Meu filho fala errado. Até que idade isso é esperado?

De Mãe para Mãe - Dicas dos especialistas13/07/16 By: Camila Silveira Di Ninno
(8) Comentários

 

Olá!

O post de hoje foi escrito pela nossa colunista, a fonoaudióloga Camila Queiroz de Moraes Silveira Di Ninno, com exclusividade para o Just Real Moms.

No texto, ela fala sobre até quando é esperado que as crianças falem errado, algo que deixa muitas moms preocupadas.

Espero que gostem!

Mil Bjss

 

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Meu filho fala errado. Até que idade isto é esperado?

 

Meu filho fala errado. Até que idade isto é esperado? - Just Real Moms

 

Não existe uma idade limite a partir da qual a criança que apresenta alterações na fala deve procurar ajuda de um especialista. Depende muito do tipo de alteração que a criança apresenta, quais os sons que estão envolvidos e o quanto isso prejudica a sua comunicação.

As alterações de fala podem ser divididas em dois grandes grupos: desvios fonéticos e desvios fonológicos.

Desvios fonéticos

No desvio fonético a criança apresenta distorção na emissão dos sons da fala. As causas normalmente são orgânico/funcionais, como presença de alterações no frênulo lingual (“língua presa”), má oclusão dentária (mordida cruzada, mordida aberta ou ausência de dentes), flacidez da musculatura orofacial (língua, lábios e bochechas), amígdalas muito grandes, respiração oral e uso prolongado de chupeta ou sucção de dedo. Este tipo de desvio costuma acometer vários sons ao mesmo tempo e levar a uma fala imprecisa, “embolada”. Após avaliação minuciosa do fonoaudiólogo, se necessário, a criança será encaminhada para avaliação com otorrinolaringologista e/ou odontopediatra. Em muitos casos, a fonoterapia será postergada até que a causa orgânica seja sanada. Na dúvida, procure um fonoaudiólogo para orientação.

 

Desvios fonológicos

No desvio fonológico a criança apresenta uma desorganização do sistema de sons fala, sem uma causa aparente e geralmente com uma linguagem bem desenvolvida para a idade. Nestes casos, observa-se que a criança não adquiriu os sons que já eram esperados para sua idade ou apresenta trocas que não são comuns ao desenvolvimento normal da fala.

Após a avaliação é provável que o fonoaudiólogo solicite uma avaliação audiológica, para descartar a presença de uma perda auditiva, pois para falar corretamente é importante que a criança consiga perceber bem a diferença entre os sons.

Exemplos de desvios fonológicos:

Trocas: “tasa” para casa, “dato” para gato, “suva” para chuva e “zelo” para gelo (anteriorização dos sons), “caleca” para careca, “poico” para porco (simplificação dos sons), “polo” para bolo, “teto” para dedo, “cato” para gato, “fofó” para vovó, “assul” para azul e “xacaré” para jacaré (ensurdecimento dos sons).

Omissões: “pato” para prato, “panta” para planta, “pota” para porta, “caca” para casca.

Acréscimos: “carderno” para caderno.

Inversões: “mánica” para máquina, “preda” para pedra.

 

Como posso ajudar o meu filho?

Fale sempre corretamente com seu filho. Por mais que o seu jeito de falar possa lhe parecer bonitinho, não imite a sua fala, nem ache graça. Se ele não consegue produzir determinado som, também não insista para que repita de forma correta, pois isso pode fazer com que ele se retraia. Se o seu filho pronunciar uma palavra de forma errada, você deve responder ou fazer um comentário em que esta palavra apareça de forma correta. Por exemplo: se ele falar que viu uma “gilafa” no zoológico, diga “Uma girafa? E você gostou da girafa? Viu como o pescoço da girafa é grande?”. Oriente também os outros familiares e cuidadores da criança.

 

Quando procurar um especialista?

Você deve consultar um fonoaudiólogo se observar que o desenvolvimento da fala de seu filho não está compatível com o de outras crianças da mesma idade. Antigamente, quando as famílias eram numerosas esta tarefa era mais fácil. Atualmente é comum que a criança em questão seja a única criança da família e os amigos da escola passam ser a referência dos pais.

 

Quais os problemas que as alterações de fala podem causar?

O principal problema é a criança não se fazer entender, o que pode prejudicar a socialização com os amigos, a participação em atividades da escola, trazer constrangimentos para a criança e dificultar o processo de alfabetização. Se você observa que isto está acontecendo com o seu filho, independentemente da idade, procure um fonoaudiólogo.

 

Meu filho fala errado. Até que idade isto é esperado? - Just Real Moms

 

 

Dra Camila Queiroz de Moraes Silveira Di Ninno, é fonoaudióloga clínica (CRFa 2-5314), formada pela USP, especialista em Motricidade Orofacial pelo CFFa, mestre em Ciências da Reabilitação pela USP e doutora em Linguística pela UFMG. Atende gestantes, bebês, crianças e adultos em seu consultório no Campo Belo e na Clínica Ignês Maia Ribeiro no Itaim Bibi, ambos em São Paulo.

 Site: www.camiladininno.com.brwww.ignesmaiaribeiro.com.br

Facebook: Camila Silveira Di Ninno, Clínica Ignês Maia Ribeiro

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Telefones: (11) 3853.6667 / 9.7550.2309

 

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8 Comentários:Meu filho fala errado. Até que idade isso é esperado?
  1. tania

    Oi boa tarde, meu filho esta trocando algumas letras com b por p, d pelo t , c pelo g, porém ele fala correto somente na escrita , gostaria de saber se neste caso tbm tem que procurar um fono

    • Dra Camila Di Ninno

      Olá Tania! Seu comentário é muito pertinente e merece um artigo só sobre este assunto. Vamos providenciá-lo em breve! Mas respondendo a sua pergunta, sim, você deve levar seu filho para avaliação com um fonoaudiólogo. Estas letras que ele está trocando são muito parecidas auditivamente e ele pode estar com dificuldade em diferenciá-las. Estas trocas, embora muito frequentes, não fazem parte do processo de alfabetização. Espero ter ajudado!
      Abraço
      Dra Camila Di Ninno

    • Guilherme Queiroz

      Tania, espero poder ajudar com uma simples sugestão – mas não sou especialista ou fonoaudiólogo! Antes, preciso saber se entendi direito: seu filho escreve correto mas não pronuncia bem algumas letras, não é? E a troca das letras seria b por p, d por t, g por k, v por f? Nesse caso, analisando os fonemas, conto pequeno relato meu. Eu conhecia uma criança de 4 anos que não conseguia pronunciar bem o próprio nome (ela dizia “Fifian”, ao invés de “Vivian”). Como eu estudava letras e fonética, percebi que o que diferencia todos esses fonemas é o chamado “vozeamento”. Em outras palavras, a única diferença entre o p e o b é que o som de b é produzido “cantando”. A minha sugestão que resolveu o caso da “Fifian”, para ela conseguir falar “bola”, ao invés de “pola”, era segurar o som de “m” no nariz, antes de começar a palavra. Era engraçado, mas ela começou a falar direitinho “Mbola” e “NGuilherme”. Esse é o vozeamento que pode estar faltando ao seu filho!

  2. Aline Borges de Almeida Teixeira

    Oi, boa noite tenho 3 filhas, uma de 5 anos, de 2 anos e 10 meses e a outra com 9 meses. A mais velha tem dificuldade com algumas palavras como por exemplo “Torapia – Fisioterapia”, “Tocha oliquida – Tocha olímpica”, “Manica – Máquina”. A a de 2 anos ela já tem dificuldade de falar ela já esta fazendo tratamento com a fonoaudióloga, uma das palavras que ela aprendeu e fala errada “fofó – vovó”.

    • Camila Di Ninno

      Oi Aline,
      Sua filha mais velha está tendo dificuldades em palavras que são realmente muito difíceis! Se isto ocorre apenas em relação a algumas palavras não se preocupe. Minha orientação é que você evite imitar a fala dela e dê sempre o modelo correto. Aos poucos ela vai superar isso! Caso ela tenha dificuldade em muitas palavras, vale a pena consultar a fonoaudióloga que já atende sua outra filha.
      Abraço,
      Dra Camila Di Ninno

      • ewerton

        ola, gostaria de saber se é correto sempre falar no modo diminutivo com crianças. por ex/ lanchinho,cachorrinho, etc…

        • Dra Camila Di Ninno

          Olá Ewerson!
          Não recomendamos falar sempre no diminutivo com as crianças. Quando usamos o diminutivo, todas as palavras ficam maiores (ex: mão -> mãozinha; pé -> pezinho, etc) e portanto, mais difíceis de serem produzidas pela criança. Além disso, todas ficam parecidas, sempre terminadas por “inho” ou “inha”… Não quer dizer que nunca podemos usar o diminutivo, podemos sim, mas para nos referirmos a coisas realmente pequenas (ex: Vamos brincar com o carrinho?). Devemos lembrar que os adultos são o modelo de fala da criança. Podemos falar com carinho, mas sem infantilizar.
          Espero ter ajudado!
          Abraços,
          Dra Camila Di Ninno

  3. monica

    Muito rica essa orientação para nós frofissionais da Educação. Sou Orientadora e Psicopedagoa.

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