Cama compartilhada: Mitos e verdades

Dicas dos especialistas19/08/19 By: Renata Soifer Kraiser
(25) Comentários

 

Olá, moms!

Em algum momento, todas nós já colocamos o bebê para dormir com a gente e o marido, seja para o pequeno dormir mais ou para amamentar. Mas vocês sabiam que existem muitos riscos envolvendo este hábito? Traumas, complicações para a criança e até óbito. Por isso, a leitura deste post é extremamente importante! A nossa colunista, Renata Soifer Kraiser, psicóloga e autora do livro O sono do meu bebê, conta para a gente os mitos e as verdades que DEVEMOS saber sobre a cama compartilhada. Saibam os motivos pelos quais a OMS é contra esta prática e fiquem por dentro do assunto!

Confiram!

 


 

Tenho lido muitas coisas sobre a cama compartilhada e apesar deste ser um tema muito polêmico, resolvi falar sobre ele, pois o considero de grande importância.

A cama compartilhada é aquela onde pais e filhos compartilham o mesmo leito. Muitos o fazem porque acreditam que é o único meio de garantir a amamentação prolongada ou de fazer o bebê dormir à noite. Alguns também acham que é uma prova de amor, pois assim como os animais, devemos permanecer permanentemente junto ao bebê.

Em primeiro lugar quero falar sobre a posição da OMS (Organização Mundial da Saúde). A OMS recomenda a amamentação por 2 anos ou mais, mas é terminantemente contra a cama compartilhada. Assim, podemos entender que para amamentar um bebê por 2 anos ou mais, não é necessário dormir no mesmo leito, caso contrário a OMS não seria contra a cama compartilhada.

Então o primeiro ponto é separar uma ideia da outra. É possível amamentar seu filho por quanto tempo você desejar sem fazer uso da cama compartilhada. Sou testemunha de casos assim diariamente.

E qual seria o motivo da OMS ser contra a cama compartilhada?

O motivo chama-se estatística. Os países onde a prática da cama compartilhada é comum, como Japão e China, e até mesmo na África ou entre os índios, é onde existe o maior índice de morte súbita.

Isso significa que não são apenas os pais que usam drogas e/ou fumam que infelizmente podem passar por essa terrível situação. Alguns, sem querer, rolam sobre o bebê esmagando-o, ou durante o sono profundo movem-se com as cobertas, o que pode sufocar o bebê. Além disso, os bebês não conseguem regular muito bem sua temperatura e o contato permanente com o corpo dos pais, o que pode levar ao hiperaquecimento, uma das causas de morte.

O gás carbônico exalado pelos pais muito próximo ao bebê, também pode levar a dificuldades respiratórias.

A morte súbita do lactante não é algo que só acontece com ETs ou pais relapsos. Pode acontecer com qualquer um de nós. Pode acontecer no berço ou na cama compartilhada, só que na cama compartilhada a probabilidade é maior. É por isso que a OMS não recomenda a cama compartilhada.

OK, mas e o que dizer da mãe natureza? Que faz com que os mamíferos fiquem próximos aos seus bebês para amamentá-los?

Bem, na natureza a morte não é um evento tão dramático. Quem já viu uma cachorrinha com seus filhotinhos sabe. É comum um ou outro morrer esmagado, ou simplesmente morrer. Seguindo a natureza, teríamos inúmeros filhos no decorrer da vida e as perdas fazem parte, como quando ouvia minha avó contar que a mãe dela teve 12 filhos, mas alguns “não vingaram”.

Morrer no parto também era bastante comum. Tanto as mães como os bebês.

Mas depois da revolução industrial e digital, do uso de contraceptivos e da inserção das mulheres no mercado de trabalho, a maternidade tornou-se mais tardia, e não é muito comum um casal ter mais de 2 ou 3 filhos. Nossos bebês são preciosidades. Muitos são frutos de fertilização ou de uma espera de anos até que a situação estivesse “perfeita” para a chegada do bebê. Mesmo as mães mais jovens não costumam desejar ter 14 ou 20 filhos como no passado.

A morte não é mais vista como parte da vida. A morte é um evento terrível, uma tragédia, principalmente quando se trata de um bebezinho. Superar esse trauma é muito complicado do ponto de vista psicológico, ainda mais se existe a culpa do “talvez eu pudesse ter evitado”.

E como fica a parte emocional? As necessidades de carinho e amor, de toque e contato que o bebê tanto precisa? Será que não é nocivo manter-se distante do bebê durante o sono?

