Ei, você sem filhos – por Marcela Barbeita

De Mãe para Mãe - Somos todas iguais20/03/17 By: Ana Lú Gerodetti
(0) Comentários

 

Olá, meninas!

Tudo bem?

Vocês sabem que aqui no Just Real Moms, sempre temos espaço para as nossas leitoras escreverem e divulgarem seus textos. Valorizamos o apoio mútuo entre as mães, afinal, estamos juntas nessa, não é?

A nossa querida leitora, Marcela Barbeita, que é jornalista e mãe de primeira viagem, descobriu um imenso prazer em escrever sua rotina de mom, o que ela considera sua “válvula de escape” mais do que necessária! Hoje, ela nos fala sobre a compreensão e empatia das pessoas sem filhos com as mamães.

É um texto muito lindo e verdadeiro! Confiram!

 


 

Ei, você sem filhos

 

Ei, você sem filhos - por Marcela Barbeita

 

Essa é uma carta, um manifesto, para você, pessoa que dorme uma noite inteirinha, daquelas sem hora para acordar, sem pressa, com sonho e tudo. Para você que faz xixi quando bem entende, que come quando tem fome e que – pasme – toma até banho com direito a espuma no sabonete e cabeça lavada. Pois bem, saiba que eu um dia fui esse alguém e falo da sua realidade com conhecimento de causa. E aqui mora o grande problema da nossa história: você nunca esteve no meu lugar.

Talvez seja difícil mesmo entender que eu não tenha tempo para coisas bem prosaicas dessa vida. Eu mesma um dia me surpreendi com o relato de uma amiga, mãe havia pouco tempo, sobre a dificuldade em colocar a vida em ordem com o filho recém-nascido. “Pu-ra falta de planejamento” E o que mais seria, ora bolas?

Óbvio que quando chegasse a minha vez tudo seria diferente. Minha criança idealizada jamais me deixaria sem tempo, sem paciência, sem ânimo depois de uma noite em claro. Pobre de mim que ainda viria a descobrir o potencial destruidor da vigésima noite sem dormir. Não há sanidade mental que resista. Tudo bem, eu sei que você também não faz ideia.

Por tantas vezes, imaginei como eu seria compreensiva com meu filho perfeito. Ele, candidato a Mister Universo da educação infantil, não me daria trabalho. E se desse, minha teoria tão bem fundamentada seria mais do que suficiente para lidar com a situação. “Claro que pode ser difícil, EU SEI”.

Pois, agora, você não vai acreditar no que vou lhe contar: Eu estava errada, veja só!

Eu não sabia que resiliência é a primeira e a mais dura lição da maternidade. Não sabia que o tal planejamento de repente toma outro rumo e nos revela uma nova realidade, muitas vezes difícil de lidar. Não imaginava que minha vida seria virada do avesso e que minhas teorias não seriam capazes de segurar a onda nem de longe.

Mas posso lhe contar um segredo? Tudo bem pra você não ter a menor ideia da minha nova realidade como mãe, afinal, a gente só se torna expert num assunto depois de vivenciá-lo, não é mesmo?

E é justamente aqui que minha carta para você se torna um manifesto pela empatia, pelo acolhimento àquela mulher-mãe.

Se você está num bate-papo com aquela sua amiga sobre as dores e delícias da maternidade, apenas ouça o desabafo (quase sempre é disso que se trata!), conte um pouco da sua vida agitada, da praia do último final de semana, faça spoiller daquele filme indicado ao Oscar que, aposto, sua amiga-do-peito-com-filhos nem sabia da existência.

E anota aí um conselho pra vida: Nunca, jamais, nem sob tortura, conclua a frase “eu não tenho filhos, mas acho que…” Tenho certeza de que vai ser melhor assim!

 


 

Você também gostaria de compartilhar um texto seu com as nossas leitoras? Envie para a gente!

 

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

X Leia também:

Você sabe o que é Ortorexia? Quais as consequências desse comportamento em seus filhos?

20/03/17Ver a matéria   >>