Ansiedade infantil: Nossos filhos vivem a geração mais triste da história

De Mãe para Mãe - Desenvolvimento - Dicas dos especialistas - Psicologia - Relacionamentos - Saúde da Criança29/04/18 By: Juliana Freire
(42) Comentários

 

Oi moms,

Uma grande amiga me enviou um texto muito interessante sobre ansiedade infantil, com uma entrevista com o Dr. Augusto Cury sobre os desafios de se criar os filhos hoje e como a família e a escola têm educado os pequenos.

Dr. Augusto Cury tem livros publicados em mais de 70 países e dá palestras para multidões no Brasil e lá fora. O psiquiatra é autor do best-seller Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século e atingiu a marca de 10 livros nas listas de mais vendidos, liderando as listas de ficção e não ficção ao mesmo tempo.

Leitura obrigatória para todas as mamães.

 

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Ansiedade infantil

 

1- Excesso de estímulos

“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam os presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades socioemocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

 

2- Geração triste

“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

 

3- Dor compartilhada

“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

 

4- Intimidade

“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades socioemocionais.”

 

5- Mais brincadeira, menos informação

“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

 

6- Parabéns!

“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

 

7- Conselho final para os pais

“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”

 

Fonte: M de Mulher

 

 

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42 Comentários:Ansiedade infantil: Nossos filhos vivem a geração mais triste da história
  1. Samia

    Cada vez mais difícil criar nossos filhos. Cada dia lemos coisas diferentes, eu fico pensando o que cabe na realidade de cada um e como os pais podem se sentir, também, menos culpados e mais realizados. Difícil.

    • roger

      As crianças de hoje estão sobrecarregadas… Muitas atividades: Além da escola, tem as escolinhas de natação, de futebol, aulas de Inglês, JUdô, etc.
      Criança tem que BRINCAR, tem que ter o tempo dela sem horário e sem “patrão”.

    • Flavia

      Concordo com VC Samia. Achei o texto meio contraditório … As crianças estão sobrecarregadas e os pais TB.

  2. lirian

    Excelente

  3. lirian

    Parabéns pela iniciativa do blog

  4. Francisca

    Excelente!

  5. Paula

    Muito bem colocado, Juliana! São “detalhes” que até já sabemos, mas precisamos de vez em quando ler ou ouvir algo assim para sermos lembradas. Beijos

  6. Tiago Barros

    Excelente. Gostaria de receber algum conteúdo direcionado ao pai separado, que cumpre a criação compartilhada do filho(a). Qual a melhor forma de conduzir, por exemplo, a inserção de uma parceira na relação familiar, sem que haja equívoco, embaraço, instabilidade emocional,decepções e traumas por parte da criança?

  7. Mara Penedo Pezoti

    Gostaria que esse texto fosse compartilhado com pais, professores porém que reflitissem sobre o mesmo e colocá-lo em prática. Como avó e professora tenho registrado com frequência tais comportamentos em nome de uma modernidade masque nos .aponta tudo isso que texto assinala.É preciso agir com urgência pela felicidade de nossa crianças. Parabéns pela abordadagem

  8. Janice

    Adorei o artigo

  9. Ana Maria

    Muito bom!!Precisamos ser pais,e não máquinas.

  10. CRISTINA MENDES AMARAL

    SOU PROFESSORA DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO 1º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL. ESTOU MUITO PREOCUPADA COM O QUE TENHO VISTO. AS CRIANÇAS SÓ QUEREM BRINQUEDOS DIGITAIS E JÁ NÃO TÊM INTERESSE PELA LEITURA. FICAM CADA VEZ MAIS DEPENDENTES. VEJO TAMBÉM AS FAMÍLIAS SE DISTANCIANDO COM OS SEUS PRÓPRIOS AFAZERES E DEIXANDO DE LADO O TEMPO TÃO PRECIOSO QUE É O TEMPO DE CONSTRUÇÃO NA VIDA DOS PEQUENOS. ACHAM LINDO ASSISTIREM AO MANUSEIO DOS JOGOS DIGITAIS ESQUECENDO-SE QUE CADA VEZ MAIS PRECISAM DE ATENÇÃO.

  11. Paula

    Amei o post. Bem isso msm, eu msm tento me controlar, e exigir menos do meu filho, ele tem apenas 4 anos e já sabe tanto… Bem mais que eu na mesma idade!

  12. Lorena

    Excelente!!!

  13. Robelia

    Texto muito bom,retrata muito bem os dias de hj de nossas crianças ,eu fico muito triste com isso.As vezes saio pra almoçar e fico observando ,nas mesas famílias ao redor pai ,mãe e filhos todos na telinha ninguém conversando e muito triste.Acho que daqui a pouco quem souber falar coordenar as ideias será um gênio

  14. cintia antoniazi

    NUNCA COMPARTILHEI MINHAS DORES DO PASSADO,
    COM MINHA FILHA …A PARTIR DE HOJE IREI FALAR NO DECORRER DE SUAS DORES …MUITO OBGD..

    • Nadir

      Eu achei um texto ou seja uma mensagem muito interessante e que deveria ser mais divulgado, para que as pessoas lêem e ponha em prática, porque só assim termos uma sociedade muito melhor, com filhos e país mais felizes e unidos, famílias mais presentes.

  15. Cheryl

    Maravilhoso! Perfeito!