Ao contrário. O bebê pode e deve ter seu espaço. O excesso de simbiose é prejudicial tanto para o bebê quanto para a mãe. No início da vida, assim que o bebê sai do útero, é normal e esperado que mãe e bebê passem muito tempo grudados. Porém, colocar o bebê para dormir em seu berço, ainda que próximo aos pais é uma atitude que vai diminuir as chances de morte súbita e ajudar o bebê a entender que é um ser separado e distinto de sua mãe, sem que isso represente um problema.

Massagear, embalar, dar colo, amor, carinho, atenção e muito toque, é essencial para a saúde física e mental do bebê. Mas isso não significa ficar 24h por dia, 365 dias por ano grudado. É possível amar e garantir todo o toque e contato que um bebê necessita durante as horas em que estamos acordados. Converse com uma mãe de trigêmeos ou de vários filhos em “escadinha” e você verá como é possível.

E como fica a amamentação em livre demanda? É possível amamentar por anos a fio sem fazer a cama compartilhada? Claro que sim! O problema acontece quando os pais acreditam que todo o choro é sinônimo de fome e não é. O bebê pode chorar porque está com as fraldas sujas, ou porque está sozinho, ou porque está com sono, ou porque está com calor. O peito não deve ser a resposta para qualquer desconforto da vida. A mãe e o pai (sim, o pai que não tem peito, mas tem amor pelo filho) devem ensinar gradativamente ao bebê as respostas adequadas para cada tipo de situação. Assim, se seu filho está com as fraldas sujas, o correto é trocá-lo e não amamentá-lo.

Claro que no começo da vida o bebê pode precisar ser levado mais vezes ao peito para estimular a produção de leite, claro que essa sensibilidade dos pais é muito importante para que a amamentação seja algo prazeroso e não penoso. Porém, os pais que usam o peito como esparadrapo das emoções, como uma forma de fazer o filho simplesmente parar de chorar, estão entrando em um caminho complicado onde comida é resposta para todos os males da vida.

Ao dormir e amamentar o bebê ininterruptamente, temos ainda outros problemas. Mamar deitado, na horizontal, faz com que o leite escorra para os ouvidos, aumentando a chance de otites. Além disso, impedimos o bebê de criar um ritmo para seu relógio biológico, o que atrapalha as noites de sono, pois quando o bebê “mama picadinho”, ele “dorme picadinho”. Então se a intenção era dormir melhor com o bebê na cama, o resultado é exatamente o inverso.

Para terminar o texto, quero lembrar aos pais que além de pais eles são marido e mulher. Já ouvi muitos relatos de filhos que presenciaram cenas de sexo entre os pais, quando estes acreditavam que o filho estivesse dormindo, quando na verdade ou não estava, ou foi acordado pela movimentação dos corpos e alteração na respiração dos pais. Não é saudável para a criança observar cenas como essa. Os pais que tem consciência disso, muitas vezes se distanciam, esquecem seu papel no casamento e acabam focando apenas nos filhos, o que mais tarde pode resultar em um distanciamento difícil de reverter.

Se você acredita que a cama compartilhada é a única maneira de prover amor para seus filhos, reflita sobre esse texto. A OMS não seria terminantemente contra à toa. Há várias formas de amar e prover as necessidades emocionais e nutricionais de nossos filhos sem expô-los a um risco mundialmente reconhecido.

 

Renata Soifer Kraiser é psicóloga e Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Autora do livro “O sono do meu bebê”, ed.CMS, fruto de seu mestrado sobre este tema.

Para conhecerem melhor o trabalho da Renata, acessem: www.terapeuta.psc.br.

 

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25 Comentários:Cama compartilhada: Mitos e verdades
  1. Avatar
    mariana

    Bom dia! O que fazer quando o bebê apresenta refluxo intenso (incluindo sair leite pelo nariz) desde os 20 dias de vida? Não seria perigoso deixar distante dos pais na hora de dormir?
    Obrigada

    • Avatar
      Renata Lima

      Mariana,

      Meu bebê está com 46 dias e também volta leitinho. Converse com seu pediatra primeiramente. O meu começou até antes do seu. Ele está tomando Label gotas, 18 gotas a cada 12h. Eu fico sempre de olho e ele dorme em um bercinho portátil coladinho no lado da minha cama. Ele já sabe se virar para ficar livre do refluxo, mas eu não relaxo, fico sempre de olho e ajustando a posição. Até o quarto mês essa fase passa, alguns vão até o sexto. Mas o melhor mesmo é sempre procurar o médico, se possível, ter segunda e até terceira opinião.
      No mais, tomando cuidados, tudo dará certo. Muita saúde para seu bebê.

