A conta não bate – por Manuela Titoto

De Mãe para Mãe - Somos todas iguais26/03/18 By: Ana Lú Gerodetti
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Oie, moms!

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Hoje, quem escreveu o post foi a Manuela Titoto, de Ribeirão Preto, autora do livro “A Tempestade” e mãe da Isabella e do Caetano. Ela fez uma reflexão importante sobre como as agendas e as cobranças podem ser exageradas com os pequenos.

Ah, e caso você goste das palavras da Manuela, não deixe de conferir o blog incrível que ela tem (clique aqui)!

Confiram essa leitura super real e importante!

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A conta não bate - por Manuela Titoto

 

Mozart começou a escrever sua primeira sinfonia com oito anos de idade. Beethoven estudava cravo, viola e violino aos cinco. Quando assoprou a sexta velinha, Tchaikovsky já tocava piano.

Aqui em casa, minha filha tem sete. Ganhou uma flauta que leva para escola, mas não tem ideia de como tocar. Meu filho tem cinco e canta Wesley Safadão –uma música que nem eu conhecia e sabe-se-Deus onde ele aprendeu.

Queria ter introduzido a educação musical há tempos na vida dos pequenos. Estudos científicos comprovam a ligação da prática musical com o desenvolvimento cerebral.

Agora que já privei a opção dos meus filhos se tornarem gênios da música e também de terem o melhor desenvolvimento cerebral possível, a única coisa que me resta é a culpa. Eu sabia -sei- da importância das notas, queria ter feito melhor, mas é que simplesmente … a conta não bate.

Veja bem, o dia tem vinte e quatro horas.

A criança precisa dormir de 9 a 12 horas, de acordo com a American Academy of Sleep Medicine (Academia Americana de Medicina do Sono).  Caso contrário, podem desenvolver problemas de atenção, memória, comportamento, obesidade, hipertensão, ansiedade e depressão.

Pai amado, Deus nos livre disso.

Cinco horas vão para escola, claro. Educação é primordial e escola imprescindível.

Natação, como ensinou nossa amada pediatra, a Dra. Sueli, não é opção, é quesito fundamental de segurança. Fora o tanto que contribui para o desenvolvimento cognitivo, socioafetivo e motor.

Educação musical, já expus os benefícios.

Luta ou ballet para disciplina e postura.

Inglês ou outra língua. A habilidade de aprender outro idioma é maior entre os dois e cinco anos, aumenta a consciência metalinguística, os pensamentos de lógica e cálculo.

Tempo para lição de casa.

Dia sem atividade extra, para brincar. Todo mundo sabe que o tédio é fundamental para a criatividade das crianças.

Os necessários –que, não sei na casa de vocês, mas na minha leva cerca de quarenta minutos cada: café-da-manhã, lanche, almoço, lanche, jantar, banho, se trocar.

Colocar as crianças no carro, só quem é mãe sabe que também leva tempo.

Tempo para ficar no tablet (dispensável total, mas existe e precisamos ser maleáveis. Também não queremos alienados de tecnologia).

Médico, acupuntura, homeopatia, Kumon.

Os dois dias que ficam integral na escola.

Tempo exclusivo mãe e filho1, tempo exclusivo mãe e filho2.

Tempo para ir na casa dos amiguinhos. Tempo para os amiguinhos virem em casa.

Hora de contar história para dormir – também imprescindível, histórias movem o mundo.

Cineminha, teatrinho, picnics.

Tênis, hipismo, futebol, computação, xadrez, pintura, circo, violão, piano, esgrima, teatro, yoga, tudo aquilo que desejo que meus filhos conheçam, mas que simplesmente não dá.

A conta não fecha, o dia tem limite de horas- e de paciência. Todo mundo quer que as crias tenham a inteligência do recém falecido Stephen Hawking, a habilidade de Federer, o empreendedorismo de Jobs. Minha maior intenção como mãe é poder guiar meus filhos para que possam ser o melhor de si, independentemente do que isso seja. Segue –e sempre seguirá- a nítida sensação de que eu poderia estar fazendo mais. O que é uma bobagem sem fim, porque o que importa no fim das contas, é se eles estão felizes, se têm bons exemplos em casa e se seguem curiosos com o mundo. Formando caráter, mais do que qualquer outra atividade, trará o que precisam para enfrentar a vida. É nisso que acredito, com toda minha alma.

Mas, se abrir vaga na turma de chefs mirins, não deixe de me avisar.

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