A vaidade infantil é saudável? – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Psicologia19/02/18 By: Carla Poppa
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Olá, moms!

Hoje, a nossa querida colunista e psicóloga, Carla Poppa, traz mais um tema bastante falado nos dias de hoje: a vaidade infantil. Até que ponto ela é saudável? Como pode afetar os pequenos? Essas e outras dúvidas foram muito bem explicadas no post super bacana feito por ela.

Confiram o que a Carla escreveu com exclusividade ao Just Real Moms! Vale a reflexão!

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A vaidade infantil é saudável? – por Carla Poppa

A vaidade infantil é saudável? - por Carla Poppa

 

Muitos pais se preocupam quando seus filhos pequenos pedem para passar esmaltes coloridos ou maquiagem, por exemplo. Porém, na maioria das vezes, o esmalte e a maquiagem são percebidos pela criança como um brinquedo. Enxergar suas unhas, assim como o seu rosto com diferentes cores pode ser uma brincadeira divertida, tanto quanto fazer um desenho em um papel! Então, quando as crianças pedem para passar esmalte ou pintar o rosto com maquiagem, de vez em quando, a intenção delas, muito provavelmente, não é de realçar a sua beleza, mas apenas de brincar e de se divertir. Nesses casos, a vaidade não é ainda uma característica da criança, ela apenas esta fazendo uso dos objetos que os adultos geralmente usam para expressar sua vaidade de uma maneira diferente.

No entanto, em alguns casos, o uso desses objetos como a maquiagem, esmaltes, enfeites para o cabelo e roupas pode ser exagerado e interferir na rotina e nas relações da criança pequena. Ou seja, deixa de ser um uso eventual e se torna um hábito que interfere na rotina e nas suas relações (a criança só vai para escola se passar batom e enquanto não passar o batom fica muito agitada e ansiosa, por exemplo). Nesses casos, os pais e as pessoas que convivem com a criança podem acreditar que ela é uma criança vaidosa. No entanto, se a criança de fato não conseguir sair de casa sem a maquiagem, ou se a preocupação com a sua aparência se tornar prioritária e estiver presente em todas as suas atividades, estes comportamentos não devem ser interpretados apenas como uma característica (ela é muito vaidosa), já que estão limitando e tornando o seu dia a dia muito desgastante.

Em alguns casos, a preocupação excessiva com a própria aparência pode ser uma forma da criança tentar exercer algum controle diante de uma situação que lhe proporciona insegurança. As situações de indefinição, quando os pais não sabem se vão ficar juntos ou se separar, se vão mudar de cidade ou pais, por exemplo, podem proporcionar insegurança para a criança. Nesse contexto de indefinição, a criança se sente impotente e desloca a sua necessidade de controle para a própria aparência, o que lhe traz algum alívio. Quando o contexto de indefinição é passageiro, é provável que a necessidade de controle da criança também seja. No entanto, quando essa indefinição se estende ao longo do tempo, é possível que a criança passe a lidar com a sensação de insegurança dessa forma: quando se sente insegura, ela desloca a sua atenção para a sua aparência em busca da sensação de controle.

Essa dinâmica, se não for interrompida, pode ser levada para a vida adulta. Se na infância o problema que provocava insegurança provavelmente estava fora do seu controle e essa forma de encontrar alivio fazia sentido; na vida adulta, além de proporcionar um grande desgaste de energia, impede a adolescente ou a mulher de encarar o problema que lhe provoca insegurança e buscar uma solução efetiva.

Assim, se os cosméticos, enfeites e roupas são objetos de diversão é muito provável que na vida adulta a criança tenha uma relação leve e prazerosa com a própria aparência. Se, por outro lado, os cuidados com a própria aparência limitam o dia a dia da criança, ou se tornam prioritários para ela é importante buscar ajuda, tanto para identificar os fatores que podem provocar instabilidade na vida da criança como para ajuda-la a lidar com a sua insegurança de outras maneiras!

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Carla C Poppa é doutora em psicologia clínica pela PUC-SP, professora do curso de especialização em Gestalt Terapia e de cursos de psicoterapia de crianças no Instituto Sedes Sapientiae.

Atende em seu consultório crianças, adolescentes e adultos, onde também orienta pais em sessões individuais ou em grupo. Para falar com ela escrevam para: [email protected] ou acessem; www.carlapoppa.com.br

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