      Abs

      Renata

      • Avatar
        Renata Lima

        ao lado*

        Eu uso também travesseiro triangular (rampa) anti-refluxo.
        Meu marido e eu também vamos trocar o colchão.

      • Avatar
        mariana

        Obrigada pela atenção Renata! Meu rapazinho ta tomando label e domperidona e dorme comigo na cama!! Estou a procura do berço que se encaixa na cama! Acho que vai ficar no meu quarto ate os 6 meses! Rsuru.
        Bjs
        Saúde aos nossos filhos.

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        Viviane

        Renata,
        Acho bastante complicado vc indicar nome de remédio, incluindo a dosagem. Quem tem que fazer isso é o medico, diante uma avaliação.

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    Bianca

    Olá, eu gostaria de saber de onde foi tirada essa posição da oms, porque nao consegui achar; e se voce colocar no google basicamente todos os artigos e sites, tanto em inglês quanto em português, falam exatamente o contrário). Sei dos riscos da cama compartilhada, mas ela deve ser feita segundo vários passos de segurança que garantem que nada de ruim acontecerá. Além disso, a mãe que amamenta tem um sono muito mais leve e consegue perceber o bebê muito bem. Por isso a criança fica entre a mãe e a parede, podendo inclusive ser utilizado uma extensão apenas para o bebê.
    Enfim, peço por algumas fontes da pesquisa para eu poder ler sobre a posição contrária. Obrigada desde já.

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    lidiane

    É, acho q esse assunto é mto polêmico msm, e por isso n tão simples quanto parece… Já fiz uso da cama compartilhada e n pelo motivo aí colocado, mas sim por dificuldades relacionadas ao pós operatório. E essa colocação de que o bebê mamar deitado irá fazer o leite escorrer para a tuba auditiva q de fato, nessa fase é mais horizontalizada, era uma crença minha, e vi um post de uma pediatra explicando o que acontece nesse caso, o bico do mamilo toca em uma região da cavidade oral que promove a contração do músculos do palato e desta forma protegem o ouvido enquanto o bebê tá sugando. Acho pertinente colocar a informação pra que mtas mães possam realizar algo tão espexial que é amamentar, da maneira mais relaxada possível!

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      mariana

      Foi ótimo ter falado isso! Eu ja estava apreensiva em dar de mamar deitada!! Obg! =*

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    camila

    Parabéns pelo posicionamento corajoso adotado no artigo! Em verdade, cada mãe deve fazer o que acha que deve, e o texto relatou bem o “outro lado”, já que vemos sempre o incentivo das camas compartilhadas (esse tipo de artigo é muito fácil de encontrar na internet!). De Içami Tiba a Laura Gutman existe uma infinidade de crenças sobre a criação dos filhos (muitas delas opostas ou contraditórias). O papel dos blogs, livros e notícias é informar, de modo que a decisão de como proceder é solitária, de cada mãe. O importante é que todas tem o melhor interesse da criança em mente!!

    Parabéns!!

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    Viviane Vieira

    Renata,
    Parece que vc faz uma extrapolação e interpretação enviesada do que existe na literatura. Mas acho que aqui é um bom espaço para discussão, se estiver disposta. No Link compartilhado do Facebook, existem vários comentários interessantes a serem refletidos. O que acha? O que não dá é não aprofundar sobre todas essas informações que vc colocou, que apresentam origem duvidosa.

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    Lúcia

    Já leram a parte dos mitos? Agora segue a parte das verdades: http://cosleeping.nd.edu/safe-co-sleeping-guidelines/
    A serio, vale a pena dar uma vista de olhos no site de um dos maiores especialistas do assunto; tem uma visao livre de preconceitos.

    • Avatar
      Mariana

      Adoro o blog e o visito sempre, desde a gravidez. Mas devo concordar que esse texto me desagradou profundamente. Não por conter uma opinião contrária à minha mas pela forma pelo qual foi escrito. Como já dito por algumas mães, cada mãe e cada família tem uma realidade. Não cabe à mim, ao blog ou à OMS dizer que estão erradas. Cada casa tem uma dinâmica, cada filho é de um jeito, tem peculiaridades. Na teoria é muito fácil dizer que o bebê tem que dormir no bercinho, no quarto dele desde o primeiro dia de vida. Mas, na prática, a realidade é muito diferente. As mães passam por uma fase muito dura, de muito cansaço, stress, sono e só elas (ou nós) sabemos como tornar a experiência mais tranquila e prazerosa. Como já dito, dados, estatísticas são muito relativas e podem ser muito tendenciosas. Esta colocação sobre a cama compartilhada, pra mim, é como a comparação entre parto normal e cesariana. Cada mãe deve fazer sua escolha e ponto final.

