Em busca de um novo equilíbrio no papel do pai e da mãe nos dias de hoje! – por Carla Poppa

De Mãe para Mãe10/01/18 By: Carla Poppa
(3) Comentários

 

Olá!

 

O post de hoje é uma síntese de alguns questionamentos que vivemos atualmente. Afinal, existe delimitação no papel do pai e da mãe na educação dos filhos?

 

A autora deste interessantíssimo artigo é a nossa colunista, a psicóloga Carla Poppa.

 

Vale muito a pena a leitura, tanto para as mães quanto para os pais. Espero que gostem!

 

Mil Bjss e boa semana!

 

 

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Em busca de um novo equilíbrio no papel do pai e da mãe nos dias de hoje

 

 

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Quem levanta se o bebê começa a chorar? Quem coloca a criança de castigo e impõe limites? O pai ou a mãe? Até bem pouco tempo a resposta para essas perguntas era fácil de ser respondida. A mãe cuidava do bem-estar do filho, o que o ajudava a se sentir seguro e confiante e o pai era a figura de autoridade que se colocava entre o bebê e a mãe para garantir ao filho certa autonomia e impunha limites, o que ajudava a criança a desenvolver seu autocontrole e a lidar com as suas frustrações. Ou seja, há alguns anos, a resposta para essas perguntas era quase sempre a mesma em todas as famílias: quando a criança chorava era a mãe quem a acalmava e quando ela fazia algo errado era o pai quem impunha os limites necessários.

 

Porém, ao longo dos anos, essas perguntas deixaram de ser respondidas com tanta clareza. Isso porque as mulheres começaram a receber a permissão social para que pudessem ampliar suas experiências para além do papel de mãe. Algumas optaram por se dedicar também a uma carreira profissional, enquanto que outras mesmo que optassem por não trabalhar fora de casa, também passaram a usufruir da possibilidade de investir em seus próprios interesses. Muitas mulheres puderam, então, desenvolver com mais facilidade habilidades como: assertividade, firmeza, um pensamento objetivo e pragmático, entre tantas outras, do que as mulheres das gerações passadas, que encontraram maiores obstáculos para prosseguir no caminho do seu desenvolvimento pessoal. Nesse contexto, a possibilidade de se relacionar com a criança a partir não só de uma postura de acolhimento, mas também oferecendo espaço e estabelecendo limites quando necessário passou a ser uma consequência natural dessas conquistas.

 

 

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Se, de um lado esse processo trouxe maior autonomia e autoconfiança para muitas mulheres, por outro lado, quando elas começaram a desempenhar os cuidados que antes eram praticamente restritos aos pais, muitos homens sentiram que a sua função na educação dos filhos ficou esvaziada. Ainda mais porque existe ainda muita resistência não só dos próprios homens como também das mulheres de permitir que eles se envolvam em tarefas do dia a dia do bebê e da criança. Sem esse envolvimento, fica mais difícil para os homens conseguirem realizar o mesmo movimento que muitas mulheres fizeram quando passaram a investir em seus interesses próprios: o de desenvolver habilidades que até então eram associadas ao sexo oposto.

 

Assim, os valores a partir dos quais muitos homens foram educados, os quais muitas vezes transmitiram mensagens como: cuidar dos filhos é responsabilidade da mulher; aliados aos valores que muitas mulheres ainda compartilham, como por exemplo: se eu não for a principal responsável pelos cuidados do meu filho significa que não sou uma mãe boa o suficiente, ou meu marido não consegue cuidar do meu filho tão bem quanto eu; continua, em muitas famílias, privando o homem de encontrar um lugar na relação com o seu filho desde os primeiros anos de vida. Além disso, conforme a criança cresce e a mãe percebe que tem habilidade para lidar também com a necessidade de impor limites, a sensação de exclusão que muitos homens sentem na dinâmica familiar desde o nascimento do filho é reforçada. Nesse contexto, o papel do pai na família em muitos casos, ficou restrito a sua função de provedor financeiro; ele continua responsável por pagar as contas da casa e vez por outra, expressa a sua esperança em ocupar o seu papel de pai se apoiando no modelo das gerações passadas, exagerando nas brigas e nos castigos quando a criança faz algo errado.

