Quando o amor pelo bebê não é imediato – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Somos todas iguais08/05/17 By: Carla Poppa
(0) Comentários

 

Oie, meninas!

Tudo bem?

Dentre as várias crenças da maternidade, existe aquela de que o “amor materno” surge logo quando o bebê recém-nascido é colocado nos braços das mães, mas não é com todo mundo que isso acontece.

Algumas mulheres não sentem essa emoção intensa despertando no primeiro momento e acabam se sentindo frustradas. Por isso, a nossa querida colunista e psicóloga, Carla Poppa, fez um texto falando sobre o assunto.

Confiram!

 


 

Quando o amor pelo bebê não é imediato

rejeicao pelo bebe

 

Existem muitas crenças relacionadas à maternidade que influenciam diretamente a expectativa das mães. Dentre essas crenças está a ideia de que o amor entre mãe e filho(a) acontece no primeiro contato, quando o bebê é trazido para os braços da mãe logo após o nascimento. Para algumas mulheres esse pode ser mesmo um momento importante, de encantamento, que marca o começo da relação afetiva com o bebê. Porém, para muitas mães, esse primeiro contato não desperta nenhuma emoção mais intensa e, com a expetativa desse encontro frustrada, a culpa pode se tornar mais um fator de estresse entre tantos que se apresentam nesse período do pós-parto.

Para evitar que um ciclo vicioso se estabeleça, no qual a culpa dificulta o surgimento do afeto e a ausência de afeto, por sua vez, intensifica a culpa é importante entender que apesar da crença e da expectativa em relação às primeiras interações com o bebê, não existe nenhuma garantia e nem uma possibilidade de controlar o momento em que o amor pelo filho(a) será despertado. Isso porque uma relação de afeto, de amor, geralmente começa com um momento de encantamento, que acontece de forma surpreendente e inesperada. O encantamento é um momento em que conseguimos nos abrir e usufruir plenamente da companhia e da presença da outra pessoa e, com isso, somos tocados pela beleza desse encontro. E, muitas vezes, acontece em interações do cotidiano. Um sorriso durante uma troca de roupas, ou uma expressão do bebê no momento em que o sol toca o seu rosto são situações simples, que podem encantar e, assim, permitir que a mãe comece a vivenciar com seu(a) filho(a) uma relação de afeto e amor, que vai se fortalecer cada vez mais com a convivência.

Se de um lado, não é possível controlar e premeditar esses momentos de encantamento; por outro, é possível cuidar para criar um contexto que favoreça essa experiência. O estresse vivido logo após o nascimento do bebê com a recuperação do parto, as mudanças pessoais, familiares e profissionais que precisam ser enfrentadas, a privação de sono… podem se tornar obstáculos para essa experiência de encantamento. Isso porque o cansaço intenso e crônico deixa pouca energia disponível para investir afetivamente em novas relações. Então, cuidar de si mesma, prestando atenção aos próprios limites, ao cansaço e pedindo ajuda quando necessário, é um gesto importante não só para o bem estar da própria mãe, como também para o desenvolvimento da relação afetiva com o bebê.

Outro fator que pode contribuir para criar um contexto favorável para que os momentos de encantamento possam acontecer e, com eles, o desenvolvimento do vinculo com o bebê é buscar a ajuda necessária para não se sentir sobrecarregada com as tarefas do dia a dia, que com toda certeza, vão aumentar bastante com o nascimento de um novo filho(a). O excesso de tarefas pode deixar a mulher cansada e sem energia disponível para a nova relação, conforme foi explicado anteriormente. E, além disso, existe o risco das tarefas atravessarem a interação e comprometer a capacidade da mãe de enxergar e assimilar a beleza presente no sorriso e nas expressões do bebê. O encantamento com o bebê só acontece quando a mulher se sente tranquila o suficiente para que, por alguns instantes, ela possa ficar com seu filho com a única intenção de usufruir da sua presença, sem que a intenção de trocar a fralda, dar banho, ou dar a comida atravesse o encontro.

Assim, as interações do dia a dia costumam despertar o afeto e permitir que o vínculo se fortaleça cada vez mais com o tempo. O momento em que o afeto vai ser despertado não pode ser controlado nem previsto, mas é possível assumir alguns cuidados consigo mesma que favorecem essa experiência. A sensação de bem estar é a base necessária para que a mãe possa estar presente na relação com seu filho e, assim, se encantar com as belezas que existem na interação com ele(a).

 


 

Carla C Poppa é doutora em desenvolvimento e psicoterapia infantil pela PUC-SP, professora do curso de especialização em Gestalt Terapia e de cursos de psicoterapia de crianças no Instituto Sedes Sapientiae. Também realiza supervisões e coordena grupos de estudos. Atende em seu consultório, em Higienópolis, crianças, adolescentes e adultos. Para falar com ela escrevam para: [email protected] ou acessem o blog: www.carlapoppa.blogspot.com.br

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X Leia também: