Agressividade no contexto escolar – por Daniela Nogueira

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas - Psicologia29/11/17 By: Ana Lú Gerodetti
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Olá, meninas!

Tudo bem?

Hoje temos o terceiro post da série “Agressividade no contexto escolar”, feito pela nossa querida colunista e psicóloga, Daniela Nogueira.

Ela já escreveu outros dois textos exclusivos para o Just Real Moms falando sobre o comportamento dos pequenos na escola (vocês podem conferir a parte 1 aqui e a parte 2 aqui), e agora a Daniela traz mais uma reflexão sobre esse assunto tão importante.

Além de psicóloga, a Daniela é a idealizadora do projeto Pais em Ação, que apoia pais e mães na educação dos filhos oferecendo aconselhamento personalizado e domiciliar com um olhar de profundo respeito pela criança.

Confiram!

 

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Agressividade no contexto escolar

Agressividade no contexto escolar - por Daniela Nogueira

 

Chegou a parte final da série de posts sobre agressividade no contexto escolar: a parte da resolução de problemas!

É claro que este é assunto complexo e aqui estamos trocando ideias, mas acredito ser muito positivo que tais ideias sejam cada vez mais divulgadas.

Quando cuidamos de crianças pequenas nosso trabalho não deve ser controlar os pequenos, mas sim pensar em estratégias que irão ajudá-los. Percebam a diferença nas duas frases a seguir: “Eu tenho que fazer com que ele se comporte/ me obedeça” versus “Como posso ajudar este aluno a ser bem sucedido, a seguir em frente?” Quando falo sobre obedecer não me refiro às situações de emergência, mas do costume dos adultos acharem que os pequenos devem obedecê-los cegamente sem questionar nada. Uma criança extremamente mandada e controlada vai tentar se rebelar, pois ela está em fase de desenvolver autonomia.

Ao mudar nosso modo de pensar sobre a criança que está sendo agressiva, automaticamente também redirecionamos a maneira como iremos agir.

Existe um lado positivo da agressividade, psiquicamente falando, que é fundamental para a sobrevivência da criança, pois é por meio desse comportamento que podemos perceber que algo não vai bem na vida dela, ou seja, a agressividade vem como um sinal, um aviso.

Podemos começar tentando descobrir como está o tempo livre e lúdico da criança. Como ela está em termos de criatividade? A rotina dela deixa espaço para o ócio, para a liberdade de pensar e criar? O motivo desta investigação é que uma criança defasada nestas áreas pode usar comportamentos negativos para chamar atenção.

Para ajudar em momentos de agressividade, o professor pode oferecer atividades que estimulem o aluno no processo de canalizar os impulsos agressivos para ações que são socialmente aceitáveis, tais como: levar a criança para o pátio e deixá-la livre para correr ou apenas ficar um tempo por lá. Outras atividades incluem picar e amassar papel, exercícios de respiração, abrir e fechar as mãos, ajudar a organizar as cadeiras da sala, incluir o aluno na rotina como o ajudante do dia, o líder do trem etc.

Já vi aluninhos rabiscarem tanto uma folha com várias canetinhas coloridas que chegaram a rasgar o papel. Nesta hora é preciso um adulto tranquilo ao lado, que ajude a equilibrar as emoções que vão surgindo ou mesmo apenas aceitá-las. Quando digo aceitar, me refiro às emoções e isto não quer dizer que eles podem destruir a sala, cuspir ou xingar os outros, mas que é necessário ter alguém junto para lidar com todos estes sentimentos. Na maneira “tradicional” de disciplinar estes comportamentos são vistos como um problema e precisam ser punidos. Mas não basta mandar o pequeno para fora da sala de aula, em hipótese alguma funcionaria tirar a hora do pátio ou recreio da criança, muito menos colocá-la de castigo “pra pensar” no que fez. Afinal, somos educadores! Nossa meta não é ter alunos robôs, mas sim ajudar pessoas a crescer.

É importante lembrar que as funções do córtex pré-frontal, que comandam o controle de impulsos, ainda não estão totalmente desenvolvidas e leva-se em torno de uns 20 anos neste processo. Na educação infantil estamos lidando com pessoas que ainda são pequenas, que eventualmente podem precisar das funções do nosso córtex pré-frontal “emprestado” na hora de um conflito ou ato agressivo.

Vemos aqui a importância de estudar sobre o desenvolvimento infantil, pois quando o aluno estiver se debatendo no chão ou puxando o cabelo da colega, é preciso um profissional treinado e uma equipe unida para compreender que uma ida ao pátio, um abraço, uns papéis e canetinhas NÃO significam reforçar o mau comportamento. Estas atitudes aliadas ao apoio do professor encaminham o aluno rumo ao autocontrole, aprendendo a acalmar-se para depois pensar em alternativas diferentes para se comportar melhor.

Não é um trabalho simples, mas é extremamente necessário. Nosso país aumentou drasticamente o número de casos de violência dentro da escola – não só entre alunos, mas contra professores também – e prevenir é sempre melhor do que remediar.

 
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Por Daniela Nogueira

Especializada na abordagem Pikler-Lóczy em Paris, França, está envolvida no universo infantil há mais de 15 anos com experiências em co-educação nos EUA, trabalho terapêutico em instituições e abrigos para crianças e atuação como professora na educação infantil em escolas particulares de São Paulo e Rio de Janeiro. 

 

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