 

 

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Como resultado, as mulheres se sentem cada vez mais cansadas, sobrecarregadas e sofrem como nunca pelos efeitos do estresse ao qual estão submetidas pelas funções que foram acumulando. Enquanto que os homens se sentem excluídos e sofrem com a falta de propósito e sentido em todas as dimensões da sua vida. Sem um lugar na família, o sentido do trabalho também passa a ser questionado. Além disso, para os filhos mesmo que a mãe consiga oferecer os cuidados que antes eram associados à figura paterna, a presença ausente do pai no dia a dia também pode provocar sofrimento. Afinal, a criança não é filha de uma única pessoa e por isso, a distância do pai representa a distância de uma parte de si mesma. Nesse sentido, o esvaziamento que o homem sente no seu papel de pai pode representar também uma sensação de esvaziamento na própria criança.

 

Essa dinâmica que muitas famílias enfrentam com maior ou menor intensidade revela a necessidade do estabelecimento de um novo equilíbrio no papel da mãe e do pai na educação dos filhos. A busca por esse equilíbrio talvez não possa mais ser orientada pelos modelos das gerações passadas, já que muita coisa mudou principalmente em relação ao papel da mulher na sociedade. Sem modelos sociais, a busca de um novo equilíbrio passa a ser um processo que cada casal precisa empreender de um modo próprio, apoiados na sua capacidade de comunicar o cansaço, as frustrações, os ressentimentos e os sentimentos que vão surgindo ao longo do caminho. Com base no diálogo, talvez seja possível alcançar um equilíbrio familiar que permita ao homem encontrar o seu lugar e a sua maneira de exercer a paternidade e poupar a mulher da sobrecarga de funções que ela vem acumulando.

 

 

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3 Comentários:Em busca de um novo equilíbrio no papel do pai e da mãe nos dias de hoje! – por Carla Poppa
  1. Debora Pereira

    Boa Tarde.
    Realmente esta é uma realidade… talvez por comodismo de alguns homens
    as mães descobriram que sim podemos .. educar .. criar … prover carinho e amor
    que o filho precisa. Claro que precisamos dos pais dos nossos filhos presentes … mas
    a uma pauta que eu gostaria de que fosse abordada . Mães solteiras … como lidar com o stress
    de nao ter o pai por perto ? Como fazer e o que dizer qndo o filho pergunta pelo pai e o pai diz q nao virá ?
    Impor visitas obrigatorias é saudavel para a criança ?

    lendo esse texto vi o papel das mães solteiras … e agora esse esvaziamento … que é comentado no texto ? teria alguma forma de fazer a criança nao se sentir assim ?

    bjos

    • Carla Poppa

      Oi Debora!
      Esse contexto que você apresenta é um tema delicado e representa um desafio para as mães, que além de precisarem se responsabilizar pela educação do filho sozinhas vão precisar também ajudar a criança a lidar com essa experiência de rejeição. Acho que o importante nesses casos, é cuidar para que a criança não se sinta culpada pelo que esta acontecendo. E também que não enfrente a tristeza ou mesmo essa sensação de vazio sozinha. Nessas situações, o dialogo com a criança permite entender quais são as suas fantasias e nas conversas é possível ajuda-la a substituir a culpa por outros sentimentos e resignificar a sua experiência. Além de ajuda-la a expressar seus sentimentos para poder lidar com o que sente diante da ausência do pai. Mas é importante dizer que cada caso é um caso e para poder orientar melhor a maneira de conduzir essas conversas é preciso conhecer a historia das pessoas envolvidas nesse contexto.
      Obrigada pelo comentário!
      bjs
      Carla

  2. carolina

    Não dá certo quando o marido é um folgado, a gte parece doida e a criança fica no meio. Por mais que vc tente já está tão sufocada que não consegue um diálogo. É difícil…

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