A grama do vizinho, digo o filho do vizinho – Por Aline Pinto

2 anos - 3 anos - 4 anos - Acima de 4 anos - De Mãe para Mãe - Desenvolvimento - Fases - Relacionamentos - Somos todas iguais25/08/16 By: Juliana Freire
(1) Comentários

 

Olá, mamães!

Há alguns dias inauguramos um novo espaço por aqui, onde as leitoras nos ajudarão a escrever o blog com seus textos, crônicas, desabafos, cartas ou que mais quiserem.

Hoje, o texto é da mãe, pedagoga e escritora Aline Pinto, que também acabou de lançar um blog chamado BBcria que já viramos fãs! Vale muito a pena conhecer… fiquei horas navegando e adorei!

Ela escreveu um texto exclusivo para o Just Real Moms falando sobre as comparações entre as crianças, motivo que faz várias mães sofrerem. Sabe aquele comparativo “O bebê da vizinha já anda, dorme a noite toda etc.”? Então, ela transformou essa inquietação em um texto acolhedor e com algumas dicas.

Tenho certeza de que se identificarão!

 

IMG_7812

 

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

A grama do vizinho, digo o filho do vizinho

 

O ditado é antigo: “A grama do vizinho sempre nos parece mais verde”. Apesar de antiga, essa afirmação se mostra bem atual. A causa disso talvez resida no perfil de nossa sociedade que é, de modo geral, competitiva e preza o ter, o consumo exacerbado e o descarte.

A comparação começa na grama e se estende aos automóveis, aos móveis, às roupas, às viagens, às relações e até mesmo aos filhos.

Mães e pais, além de avós, tios, e outros, entram nessa “competição”, como se pudessem medir e comparar os seus rebentos com os de seus vizinhos (familiares ou amigos).

Você pode estar pensando: “Credo, imagina, jamais faria isso!”. Tomara que essa prática não faça parte de seu contexto, mas presencio e comprovo diariamente que se trata de algo corriqueiro.

“Dorme a noite toda? Já senta? Já engatinha? Mama só no peito? Vai para a “escolinha”? Faz natação? Você deixa seu bebê no chão? Por que chora tanto? Por que não chora? Ainda não fala?”. São tantas perguntas…

Essas indagações são amostras de algumas situações que poderiam revelar apenas o interesse pelo desenvolvimento e bem-estar de seu filho, mas, muitas vezes, se configuram como uma forma de mensurar, medir e rotular o desenvolvimento dos pequenos.

Alguns bebês sentam sozinhos aos 6 meses, outros, aos 8 meses ou mais. Há bebês que engatinham aos 7 meses, outros o fazem aos 10 meses e alguns nem o farão.

Comparar o desenvolvimento de seu filho com o do “vizinho” (seja ele quem for) é perigoso e sem sentido. Sabe por quê?

Porque cada criança é única, e o tempo de aprendizagem e de desenvolvimento dela também é singular.

Uma criança falar, sentar, engatinhar ou andar antes que outra não significa mais inteligência. Isso também não fará de seu filho mais competitivo no mercado de trabalho, mais bem-sucedido ou feliz na vida.

No entanto, muitos pais e familiares se sentem inseguros e, por não saberem se estão “fazendo direito”, usam a régua da comparação e esperam que ela os direcionem e os confortem. “Ixe, o filho da fulana já anda e o meu nem engatinha. Tenho que apressar o desenvolvimento de meu bebê, vou estimulá-lo mais!”

PARA TUDO!!!

Se o seu filho não senta, engatinha ou anda é porque não está preparado para tal ou porque você não oferece condições para que isso ocorra. Explico: Como uma criança que não conhece o chão vai engatinhar? Como uma criança que só conhece o colo vai andar? Como uma criança que aponta e ganha o que quer vai aprender a falar?

Bebês e crianças precisam de tempo e espaço para se desenvolver, bem como de amor e segurança.

Tem dúvidas sobre o desenvolvimento de seu pequeno? Leia a respeito, informe-se em fontes seguras, procure profissionais atualizados e, principalmente, confie em seu instinto materno. Ah, e se for conversar com o vizinho, lembre-se de que muitos fatores influenciam a “cor da grama”, como afirma a cronista Martha Medeiros: “Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco […]”.

Por uma infância sem comparações, julgamentos e medidas. Por uma maternagem colaborativa e que amplie o entendimento de que cada criança é única e tem um tempo próprio de descoberta e de amadurecimento para que seu desenvolvimento ocorra.

Toda criança é especial por suas conquistas, cabe a nós valorizá-las!

Por Aline Pinto*

*Mãe, pedagoga, escritora e “arteira” de plantão.

Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Paraná e com pós-graduação em Psicopedagogia. Atualmente, é assessora técnica da Prefeitura Municipal de Curitiba. Com experiência de mais de 15 anos na área de Educação, atuou como professora, pedagoga e diretora de Centros Municipais de Educação Infantil. É autora de livros para formação de professores de Creche e de livros de literatura infantil, bem como autora e editora do blog BBcria.

Acessem: www.bbcria.com.br Face: BBcria

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 Comentário:A grama do vizinho, digo o filho do vizinho – Por Aline Pinto
  1. Ana Beatriz Lins

    Excelente texto!

X Leia também:

"Sogra vs. Nora": afinal quem é a vítima ou a vilã? As 10 regras para melhorar o relacionamento!

25/08/16Ver a matéria   >>