Nasce um filho, nasce uma mãe. Só que não é bem assim… Por Patricia Pires

Bebê - De Mãe para Mãe - Fases - Pós-parto - Psicologia - Recém-nascido - Relacionamentos - Saúde da Criança - Somos todas iguais06/08/16 By: Juliana Freire
(1) Comentários

 

Olá, mamães!

Há alguns dias, inauguramos um novo espaço por aqui, onde as leitoras nos ajudarão a escrever o blog com seus textos, crônicas, desabafos, cartas ou que mais quiserem.

Hoje, o texto é da psicologa Patrícia Pires, mãe da Filipa. Um texto maravilhoso sobre o início da vida de mãe!

Tenho certeza de que se identificarão!

 

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Quando nasce um filho, nasce uma mãe…  Que já tem que saber chupar cana, assoviar e mascar chiclete ao mesmo tempo, se é que me entendem… O início da maternidade é como a chegada a uma cidade nunca antes visitada, um passeio no desconhecido.

Por mais que a gente tenha se organizado para aquilo, nem tudo vai sair como esperávamos. Imagine-se chegando em um novo emprego. Vem um frio na barriga, é até um pouco assustador, né? Claro! É compreensível que uma situação ainda não experimentada, nos mobilize internamente, tudo que é novo, mesmo sendo bom, dá medo.

Pois bem, no meio disso tudo, ninguém avisa que você NÃO estará no auge da sua fortaleza. Sensações estranhas de angústia, melancolia e tristeza vão rondar sua cabecinha por algum tempo. Isso é natural também, já que além de toda a novidade, seus hormônios ainda estão se reorganizando. Medos virão e medos irão embora rapidamente.

Gosto muito de comparar esses sentimentos com as ondas do mar; sem lugar nem hora determinada, no meio do tranquilo oceano forma-se uma pequena ondulação que vai crescendo, apresentando rara beleza, até que chega uma hora que a onda não consegue mais se sustentar, e aquele instante mágico começa a desmoronar. No início, provoca uma imensa explosão, mas, com o tempo, aquela massa branca d’água vai se diluindo e tornando-se igual a todas as outras que por ali um dia passaram. É mais ou menos assim que acontece com a gente, a poeira das primeiras semanas vai baixando, as coisas vão se acalmando e você vai permitindo o novo a entrar e o velho… virar recordação.

A verdade é que somos muito pouco ou quase nada preparadas para uma nova linguagem que teremos dominar; a uma época que teremos que abandonar e, principalmente, à nova pessoa que iremos nos tornar. Por conta disso, vivenciaremos sentimentos de perda, morte e abandono em questão de dias. Vai-se uma época. Todas as nossas direções mudam, ficamos à deriva, sem rumo. Nossas prioridades morrem para nascerem outras. Verdades absolutas se tornam obsoletas.

mudança é essencial para tudo começar a fazer sentido e você assimilar que: quando nasce um filho, nasce uma mãe, mas também, “morre” uma pessoa para dar lugar a outra (na maioria da vezes, muito melhor). Socialmente, você se sente um pouco perdida, vivendo um silêncio solitário, uma autocensura. Afinal, todos estão felizes com a chegada do novo membro à família, e você, sentindo esse misto de sentimentos… Enfim nos despedimos, com uma certa nostalgia, de uma época da vida, porém seguimos em frente com a leve impressão que vamos entrar em uma nova era. Esta por sua vez será cheia de cores, inocência, sorrisos sinceros e muito, muito AMOR!

 

Patrícia Pires é, antes de tudo, mãe da Filipa. Depois é psicóloga especializada em Neuropsicoterapia e Terapia Cognitivo Comportamental. Faz atendimentos individuais em seu consultório e, nos intervalos, corre para dar um mergulho no mar. Alimenta com pensamentos, ideias e afins uma página no Facebook e Instagram @psipatpires

 

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1 Comentário:Nasce um filho, nasce uma mãe. Só que não é bem assim… Por Patricia Pires
  1. Michelle Lima

    Que texto incrível. Realmente comovente e descreve exatamente os meus sentimentos nesse momento. Eu, que nunca sonhei ser mãe, agora estou grávida e assustada com a nova situação, pensando se serei tão boa mãe como sou como profissional. Com a cabeça à mil, tentando parecer forte, quando na verdade, nunca me senti tão frágil.
    É tão grande a cobrança sobre nós mulheres, que é apavorante a possibilidade de não alcançarmos as expectativas que nos são impostas, mesmo sabendo que essas expectativas muitas vezes nunca poderiam ser alcançadas pois somos apenas mulheres, humanas e cheias de falhas e incertezas…

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