  16. joice

    Concordo plenamente! Este é o maior problema do momento eda nova qlpgeração. Vou divulgar

  17. MARY

    MEU FILHO TEM 7 ANOS, E QUANDO ESTA EM CASA ESTA NO COMPUTADOR ASSISTINDO VIDEOS OU NO VIDEO GAME. NÃO SEI MASI O QUE FAZER .. NA TERÇA E QUINTA AINDA CONSIGO LEVAR ELE NO FUTEBOL E NOS PROJETOS DE ESCOLA. MAS ME RESTAM AINDA 3 DIAS DA SEMANA , E COM MEUS AFAZERES NÃO CONSIGO CHAMAR A ATENÇÃO DELE PRA OUTRA COISA. PERCEBO QUE QUANDO NÃO ESTA EM ALGUM ELETRONICO FICA ANSIOSO.
    QUERO VER SE ACHO MAIS ALGUMA COISA PRA ELE FAZER .. NESSES OUTROS DIAS.

  18. Anaelize

    Excelente, vou passar adiante e tentar concientizar as pessoas próximas, já que são muitas pelo fato de eu ser sócia em uma escola, adoraria poder trazer esta palestra até ela.
    Obrigada

  19. Vani Canal

    Excelente texto. Tenho 3 filhos, um de 35 anos e dois de 18 anos e um neto de 1,5 anos. A criação ocorreu em tempos bem distintos e com apelos eletrônicos bem diferentes, mas o que sempre tentei fazer é dedicar parte do tempo livre com bastante qualidade de envolvimento. Não temos que arranjar muitas tarefas para as crianças, temos que ensinar as tarefas, fazer juntos, tudo se torna prazeroso, mesmo lavar os pratos em família é legal. A cabana de cobertor na sala é super divertido, a qualidade do tempo com a criança é fundamental, mesmo que seja 15 minutos por dia.

  20. Claudinei Trolese Lins

    Uma realidade!
    A era digital é tão recente, mas está sendo tão avassaladora.
    Até os meus seis anos de idade não sabia o que era televisão e pelo que me lembro, não sentia falta.
    As crianças estão sendo cada vez menos sociáveis.
    Devemos resgatar esse convívio humano e não transformarmos nossos filhos em companheiros de máquinas.
    Excelente iniciativa o blog.

  21. Maria

    oi!

  22. Maria Isabel Milian

    Bom dia ache muito importante os comentário hoje em dia a maioria de os pais só pensam que, quem tem que educar e as escolas um erro porque as escolas e para aprender e ser alfabetizado conhecimentos da matérias a educação bem de casa os pais tem a obrigação de prestar atenção que acontece com seu filhos e procurar ajuda de médicos e especialista as vezes som os pais que não quer ni preguntam a seu filho como foi seu dia em a escola não prestam atenção em nada da vida de elos obrigada.

  23. Cristina

    Excelente!

    • Priscila

      Grande mestre!!Tenho o privilégio de conhecê-lo pessoalmente e cada vez que se conversa com ele é uma lição!! Tento praticar ao máximo tudo isso e sei que estou fazendo o melhor pros meus filhos!!

  24. Pedro Henrique Cunha Meira

    Falaram o que precisamos ouvir, e o que necessitamos praticar.
    Obrigado.

  25. Daiana

    Excelente! Falou aa realidade.

  26. Heloisa

    Um choque de realidade, que passa desapercebida no dia a dia. Mas e as escolas, quem dá este choque? Como saberemos se as escolas são preparadas para acompanhar as particularidades das crianças? A carga horária e o extenso conteúdo, muitas vezes não permitem.

  27. Priscilla

    Texto muito bom e verdadeiro!!!Excelente!!!!

  28. Tania

    Muito bom!!!me fez abrir os olhos antes que seja tarde!

  29. barbara modesto

    amei vou levar esse artigo pra reuniao de professores muito bom

  30. barbara modesto

    muito bom amei

  31. Silvia

    Muito bom,leitura obrigatoria professores ,pais,avos……

  32. Cleuzimar Maria Duarte

    Muito bom o texto. É isso mesmo que está acontecendo hoje com nossas crianças.

  33. Rosemary de Paula

    Muito bom este texto, realmente para abrir os olhos e atender ao chamado das nossas crianças,as vezes nos pedem só um pouquinho, mas na correria do dia a dia nos esquecemos do que eles mais precisam.Atenção!

  34. jose

    Gostei muito. Parabéns pelo artigo.

  35. Tony Machado

    Parabéns! Alta reflexão…

    • Eduardo de Paiva Reis

      Matéria espetacular. O que todos filhos gostariam que seus pais soubessem. Talvez essa frase, titulo de um livro, se não me falha a memória, possa resumir o que penso desta matéria.

  36. July

    Esse video do Augusto Cury é bem esclarecedor nesse assunto https://www.youtube.com/watch?v=P7N9eztab6s

  37. Regina Célia Lugli Alves

    Com certeza essa é a REALIDADE de nossas crianças.Muito me preocupo,pois tenho um neto de 8 anos e em toda oportunidade que temos ,oferecemos os brinquedos pois assim ele sai do tablet ou dos jogos de videogame.Ele pratica natação 3 vezes na semana ,o que não deixa de ser uma atividade física excelente.Enfim estamos atentos para minimizar os efeitos dos aparelhos eletrônicos no desenvolvimento dele,o que não é nada fácil,(diga-se de passagem).Todos temos que dar exemplos, não adianta falar e ficar com os smartphones sempre nas mãos !

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