O que você precisa saber sobre a amamentação – por Dra. Camila Di Ninno

Amamentação - De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas22/06/17 By: Ana Lú Gerodetti
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Olá, meninas!

Tudo bem?

A amamentação, apesar de ser um dos momentos mais esperados pela gravidinhas e mães, nem sempre é fácil. Mas, para ajudá-las com algumas dicas ótimas, a nossa querida colunista e fonoaudióloga, Dra. Camila Di Ninno, fez um post bem completo!

Formada pela USP, a Dra. Camila atende gestantes, bebês, crianças e adultos em seu consultório, ou seja, ela traz uma opinião muito importante quando o assunto é maternidade! Aliás, fica a dica para quem quiser ler outros textos dela!

Confiram!

 


 

O que você precisa saber sobre a amamentação - por Dra. Camila Di Ninno

 

Amamentar um bebê no seio costuma ser um momento muito esperado e desejado pelas mães. Quem já amamentou um filho sabe do prazer que é a amamentação e seus inúmeros benefícios. Mas como diz a fonoaudióloga Tatiana Vargas, da Mame Bem Consultoria em Amamentação: “Amamentar não é uma tarefa fácil! Requer treino, aprendizado, paciência e muito amor.”

Há ainda muitos mitos envolvendo a amamentação, por isso selecionei algumas informações muito úteis para quem planeja ou está amamentando pela primeira vez.

1 – Posição ideal para amamentar seu bebê.

A mãe deve estar em uma posição confortável e relaxada, com os braços bem apoiados e o bebê com seu corpo todo voltado para a mãe, a cabeça alinhada e apoiada e os braços livres. A mãe deve segurar a mama em forma de “C”, com o polegar bem acima da aréola e a palma e os outros dedos por baixo, deixando a aréola livre. O rosto do bebê deve estar de frente para a mama e abaixo do mamilo.

 

2 – Como saber se o bebê fez uma boa pega?

Para que a amamentação seja eficiente é necessário haver uma boa “pega” do bebê ao seio materno. A boquinha do bebê precisa estar bem aberta, abocanhando grande parte da aréola e não apenas o mamilo, pois além de poder machucá-lo, o leite não sai, ficando retido na aréola. Para que o bebê abra bem a boca, a mãe pode estimular tocando o mamilo nos lábios do bebê. Quando a boca estiver bem a boca, é hora de colocá-lo para mamar. O queixo do bebê toca a mama, os lábios ficam virados para fora e o nariz fica livre para respirar. A parte de cima da aréola deve ficar mais visível do que a de baixo.

 

3 – Não é necessário oferecer as duas mamas em cada mamada.

O bebê pode mamar à vontade em uma das mamas. Caso ele se sacie com somente um dos lados, pode ser feita a retirada de um pouco de leite da outra mama, para evitar a dor. Na mamada seguinte, deve-se oferecer inicialmente a outra mama. Desta maneira, o bebê consegue atingir o leite posterior, rico em gordura, o que ajuda no ganho de peso. Mamando um pouco em cada mama ele recebe apenas o leite anterior. Este leite mais aguado é importante para hidratar o bebê, mas logo ele sente fome novamente. No entanto, se depois de esvaziar a primeira mama ele ainda tiver vontade, pode-se oferecer a outra mama e na mamada seguinte, iniciar deste último lado.

 

4 – Coloque o bebê para mamar toda vez que ele sentir fome.

O tempo entre as mamadas pode variar de bebê para bebê. Portanto, no início, não estabeleça um horário rígido para as mamadas, ofereça o leite em “livre demanda”, sempre que o bebê quiser. Aos poucos seu bebê irá criando seu próprio horário para mamar.

 

5 – Quanto mais o bebê mamar, mais leite a mãe produzirá.

O estímulo de sucção do bebê é fundamental para a produção do leite materno, pois auxilia na liberação dos hormônios responsáveis pela produção do leite. O mesmo acontece com o estímulo gerado pelas ordenhas manuais ou com as bombinhas de ordenha.

 

6 – O tamanho da mama não tem relação com a quantidade de leite produzido.

O tamanho das mamas depende da quantidade de gordura armazenada nesse local e a produção de leite só depende das glândulas que normalmente existem em quantidade suficiente nas mulheres.

 

7 – Não existe leite materno fraco.

Toda mãe produz leite adequado às necessidades de seu bebê. Embora o leite materno seja mais claro e ralo que o leite de vaca, ele é um alimento completo para o seu filho, rico em nutrientes e anticorpos. A ideia de que o bebê dorme mais porque o leite industrializado é mais forte está errada. O bebê acorda mais rápido quando toma o leite materno porque a sua digestão é mais fácil, o que não significa que o leite materno seja mais fraco.

 

8 – Como saber se o meu leite está suficiente?

Ao contrário da mamadeira, no aleitamento materno não conseguimos medir o quanto o bebê está ingerindo em cada mamada. Alguns bons parâmetros são observar a quantidade de xixi, o espaço entre as mamadas e o ganho de peso do bebê. Vale lembrar que todo bebê pode perder até 10% de seu peso nos primeiros dias após o nascimento e que este peso deve ser recuperado até por volta do 15º dia. O leite propriamente dito só aparece três ou quatro dias após o parto. O que vem antes e em pequena quantidade é o colostro, muito importante para a imunidade do bebê. Uma mama que produz leite suficiente não necessariamente fica vazando, pois com o tempo o organismo da mãe vai se ajustando às necessidades do bebê. Até os 6 meses de idade não há necessidade de introduzir nenhum outro tipo de alimento, nem mesmo água ou chá.

 

9 – Mamadeira e chupeta interferem no aleitamento.

É verdade que o uso de chupeta (fiz um post explicando as dúvidas mais frequentes sobre o uso da chupeta!) e mamadeira aumenta o risco de desmame precoce, pois o bebê pode rejeitar o seio materno por ter se acostumado com outro bico. A sucção do leite no peito requer um esforço maior do que na mamadeira e chupeta e o bebê percebe que é mais fácil mamar na mamadeira do que o peito. Com a diminuição do estímulo de sucção no peito, a produção do leite materno tende a diminuir e a mãe pode passar a não ter mais a quantidade necessária de leite para a nutrição do bebê.

 

10 – A mulher que amamenta deve cuidar de sua alimentação.

O recomendado é que a mãe ingira bastante líquido ao longo do dia e tenha uma alimentação saudável e equilibrada, evitando o cigarro e as bebidas alcoólicas e o excesso de café e chocolate.

 

Nos primeiros dias de amamentação é comum que a mãe sinta algum desconforto durante as mamadas. No entanto, qualquer dor que dure mais do que 3 ou 4 dias não deve ser ignorada, e a mãe deve buscar ajuda especializada para avaliação e orientação, prevenindo maiores complicações nas mamas e o desmame precoce. Muitas vezes, basta a adequação da postura do bebê para que a amamentação deixe de ser dolorosa. O Fonoaudiólogo especialista em Motricidade Orofacial é um profissional capacitado para intervir no processo de amamentação, avaliando as mamas, as estruturas orais do bebê (aliás, tem um artigo sobre língua presa super bacana!) e a dinâmica da amamentação.

 

No próximo artigo escreverei sobre as principais dificuldades no aleitamento materno e como contorná-las.

 


 

Dra Camila Queiroz de Moraes Silveira Di Ninno, é fonoaudióloga clínica (CRFa 2-5314), formada pela USP, especialista em Motricidade Orofacial pelo CFFa, mestre em Ciências da Reabilitação pela USP e doutora em Linguística pela UFMG. Autora de diversos livros e artigos científicos. Atende gestantes, bebês, crianças e adultos em seu consultório no Campo Belo e na Clínica Ignês Maia Ribeiro no Itaim Bibi, ambos em São Paulo.

 Site: www.camiladininno.com.brwww.ignesmaiaribeiro.com.br

Facebook: Camila Silveira Di Ninno, Clínica Ignês Maia Ribeiro

E-mail: [email protected]clí[email protected]

Telefones: (11) 3853.6667 / 9.7550.2309

 

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