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        Janaina Aguiar

        Excelente texto da psicóloga Renata Soifer Kraiser, transparente e objetivo, saiu do lugar comum e do mundo cheio de clichês acostumado a passar a mão na cabeça das mamães.

        Cama compartilhada é uma situação de alto risco físico para o bebê e ponto final, é perigoso, pode matar a criança, é uma informação simples, triste e real!

        E para a nossa sorte, pois também sou mãe, temos acesso a esse tipo de informação, e não fazer um bom uso dela seria o equivalente a não zelar pela vida do filho que nos foi dada como presente divino.

        Parabéns Juliana e Renata pela publicação, e parabéns Dra. Renata por nos lembrar que a maternidade pede sacrifícios que vão além do nosso querer e do nosso individualismo.

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    Marina

    Quem estuda de verdade, é acadêmico, cientista sabe que qualquer um justifica qualquer coisa fazendo um paper e um periódico qualquer aceita publicar. Ai ai.. Isso é mais antigo que andar pra frente. Já não tinha muita empatia pelo blog, agora então… Continuem justificando o que querem pois pra tudo existe um ‘artigo’ nessa vida. O que poucos sabem é analisar a metodologia, onde foi publicado, se é confiável e principalmente quem patrocinou… Ah vá!

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    erica

    Sou adepta da cama.compartilhada, e nao concordo com.mta coisa dita no texto. Sim, o risco de morte subita é maior, mas veja a situaçao no qual a familia está inserida. Nem.tudo que é recomendado é lei, ja diz é uma recomendaçao. O inicio da vida materna é mto atribulada, e mt dificil uma mae sair o tempo todo para ir ver o bebe no quarto, seja por estar se recuperando, seja pelo sono. Esquecemos q somos animais, temos.instintos. Meu filho dorme comigo desde q nasceu, o sono da noite é cmg, tenho mt mais controle com ele ao meu lado do q com ele no berço, quando eu colocava no berço ei dormia mt mais profundamente do q com ele ao.meu lado.
    Acho que a cama compartilhada é mt valida, a mãe tem um.controle melhor da situaçao, existe um elo maior entrea mae e o bebe, e nao vai ser o fato do bebê dormir ou nao com os pais na cama q vai tornar ele um individuo dependente. Além do mais, sobre a oferta da amamentaçao: se faço aleitamento em livre demanda e devo oferecer ao meu filho, se ele quiser apenas para se sentir acolhido, confortavel ele vai pegar e nao vai sugar com.o intuito de alimentaçao. O seio da mae é alem de fonte de alimento, um local no qual ,o bebê q nao faz a menor ideia do q está acontecendo se sente seguro e acolhido. Eu nao deixo meu filho chorando, isso sim pode trazer mt mais frustraçao do q eu dar o seio apenas pra ele se sentir confortaveç, isso nao o fara um glutao obeso.
    Ser mãe é seguir instintos, é escutar o q o coraçao fala. Meu pediatra diz: vc sempre vai saber o q fazer, a gnt está apenas para orientar. Entao, deixem as maes serem mães.

  9. Avatar
    sergio

    Meu filho dorme conosco em nossas camas.
    Digo nossas camas pois temos duas camas enormes encostadas uma na outra formando uma imensa cama.
    Eu acho errado e já falei pra ele que se ele não for dormir em sua própria cama eu não darei aquele carro prometido…ele tem até os 18 anos para decidir.
    Desculpe a brincadeira…ele tem 5 anos, dorme conosco, é uma criança espetacular, alegre e independente.
    Fazemos milhoes de coisas juntos como andar de caiaque, bicicleta,acampamentos, stand up e trilhas na mata, praia e em montanhas…não vejo porque não dormirmos juntos também…é fantástico!
    Ah…e quando temos visitas dos priminhos, dormimos todos no mesmo quarto… é meio que um acampamento mesmo. Contamos estórias e aos poucos o silêncio vai surgindo e todos literalmente apagam.
    Quando era bebê ele dormia em seu berço ao lado de nossa cama por questões de segurança obviamente, mas quando ficou maior, acho que com mais de dois anos, compramos a outra cama e ele veio para o meio.
    Quanto a chamada “intimidade do casal”…o que seria isso, sexo?
    Ahhh…vai muito bem obrigado…nossa casa tem espaços fantasticos inclusive a cama inútil dele…rs
    Bom, é isso…sem polêmica e simples assim!

    Abraço

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