Mamãe: Você está feliz? – por Marcela Barbeita

Amamentação - Cuidados especiais - De Mãe para Mãe - Gravidez - Pós-parto - Psicologia - Recém-nascido - Relacionamentos - Saúde da Criança - Somos todas iguais13/08/16 By: Juliana Freire
(2) Comentários

 

Olá, mamães!

Há alguns dias, inauguramos um novo espaço por aqui, onde as leitoras nos ajudarão a escrever o blog com seus textos, crônicas, desabafos, cartas ou que mais quiserem.

Hoje, o texto é da mamãe e jornalista Marcela Barbeita, e fala sobre o início da nossa vida de mãe!

Acho que vão gostar!

 

Captura de Tela 2016-08-05 às 11.00.24

 

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

“Você está feliz?” Foi essa a frase que ouvi do meu pai, dez dias após o parto. Sim, eu estava, mas também estava exausta, física e psicologicamente. Tinham sido dias difíceis, em que uma fragilidade que jamais imaginei ter, me obrigava a buscar forças para aguentar tanto cansaço. Eu havia passado nove meses me preparando para aquele momento, e sim, eu sabia que bebês não costumavam dormir mais de 3 horas seguidas por noite, sabia que a demanda pela mãe seria excessiva e que eu mal teria tempo para mim. Mas eu não imaginava que minha identidade seria virada do avesso e que seria tão difícil encontrar um novo “eu” no meio daquele turbilhão de sensações.

Minha autonomia, tão lindamente conquistada, fora por água abaixo e agora eu sequer tinha liberdade para coisas triviais, como tomar banho e comer na hora em que bem entendesse. Por mais que tivesse imaginado esses momentos, não soube lidar quando eles chegaram e me via irritada, chorando pelas inúmeras vezes em que, exausta, precisava acordar durante o dia ou noite para amamentar.

Aliás, amamentação… Sabia que não seria um processo fácil, mas, caramba, como ele é dolorido! E lá estava eu, cansada, com dores não só para amamentar como para qualquer outro movimento, já que minha ideia de ter um parto normal fora interrompida e com isso precisei ceder a uma cesárea no apagar das luzes.

E veio então a pergunta que me tirou o rumo, que fez acender uma luz vermelha aqui dentro sobre que imagem eu estava passando para as pessoas e, principalmente, para mim mesma.

Não sei dizer em que momento exatamente tudo começou a melhorar, fato é que o passar das semanas trouxe também uma sensação de calmaria. Acho que isso surgiu depois que eu entendi algumas coisas verdadeiramente. A primeira delas foi aceitar que a pessoa que eu um dia fui jamais voltaria. E que eu teria que encontrar um jeito de lidar com a sensação claustrofóbica que um recém-nascido me trazia. (Experimente ficar 30 dias praticamente sem sair de casa e você entenderá em parte o que estou dizendo). Aos poucos, compreendi que a clausura que tanto me incomodava seria passageira e que aquele era o momento de me conectar com o bebê tão somente.

No meio disso tudo, precisei ainda construir uma nova identidade. Foi necessário entender em quem eu havia me transformado e legitimar alguns pensamentos também. Por isso, tudo bem se eu deixasse meu filho sob os cuidados de alguém por um curto espaço de tempo para fazer algo importante (e básico!) para mim. Isso não faria de mim uma péssima mãe. Tudo bem também se eu sentisse falta da minha rotina de antigamente, afinal, um pouco de saudosismo não faz mal a ninguém. O que eu mais precisava naquele momento era encontrar um caminho para o equilíbrio. Nunca repensei tantas vezes alguns lugares-comuns difíceis de responder: Quem eu sou? Para onde eu vou?

Acho que ainda estou longe de encontrar a resposta, mas sigo tentando. A maternidade é um tanto quanto solitária, afinal, o mundo continua funcionando como antes, você é que deu uma parada estratégica e não sabe quando voltará. Muito menos de que forma. E é mais ou menos nessa solidão que você se vê obrigada a encarar o maior processo de autoconhecimento da sua vida, literalmente, à força. Nada fácil, eu sei. Mas posso dizer que depois da enxurrada de sentimentos do primeiro mês, a mente começa a clarear e você se dá conta de que embarcou numa aventura deliciosa, apesar de exaustiva. Se dá conta de que é perdoável querer sumir de vez em quando, desde que no minuto seguinte um sorriso banguela não te deixe sequer sair do lugar…

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

2 Comentários:Mamãe: Você está feliz? – por Marcela Barbeita
  1. MARIA DAS NEVES (Nevinha)

    Parabéns, Marcela, pela forma tão clara que você abordou um assunto tão profundo. Beijão.

  2. ADRIANA SANTOS

    Boa tarde Marcela

    Amei seu depoimento, tenho três filhos e passei por esses sentimentos que você descreveu,
    um dos principais deles foi perder a identidade, mas quando o bebê nos presenteia com seu
    contagiante sorriso banguela, aí caímos em si que estamos no caminho certo. Ser mãe é um grande presente do Criador.

X Leia também: