos mudanças entao estamos trocando ja n sabemos mais como lidar com isso

  4. Juliana

    Meu filho de 4 anos começou a apresentar comportamento agressivo na escola, bate, chuta e grita muito com os colegas, professores e cuidadores…gostaria de saber como devo ensina-lo a direcionar a raiva para outra coisa…ele já pratica esportes…a raiva é mais acentuada quando ele não quer fazer alguma atividade na escola.
    Obrigada!

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